Fidelidade ao CD: Japão se recusa a adotar tendência de downloads e streaming

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Ao redor do mundo, a indústria fonográfica tem rumado para os downloads e streamings. Mas no Japão, o Compact Disc ainda segue rei.

Em uma recente tarde chuvosa de segunda-feira, a loja de nove andares da Tower Records esteve lotada de clientes como Kimiaki Koinuma. Um engenheiro de 23 anos trajando uma camiseta de Dee Dee Ramone, o sr. Koinuma disse que, ao contrário da maioria dos homens de sua idade em todo o mundo, ele passa pouco tempo com serviços digitais e prefere suas músicas em um disco.

“Eu compro cerca de 3 CDs por mês”, ele disse, exibindo uma leva de seis novos discos, incluindo o clássico “Exile On Main St.” Dos Rolling Stones e uma seleção dos últimos sucessos pop japoneses.

O Japão pode ser um dos países cuja população mais cedo adere a novas tecnologias, mas seu contínuo apego ao CD o coloca contra o resto da indústria musical do planeta.  Enquanto as vendas de CDs estão caindo ao redor do mundo, inclusive no Japão, elas ainda representam por volta de 85 por cento das vendas aqui, comparado com até parcos 20 por cento em alguns países como a Suécia, onde o streaming online é predominante.

“O Japão é total e completamente único”, disse Lucian Grainge, o cabeça da Universal Music Group, o maior conglomerado musical do mundo.

Essa peculiaridade preocupa o resto do mundo. Apesar de seu robusto mercado para CDs, as vendas no Japão – o segundo maior mercado musical da Terra, seguindo os EUA – têm caído por uma década, e no ano passado caiu em 17 por cento, derrubando os resultados globais em 3.9 por cento.

As vendas digitais – ascendentes em todos os outros mercados – estão aos poucos caindo no Japão, indo de quase US$1 bilhão em 2009 para apenas 400 milhões ano passado, de acordo com a Associação da Indústria Fonográfica Japonesa.

Reverter o cenário no Japão tem tornado-se uma prioridade para o negócio musical global, que tem lutado para reafirmar os pés depois de perder metade de seu valor a partir de 2000 quando a tecnologia digital começou a dissolver o modelo de negócios baseado em álbuns.

Contudo, efetuar essa mudança tem sido difícil, de acordo com os analistas e executivos musicais no Japão e no Ocidente, em parte por causa de um clima de protecionismo corporativo no Japão que ainda vê o negócio digital com suspeita.

Serviços de streaming musicais como Spotify e Rdio, amplamente considerados como a melhor esperança da indústria para novas receitas, deram com os burros n’água em seus esforços para entrar no Japão. O Spotify, o maior nome dentre eles, está emperrado há dois anos para conseguir efetivar negociações de licenciamento com empresas musicais do Japão, onde ídolos pop nacionais vendem muito mais do que os nomes estrangeiros.

Ken Sparks, o chefe da divisão de conteúdo do Spotify, disse estar otimista sobre os prospectos de sua empresa, e apontou para o fato de o processo de negociação estar vagaroso em todos os lugares. O Spotify, que tem mais de 10 milhões de clientes em 57 mercados em volta do mundo, negociou com gravadoras por quase dois anos antes de chegar aos EUA em 2011, por exemplo.

“Quando os tomadores de decisão finalmente sentirem que o calor está alto o suficiente para eles terem que fazer algo diferente, eles o farão”, disse o sr. Parks. “Eu acho que estamos chegando a esse momento no Japão.”

Outros têm suas dúvidas, apontando para a devoção do mercado japonês ao CD, que performance sendo a principal fonte de receita para as gravadoras no país, e uma ferramenta promocional indispensável.

Tais peculiaridades do clima corporativo do Japão têm formado seu apego ao CD, mas fatores culturais também estão em jogo, como o amor dos consumidores japoneses por colecionáveis. Álbuns de ‘Os Maiores Sucessos’, por exemplo, são particularmente bem-sucedidos no Japão, talvez por causa de sua formatação elaborada e focada no artista. O enormemente popular grupo feminino AKB48 foi pioneiro na venda de CDs com cupons que podem ser trocados por acesso a eventos ao vivo – uma estratégia que muitos ligam ao crescimento da venda de CDs, porque ela pode fazer com que os maiores fãs comprem várias cópias de um disco.

A Tower Records fechou suas 89 lojas nos EUA em 2006, mas a divisão Japonesa da rede – controlada pela NTT DoCoMo, maior operadora de telefonia celular do Japão – ainda tem 85 lojas, faturando mais de 500 milhões de dólares por ano.

Na maior loja da Tower, no coração do distrito de compras repleto de arranha-céus de Shibuya, um grupo de garotas pré-adolescentes chamado Kokepiyo se apresentou para os fãs e autografou CDs durante uma tarde no mês passado, enquanto suas mães-empresárias observavam protetoramente. Do lado de fora, uma estudante de 18 anos que deu o nome de Yuria, tinha vindo à Tower para ver sua banda favorita, a Lotus. Ela carregava uma bolsa cheia de mercadorias que ela havia comprado na loja, e disse que ela frequentemente compra várias cópias do mesmo CD.

“Cada loja tem seus próprios brindes para vender mais CDs”, disse Yuria. “Então tudo depende do quão bons eles sejam.”

Nos EUA, as vendas digitais já superaram as de mídias físicas faz tempo. Mas os CDs ainda são responsáveis por 41 por cento do mercado mundial de 15 bilhões de dólares da indústria, e além do Japão, alguns grandes mercados como a Alemanha permanecem com boas vendas de CDs. Tal apego preocupa alguns analistas, que afirmam que, caso esses países não abraçarem a música online, uma queda inevitável na venda de CDs vai danificar ainda mais a indústria.

“Se o Japão espirrar e a Alemanha pegar um resfriado, daí deu – acabou pra gente”, disse Alice Enders uma analista de mídia na Enders Analysis em Londres.

Um ecossistema corporativo distinto no Japão tem mantido os CDs lucrativos para as gravadoras. As restrições de preços nos varejistas mantem o custo da maioria dos CDs novos a mais de 20 dólares. No meio da década passada, um serviço de downloads, o Recochoku, fora anexado ao dispendioso mercado de telefonia móvel japonês, mas tal sistema entrou em colapso quando o país seguiu rumo aos smartphones.

Parte do problema, dizem os executivos, é a complexa malha de empresas que controla a músicas mais popular do Japão, que tem sido bem vagarosa para licenciar novos serviços.

A Music Unlimited, de propriedade da Sony, é o maior serviço de streaming disponível no Japão, mas não tem os sucessos mais populares de lá [a Sony se recusa a dizer quantos assinantes tem no Music Unlimited, seja no Japão ou em qualquer outro lugar]. A loja do iTunes, da Apple, chegou ao Japão em 2005, mas foi só em 2012 que começou a vender música japonesa de sua rival do hardware, a Sony.

Executivos no Japão e no Ocidente culpam uma indústria musical japonesa zelosa demais por não se adaptar, e sérias preocupações pairam sobre a habilidade do Japão de se recuperar das perdas do ano passado.

“Uma quantidade razoável de administradores sêniores está preocupada com o que acontece sob sua batuta, mas não necessariamente preocupada com o que ocorrerá depois disso”, disse Shigeo Maruyama, ex-presidente da Sony Music Entertainment Japan em uma entrevista.

Nesse ano, as coisas no Japão parecem um pouco melhores. Em 2013, não houve nenhum disco que vendesse mais de um milhão de cópias, mas em 2014 já houve dois: uma versão japonesa da trilha sonora de ‘Frozen’, da Disney e o último lançamento do AKB48. Ainda assim, na primeira metade do ano, as vendas ainda caíram mais 3 por cento quando comparadas ao mesmo período do ano anterior.

“A esperança das gravadoras japonesas é manter o atual tamanho do mercado de mídias físicas, e tentar fazer com que o mercado digital cresça de novo através do licenciamento de novos serviços digitais”, disse Yoichiro Hata, diretor da Associação da Indústria Fonográfica Japonesa.

Para o resto da indústria fonográfica global que ainda luta, tal crescimento não poderia vir em melhor hora.

“É inevitável que esse mercado volte a crescer”, disse o sr. Grainge, da Universal. “O que eu não vou prever é quando.”

Texto original de BEN SISARIO para o NEW YORK TIMES

Metallica: banda lançará box set de R$975 [antes dos impostos]

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Do site oficial do METALLICA nessa tarde do dia 16 de Setembro:

Temos tido o imenso orgulho de poder oferecer virtualmente todos os shows que fizemos nos últimos dez anos para download em questão de dias após o show acontecer… por vezes até mesmo horas! Ao longo dos anos, pudemos oferecer mais opções de download, acrescentando arquivos em áudio HD e Apple Lossless ao pacote, mas ainda recebemos pedidos do ‘velho formato’ CD. Para comemorar dez anos do [site] Live Metallica, vamos fazer isso acontecer. A partir de hoje, até o fim do ano, todos os shows que fizemos em 2014 serão lançados em CD! Vamos liberar três shows de cada vez às segundas.

Queremos manter isso de modo simples, então vamos na ordem em que os shows foram tocados, começando com Bogotá na Colômbia, Quito no Equador, e Lima no Peru da turnê Sul-Americana de março. Na semana que vem, esses três shows estarão disponíveis e por aí vai. Para aqueles de vocês que querem todos, também lhes daremos a oportunidade de pré-compra de um box set com todos os 27 shows inclusos, que será enviado em dezembro. Há aquele conceito especial de um desconto pela quantidade e você terá uma caixa para abrigar a todos os seus CDs dentro. Os CDs terão o preço muito em conta de US$19.81 cada e o box a US$417 [olha a economia!] e vocês podem fazer seus pedidos tanto no LiveMetallica.com como na MetStore.

E para vocês noiados em vinil, alguns shows serão lançados em edição limitada de vinil de 180 gramas no começo do ano que vem. E mais uma vez, nós aqui dos seus amigos do QG do Metallica queremos a opinião de vocês sobre quais shows vocês gostariam de ver em vinil. VOCÊS escolherão dos 27 shows que tocamos nesse ano votando em seus favoritos AQUI. Vamos pegar os quatro mais votados e os prensaremos para que vocês os encomendem no começo de 2015. As votações se encerram no dia 26 de setembro.

Digam-nos o que vocês acham e aguardem muito mais lançamentos e alguns box sets legais no ano que vem!

 

 

Audiofilia: Sony revela FLAC/Hi-Res Audio Player à Prova D’Água

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Se você algum dia em sua vida questionou a dedicação e o empenho da SONY em relação ao áudio em ata resolução, a revelação ao público do mais novo produto nesse nicho da empresa na [convenção da indústria] IFA  2014 enterra sua dúvida. Na quarta-feira passada, eles tiraram os tapumes em torno de seu novo smartphone o Xperia Z3 e do tablete compacto Z3, ambos habilitados para reproduzir áudio em alta resolução. Ainda não se sabe qual bitrato de alta resolução exatamente eles poderão reproduzir, mas chutamos que sejam arquivos de 24 bits a 192 kHz. Quando ao formato do arquivo, as especificações do web site dizem claramente: WAV e FLAC, mas não parecem incluir AIFF ou ALAC, mas um detalhe chama mais a atenção: ele é À PROVA D’ÁGUA!

Além disso, para os usuários que preferirem um aparelho à parte para playback de áudio, eles exibiram seu mais novo walkman, o NWZ-A17. O NWZ-A17 afirma que é o ‘menor e mais leve aparelho do mundo’ capaz de reproduzir arquivos em alta definição, habilitado para WAV, AIFF, ALAC, FLAC e mais. Para arquivos WMA e MP3, o DSEE HX processa as faixas para melhor qualidade de audição. Há 64Gb de armazenamento ‘on board’, expansível através de uma entrada para micros, e a estrovenga ainda aguenta 50 horas de playback comum e 30 horas de execução de áudio em alta resolução.

Para uma cobertura mais detalhada do lançamento, assista ao vídeo abaixo.

 

 

 

Audiofilia: Sony revela FLAC/Hi-Res Audio Player à Prova D’Água

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Se você algum dia em sua vida questionou a dedicação e o empenho da SONY em relação ao áudio em ata resolução, a revelação ao público do mais novo produto nesse nicho da empresa na [convenção da indústria] IFA  2014 enterra sua dúvida. Na quarta-feira passada, eles tiraram os tapumes em torno de seu novo smartphone o Xperia Z3 e do tablete compacto Z3, ambos habilitados para reproduzir áudio em alta resolução. Ainda não se sabe qual bitrato de alta resolução exatamente eles poderão reproduzir, mas chutamos que sejam arquivos de 24 bits a 192 kHz. Quando ao formato do arquivo, as especificações do web site dizem claramente: WAV e FLAC, mas não parecem incluir AIFF ou ALAC, mas um detalhe chama mais a atenção: ele é À PROVA D’ÁGUA!

Além disso, para os usuários que preferirem um aparelho à parte para playback de áudio, eles exibiram seu mais novo walkman, o NWZ-A17. O NWZ-A17 afirma que é o ‘menor e mais leve aparelho do mundo’ capaz de reproduzir arquivos em alta definição, habilitado para WAV, AIFF, ALAC, FLAC e mais. Para arquivos WMA e MP3, o DSEE HX processa as faixas para melhor qualidade de audição. Há 64Gb de armazenamento ‘on board’, expansível através de uma entrada para micros, e a estrovenga ainda aguenta 50 horas de playback comum e 30 horas de execução de áudio em alta resolução.

Para uma cobertura mais detalhada do lançamento, assista aos vídeos abaixo.

 

 

 

 

Gene Simmons: ‘O rock morreu, e não foi de velhice”

Gene Simmons and Wolfgang Puck Host Rocktoberfest Opening Night

GENE SIMMON$ afirma que o rock está ‘morto’ e ainda acrescenta que é quase impossível para novos artistas conseguirem viver exclusivamente de suas composições.

O astro do KI$$ acredita que a indústria fonográfica está estabelecida de um modo que não há apoio para artistas que precisam de tempo e espaço para se desenvolverem.

Simmons disse à revista estadunidense ESQUIRE que seu conselho aos músicos principiantes é que ‘não larguem de seu outro emprego’ e emenda: “O rock enfim está morto. A morte do rock não foi de causa natural. O rock não morreu de velhice. Ele foi assassinado.”

Quando eu estava subindo, a montanha não era intransponível. Quando você tinha uma gravadora a seu lado, eles te custeavam, e isso também significava que quando você saía em turnê, eles te davam apoio na turnê. Havia toda uma indústria para ajudar o próximo Beatles, Stones, Prince, Hendrix, para propulsioná-los e apoiá-los a cada etapa do processo.”

“Ainda há gravadoras, e isso se aplica ao pop, rap e o country até certo ponto. Mas para os artistas que também são compositores – os criadores – do rock, do soul, do blues, isso já morreu.”

Simmons foi entrevistado para a publicação por seu filho, NICK, e ele aponta para a faixa “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY como um exemplo do que a indústria musical está procurando em termos de vendas e retorno de seu investimento.

“Eu fico tão triste pelo fato de que o próximo garoto de 15 anos de idade em uma garagem em algum canto que pluga seu Marshall e quer mandar no 10, não vai ter nem de longe a mesma oportunidade que eu tive.”

Ele vai, muito provavelmente, não importa o que ele faça, fracassar miseravelmente. Não há mais indústria praquilo. E quem é o pivô? Sempre há a maré recorrente de interesses – as mudanças no gosto musical a cada geração. Culpar isso é idiotice.”

O pivô de verdade é o vizinho de porta desse menino de 15 anos, provavelmente um amigo dele. Talvez até colega de uma das bandas nas quais ele esteja tocando. A tragédia é que eles parecem não ter ideia de que eles simplesmente mataram sua própria oportunidade – eles mataram aos artistas que eles teriam amado. Um pouco de brilhantismo, em algum lugar, seria expressado, e agora não vai mais, porque é muito mais difícil ganhar a vida tocando e compondo. Ninguém te paga para fazer isso.”

Mötley Crüe: Billboard cita 6 razões que fazem do show imperdível

Por  para a BILLBOARD dos EUA

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Por volta de 15 mil pessoas lotaram o PNC Bank Arts Center em Holmdel, NJ na noite de 30 de Agosto para ver o MÖTLEY CRÜE antes de a banda se aposentar das turnês.

Depois de 100 milhões de discos, 33 anos, cinco biografias e muita baixaria, o notório grupo de rock anunciou em janeiro passado que estava fechando as portas enquanto ainda havia dignidade, e até assinou um contrato de ‘cessação de turnê’ que os impede de se reunirem como Mötley Crüe para excursionar após o fim de 2015. A banda estava determinada a conduzir as coisas à sua maneira – e tomando qualquer resistência como uma ofensa pessoal – e está fechando sua histórica jornada de turnês seguindo suas próprias regras.

Eis as seis razões cabais pelas quais você deveria testemunhar o ocaso.

1 – PIROTECNIA SUFICIENTE PARA ANIQUILAR O EXTERMINADOR DO FUTURO

No começo da carreira, o Mötley fora zoado por não ter nada de produção além de suas táticas baratas para chocar a plateia, como incendiar as botas do baixista NIKKI SIXX com fluido de isqueiro. Aquilo fora um pífio indício do que viria: a banda aprendeu desde o começo que a visualidade era crucial para o pacote como um todo. O Mötley está fazendo checkout com um desfile naipe Armaggedon de chamas, labaredas e faíscas que fariam você pensar que a independência dos EUA acaba de ser declarada. O rato de laboratório da piro de outrora, Sixx agora usa seu instrumento como lança-chamas para, ao longo do show, disparar uma língua de fogo que cobre metade do palco.

  1. O SET LIST É PRECIOSO

Goste você de Mötley Crüe antigo, seu ápice do hair metal ou de seu renascimento na virada do milênio, todo fã do Crüe sairá satisfeito com a música e o entusiasmo com o qual ela é tocada. Clássicos dos primórdios dos anos 80 como ‘Looks That Kill’ e ‘Too Young To Fall In Love’ são oferecidos junto a ‘Dr. Feelgood’, ‘Kickstart My Heart’ e as pós-2000 ‘Saints Of Los Angeles’ e ‘Motherfucker Of The Year’. A banda manda quase 20 músicas no mesmo pique – eles estão se retirando do mesmo modo que chegaram, chutando e gritando, com orgulho. O baterista TOMMY LEE surrou seu modesto [para os padrões dele] kit como se ele estivesse tentando puni-lo por algo, e apesar de ser afetado por uma forma degenerativa de artrite, o guitarrista MICK MARS permanece no controle total da destreza de seus dedos.

 

  1. OS MAIS ADULTOS PODEM EXTRAVAZAR SEU GRITO DE REVOLTA

 Quando o Mötley tocou seu hit elementar “Shout At The Devil” [um dos ápices do show], milhares de caras de meia-idade foram transportados de volta a 1983. A razão pela qual os pais atolados de pagamentos de carros e hipotecas se juntaram para exorcizar seus demônios e gritarem o desafiador refrão da faixa é que, talvez mais do que quando eram adolescentes, o público do Mötley precisa de uma válvula de escape – e uma lembrança de que não importa os quão velhos eles estejam, eles sempre terão rebeldia em seus corações.

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  1. ESSA ERA UMA BANDA QUE NINGUÉM ESPERAVA QUE SOBREVIVESSE

O explosivo final com “Kickstart My Heart” poderia ser uma ilustração do drama combustivo [muito dele autoperpetuado] que tem sido o Mötley Crüe desde o começo. Overdoses letais, condenações na justiça, divórcios, processos… as histórias de várias polêmicas já preencheram várias biografias. Lee e o vocalista VINCE NEIL já saíram da banda, e sua presença reforça o peso da despedida do grupo. A maioria dos artistas não percebeu o momento certo de pendurar as chuteiras com todos os membros originais e a importância disso; pelo menos esses caras conseguem se suportar por tempo o suficiente por mais uma viagem de volta ao mundo.

 

  1. MAS NEM O MÖTLEY CRÜE É IMUNE AO TEMPO

Acredite ou não, os autoproclamados sacripantas querem que sua saudação final seja dignificada ao invés de uma lenta desintegração. Para o Crüe, isso significa contratar duas dançarinas em trajes menores para rodopiarem pelo palco, atribuir um solo de calcinante de guitarra a Mars, botar o teto abaixo com “Smokin’ In The Boys Room”, “Anarchy In The UK” do SEX PISTOLS, a favorita dos clubes de strip-tease “Girls Girls Girls” e “Live Wire”, e terminar a noite com a tradicional “Home Sweet Home”. O Mötley nunca foi piegas, mas assistir fotos antigas da banda passando pela tela gigante do palco demonstra o quão longe Sixx, Neil, Lee e Mars chegaram em mais de 30 anos.

 

  1. ENQUANTO ISSO, ALICE COOPER PERMANECE ETERNO

 O padrinho do shock rock juntou-se à turnê final do Mötley Crüe como convidado especial. Aos 66 anos de idade, Cooper declarou que não planeja se aposentar, e seu show confirma que ele não devia mesmo. Como de costume, o membro do Rock And Roll Hall Of Fame pegou três guitarristas, decoração estilo Halloween, uma cobra, uma decapitação bastante realista e escolhas macabras de vestuário para seu set enquanto ele gesticula dramaticamente e empostado ao som de sua música. Apoiado por uma banda extremamente entrosada, Cooper começou a festa com “Be My Frankenstein”, “I’m Eighteen”, “Poison” e “Welcome To My Nightmare”. À medida que ele esgotava seu tempo com uma contagiante performance de “School’s Out”, a surpresa final de Cooper estava, inesperadamente, na simplicidade: ao invés de trazer outro réptil ou cenografia sangrenta, o palco foi banhado em uma nuvem de bolhas de sabão.

 

 

Mötley Crüe: 25 Anos de “Dr. Feelgood” – Parte II

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Dois milhões de pessoas em 14 países. A turnê custava 325 mil dólares por semana para se manter nos trilhos. Cada membro da banda foi pra casa com 8 milhões de dólares líquidos no final dela. Houveram percalços no caminho, mas nada como o desastre que os anos de bebedeira e uso de drogas haviam prometido. Apenas as coisas costumeiras do Mötley Crüe: os shows de Moscou foram os primeiros em que a banda tocara sóbria até então. Sabe-se lá onde é que Vince teria achado que esteve caso tivesse se chapado…

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Ainda assim, eles encerraram sua parceria com Doc McGhee após o fiasco da pirotecnia do roupa N… digo, do BON JOVI.

Vince Neil socou IZZY STRADLIN do GN’R no MTV Awards de 1989 [o guitarrista havia assediado a esposa de Neil algumas semanas antes], dando início a uma longa arenga entre as duas bandas. Entrevistado na MTV, Vince desafiou W. Axl Rose para uma briga. EDDIE VAN HALEN e SAMMY HAGAR logo se ofereceram para viabilizar o pugilato entre os dois no Madison Square Garden de NYC. Nunca aconteceu.

Vince arremessou sua cama pela janela de um hotel na Alemanha. Ela caiu sobre duas Mercedes no estacionamento. Tommy Lee foi acusado de atentado ao pudor depois de expor suas nádegas para a plateia em Cincinatti, Ohio. Tommy Lee se divorciou de Heather Locklear e casou-se com a atriz de ‘SOS Malibu’ Pamela Anderson. Sabemos o que aconteceu depois. Nikki Sixx casou-se com outra atriz de ‘SOS Malibu’, Donna D’Errico, Mick Mars casou-se e divorciou-se de uma das Nasty Habits, as backing vocals da banda na turnê de Dr. Feelgood.

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Kensal Green, 1989: Apesar de a matéria sobre Matthew Trippe ter emputecido Nikki Sixx, ele manteve seus comentários restritos a apontar pra mim e dizer “pessoas como VOCÊ escrevem merda sobre a gente…” quando conversamos depois da sessão de fotos da banda. Ele cerrou os punhos pra mim também. Não foi exatamente o fim, apesar de Matthew Trippe ter levado aquilo adiante por algum tempo, ainda que em vão. Ele encerrou a ação em 1993. Foi divertido enquanto durou, mas ele não era Nikki Sixx.

Depois que a turnê de Dr. Feelgood se encerrou, o Mötley Crüe fez divulgação em Londres, e um dos compromissos era comentar músicas das paradas no escritório da revista. Nikki apareceu – em uma limusine, claro – com um taco de beisebol. Uma das músicas sujeitas a seu crivo era uma faixa do FISH. O resenhista disse a Nikki que eu era um fã do cara. Quando eu cheguei à minha mesa na manhã seguinte, lá estava ela, partida ao meio com o bastão de Nikki.

“Caro Jon”, ele escreveu nele. “Você é o próximo. Nikki Sixx.”

ROCKIN’ THE CRÜE

Em uma entrevista nunca antes publicada, BOB ROCK lembra de seu período gravando Dr. Feelgood. Bob Rock fica aliviado por nunca ter tentado trabalhar com o Mötley durante o auge da baixaria do grupo.

“Quando eles chegaram a Vancouver, todos tinham se desintoxicado”, ele lembrou vários anos depois. “Então eles estavam muito mais afiados do que eu esperava em comparação aos álbuns anteriores.”

Rock era renomado na época por ser um produtor altamente comercial, alguém que tinha, por mérito, assim como em colaboração com BRUCE FAIRBARN, trabalhado com o Roupa N… digo, Bon Jovi, LOVERBOY, AEROMITH e o THE CULT. Então, quando ele fora escolhido para produzir a Dr. Feelgood, alguns ligaram a luz amarela.

“A banda queria seguir em uma direção musical diferente. Eu devo admitir que eu me perguntava o porquê de eles terem me escolhido. Mas tão logo eu ouvira as demos que eles haviam feito, tudo fez mais sentido. As músicas não eram exatamente como nada que eles haviam feito antes. Elas eram mais maduras, apesar de ainda terem o selo do Crüe.”

Contudo, apesar do fato de a banda ter se acalmado, Rock achou que as sessões de gravação foram tudo, menos calmas.

“Os quatro caras não estavam se entendendo de jeito nenhum, então eu tive que administrar a situação, e fazer com que cada um viesse e gravasse suas partes. Não foi fácil. Mas eu queria evitar derramamento de sangue!”

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A vasta gama de convidados que aparecem nos backing vocals com certeza deixou as coisas mais animadas.

“O Aerosmith estava no Little Mountain gravando ‘Pump’ na mesma época, então chamamos a Steven Tyler. O Cheap Trick também estava por perto, e trouxemos Rick Nielsen e Robin Zander. Bryan Adams era um amigo das antigas, e ele nos visitou uma ou duas vezes, cantou um pouco… tínhamos essa regra de que, caso você quisesse chegar e passar um tempo com o Crüe, você iria ter que trabalhar.”

FOTOS PUBLICADAS POR ROSS HALFIN EM SUA PÁGINA PÚBLICA DO FACEBOOK EM COMEMORAÇÂO AO ANIVERSÁRIO DO ÁLBUM.

 

 

Mötley Crüe: 25 anos de “Dr. Feelgood” – Parte I

Por JON HOTTEN para a CLASSIC ROCK #25

1990 MTV Video Music Awards

No dia 1 de Setembro de 1989, o MÖTLEY CRÜE lançava “Dr. Feelgood”. Seria o maior disco da carreira deles. Em 2001, a revista inglesa CLASSIC ROCK recapitulou os insanos eventos que cercaram a realização do disco.

Kensal Green, Zona Oeste de Londres, 1989. A limusine preta era comprida demais. Era tão comprida que cobriu a área de três parquímetros. Era tão comprida que eu tive que estacionar virando a esquina. Ali, outras três monstruosidades pretas ocuparam outros nove espaços de parquímetros.

Dos carros saíram quatro músicos, dois seguranças, um empresário de turnê, um capachão e vários executivos de gravadoras. Senhoras e senhores, o MÖTLEY CRÜE estava no prédio…

Essa é uma história de excesso. Essa é uma história de uma quantidade muito grande de sexo e drogas e um pouco menor de rock n’ roll. Essa é uma história de overdoses de heroína, mulheres, armas, sósias, contrabando de maconha e milhões de dólares. Essa é a história de uma banda que usou uma limusine para cada membro para se transportar por Londres. Por que? Porque eles estavam lá. Por que? Porque eles podiam.

Dentro do edifício, que abrigava o estúdio de um fotógrafo, a banda estava sendo assistida por maquiadores e cabelereiras. Em 1989 a banda tinha muito cabelo e maquilagem. No caso do guitarrista MICK MARS, ambos eram aplicados toda manhã. Ele parecia o Nosferatu de ressaca depois de uma noite inenarrável. Havia algo em sua cabeça. Deve ter sido vivo algum dia. Com certeza era longo e preto, certamente era algum tipo de cabelo, e quase certamente não era dele. Eu me apresentei. Ele mal me olhou por um tempo, e então eu tentei de novo. Ele seguiu me olhando, e eu achei que ele fosse um pouco surdo, então eu falei bem alto, diretamente no ouvido dele. Nada. Daí o empresário de turnê tentou. Depois de mais alguns minutos, eu tentei de novo. Daí, muito tempo depois, ele me olhou fixamente e disse: “E ai, amigo? Só viajando aqui…”

Três anos depois, Mick acertaria por acidente um tiro em sua própria namorada.

 

Vince Neil estava em melhor forma física. Claro, Vince, era baixo, mas ele era bronzeado e tinha passado recentemente por uma cirurgia para corrigir seu septo nasal desviado, problema que ocorre quando a cartilagem que divide o nariz se desintegra, dentre outras causas, devido ao abuso de substâncias. A cirurgia afinou o rosto dele. Ele estava coberto de tatuagens e carregava um enorme relógio Rolex de ouro que tinha diamante para marcar aposição dos números no painel. O nome verdadeiro dele era Vince Wharton. Ele tinha 27 anos e era casado com uma ex-lutadora de luta livre na lama chamada Sharise Ruddell. Ele também era um típico californiano, tranquilo e acomodado e possuidor de uma visão de mundo perturbadoramente vaga. Conversamos meio por cima sobre um então recente evento de caridade no qual o Crüe tinha se apresentado em Moscou.

“Porra, cara, você tem ideia do quanto Moscou é longe? Demora pra… é…”

Ele procurava por uma descrição adequada para a duração do vôo. “É longe… pra caralho, cara.”

Ele estava sentado ao lado de TOMMY LEE, e até Tommy estava rindo da dificuldade de Vince.

“Enfim, botamos pra fuder. A gente mandou ver pra cima daqueles… daqueles…” Vince estava tentando com força lembrar-se de pra cima de quem ele tinha ‘mandado ver’.

Tommy pensou por um instante e disse: “Aqueles russos!”

“Sim! Sim! Aqueles porras daqueles comunistas. Aqueles russos. Nós botamos pra fuder com ele. Eles não têm muita coisa lá praqueles lados. Só, tipo, umas porras de lixeiras, cara…”

Tommy e Nikki eram diferentes. Eles eram celebridades genéricas. Eles se agarraram com unhas e dentes a todo tipo de oportunidade e eles pareciam inversamente incríveis. O nome de batismo de Tommy é Tommy Bass. Sua mãe havia sido Miss Grécia em 1957. Ele tinha pele cor de mel, dentes ultra-brancos, cabelo brilhante e um corpo totalmente desprovido de gordura. Ele era engraçado e genial, muito bonito e casado com Heather Locklear, a gata-mor da televisão.

O nome verdadeiro de Nikki era Frank Ferrano. Ele era alto e musculoso e de feições parecidas. Seu pai era siciliano, sua mãe de Idaho. Ele era um astro do rock nato e não havia muita dúvida de que ele comandava a banda. Ele compunha a maioria das músicas e bolava a imagem deles. Ele estava envolvido com uma modelo, Brandi Brandt, depois de romper com a antiga apadrinhada de PRINCE, Vanity. Ele também tinha sido, confessamente, um usuário contumaz de drogas por anos a fio.

Tommy estava gritando sobre seus problemas com Heather pra qualquer um que quisesse os ouvir. Ela suspeitava que ele tivesse ido pra cama com outra. “De jeito nenhum, cara. Mas ela tá me enchendo.”

“Cara,” disse Nikki. “É foda levar bronca por puta que você nem comeu…”

 

As coisas não iam rolar suavemente. Na verdade, a qualquer momento, tudo podia dar errado. O Mötley Crüe, e Nikki em particular, estavam putos da cara comigo e a [revista semanal inglesa de rock] KERRANG!, a publicação para a qual eu trabalhava porque havíamos publicado uma história sobre um cara da Pensilvânia que afirmara ter assumido o lugar de Nikki em uma série de shows em 1983 depois que o baixista sofrera um acidente de carro. O nome do cara era Matthew Trippe. Ele era um pobre coitado que tinha entrado e saído de hospícios e tinha seu próprio problema com drogas. Dentre suas ‘provas’ estavam uma série de memórias, fotos de um tour book que mostravam um Nikki Sixx suspeitamente baixo [quase tão baixo como Vince], várias fotos de umbigos, e outras provas circunstanciais.

Em 1988, ele tinha entrado com um processo contra o Mötley Crüe e o empresário deles, citando roubo de imagem e afirmando que ele tinha composto uma série de músicas que seriam gravadas pela banda depois, incluindo “Knock’Em Dead Kid”, “Girls Girls Girls”, “All I Need”, “Dancin On Glass” e “Wild Side”. Era exatamente o tipo de coisa que só acontece com o Mötley Crüe. Afinal, coisas de toda a sorte acontecem a eles o tempo todo. O empresário deles, Doc McGhee, havia sido condenado por contrabandear 20 toneladas de maconha. Parte de sua ‘punição’ envolvia montar uma organização de combate às drogas, a qual ele chamaria de ‘Make A Difference Foundation’. MAD [‘louco’] na abreviação.

Fora o show dessa fundação em Moscou que Vince se referia à viagem como “longe pra caralho” de se ir. Após finalmente chegarem, Tommy Lee saiu na porrada com Doc McGhee porque o Roupa N… digo, o BON JOVI obtivera permissão para usar pirotecnia em seu show e o Mötley Crüe não. A banda despediria a McGhee na sequência.

Vince Neil fora responsável por um acidente de carro que vitimou ao baterista do HANOI RICKS, RAZZLE. Ele fora condenado por homicídio culposo e sentenciado a 30 dias de prisão.

Mick Mars havia tentado explicar o cancelamento de toda uma turnê bretã [porque a banda estava intoxicada demais para ir] dizendo que ‘tinha muita neve no telhado’ de uma das casas de shows e que ele poderia vir abaixo com o peso do equipamento da banda. Vince tinha comprado um fuzil de assalto soviético AK-47 para Tommy no Natal.

Matthew Trippe era apenas mais uma trivialidade para uma banda que havia fincado acampamento na loucura. Era um artigo legal, para não dizer ridículo. Nikki odiou tudo, mas não entendeu o espírito da coisa. Matthew Trippe era cômico. Matthew Trippe era burro. Matthew Trippe era rock n’ roll. Matthew Trippe era, na verdade, muito Mötley Crüe.

Na semana em que o Mötley Crüe veio de avião até o Reino Unido, o quinto disco deles, “Dr. Feelgood”, era o álbum No. 1 nas paradas da Billboard. Eles haviam saído da desintoxicação e estavam tão próximos do topo quanto possível sem que virassem o próprio Elvis.

A banda não explodiu da noite para o dia, todavia. Eles todos estiveram na Los Angeles do começo dos anos 80, tentando fazer alguma coisa – qualquer coisa – acontecer. Mick Mars estava colocando anúncios de ‘guitarrista procura banda’ na imprensa local. Vince estava em bandas de bar. Nikki tinha estado no LONDON com BLACKIE LAWLESS. O London alcançaria um status de cult por todas as razões erradas: eles se tornaram um centro de admissão para os astros do rock recém-chegados à cidade, enquanto a banda em si nunca decolou.

O Mötley Crüe tinha lançado seu primeiro disco, “Too Fast For Love”, por seu próprio selo, o Leathür, e então subiu continuamente através de álbuns como “Shout At The Devil”, “Theatre of Pain”, e “Girls Girls Girls”. O primeiro grande sucesso deles veio de um cover de “Smoking’ In The Boys Room” em Theatre of Pain.

Enquanto os discos eram muito altos e traziam metal para farra sem maiores exigências, um VAN HALEN sem os licks, o Mötley Crüe provava-se brilhante em seu conceito como um todo. Eles afirmaram a imagem da banda sleaze, eles tinham um visual cool, caricato e enorme. E eles também tinham a sagacidade e a ingenuidade para seguirem em frente: Shout At The Devil tinha um pentagrama na capa, e uma faixa intitulada ‘God Save The Children of The Beast’ e nuances satânicas – o que sempre dá certo. Theatre of Pain era todo cheio de tecido de bolinha e batons. Girls Girls Girls foi um desabrochar genuíno: cabeção, tatuagens, bronzeamento, mulheres fabulosas e plásticas. O disco capturava a época, arrebentou nas casas de strip tease, no carro dos jovens e nos filmes descomprometidos. Entrou em alta rotação na rádio e na MTV. À medida que eles se preparavam para o álbum seguinte, o Mötley Crüe se turbinava para o cume do sucesso.

 

Sustentando tudo isso estava uma honestidade à qual as pessoas respondiam. Enquanto a música era comum, ela vinha de um estilo de vida genuíno. A banda realmente se vestia daquele jeito, agia daquele modo, vivia daquela maneira. Era pra valer, e inspirou e gerou uma geração de bandas. Isso foi o grande êxito deles.

Mas as drogas eram um problema sério, para Nikki Sixx em particular. Ao fim da turnê japonesa de 1987, Nikki deixou o resto da banda enquanto eles partiam para os EUA e parou em Hong Kong com Doc McGhee e o renomado produtor japonês Mr. Udo. Eles foram até uma cartomante, que disse que Nikki morreria antes do fim do ano se ele não repensasse seu estilo de vida.

Nikki viajou de volta para Los Angeles. Logo depois disso, ele foi até o Cathouse, o famoso bar na Sunset Strip administrado pelo apresentador da MTV RIKKI RACHTMAN e TAIME DOWNE, do FASTER PUSSYCAT. Ele levou a SLASH com ele em sua limusine. Sixx começou a perguntar por traficantes atrás de heroína e alguém apareceu no Franklin Plaza Hotel, onde a dupla tinha pego um quarto depois de sair do Cathouse. Slash desmaiou enquanto Sixx se injetava.

Ele não aguentou e foi encontrado pelo baterista do GUNS N’ ROSES, STEVEN ADLER, que havia chegado com a namorada de Slash. Adler, ele próprio um usuário, percebeu imediatamente que Sixx tinha tido uma overdose e o arrastou para o chuveiro. Adler estava com um gesso no braço depois de um acidente, e ele batia em Sixx com aquilo, tentando mantê-lo consciente à espera dos paramédicos. Eles chegaram um pouco depois, mas Sixx estava clinicamente morto. Ele foi removido, com um lençol lhe cobrindo o rosto. Ele permaneceu daquele jeito por alguns minutos, até que uma injeção de adrenalina o trouxe de volta o pulso.

Nikki lembraria-se depois do que ele descrevia como uma experiência de projeção para fora de seu corpo, olhando de cima para si mesmo na ambulância. Ele também começou a usar heroína de novo.

O Mötley Crüe seguiu em frente. Eles estavam em turnês constantes, levando o Guns N’ Roses com eles para a primeira grande turnê da banda de W. AXL ROSE. Mas eles tinham quase uma década de abuso nas costas, e estavam perdendo o controle lentamente. No Japão, houve histórias horrendas que quase levaram a banda a acabar. Daí veio a turnê de Girls Girls Girls sendo cancelada no Reino Unido. A turnê de GGG se encerrou, e a banda voltou ao tratamento contra seus vícios.

“Ou parávamos ou a banda acabava”, lembrou Vince Neil. “Era algo que eu tinha que fazer de modo a lançar outro álbum e voltar às turnês. Pega quatro caras e dê aquele tanto de álcool e drogas por 10 anos e veja o que acontece. Saiu totalmente do controle.”

 

 

Os planos para gravar um novo álbum estavam sendo feitos, o quinto deles, e fazê-lo fora de Los Angeles, longe da tentação, longe do fluxo contínuo de visitantes no estúdio. Um especialista em reabilitação do álcool e das drogas, BOB TIMMINS, havia limpado a banda. Eles fizeram a pré-produção em Los Angeles, mas as gravações ocorreriam em Vancouver, com o produtor BOB ROCK.

Vince Neil estava convencido de que trabalhar em Vancouver seria uma grande vantagem. “Vai ser muito melhor porque há muita distração em Los Angeles. Você não termina de fazer nada.”

“Não vai ser muito puxado”, ponderava Tommy Lee. “E não vamos cansar do material do disco tocando pra 80 pessoas que dão uma passada por lá. Não conhecemos ninguém na cidade. É perfeito.”

As notícias começaram a vazar sobre as faixas que a banda estava compondo. Eles fizeram demos pra mais de 20, incluindo o que se dizia, uma música chamada “Sex, Sex and Rock N’ Roll” [uma nova filosofia?] e outra chamada de “Say Yeah”, sobre o caso Matthew Trippe, além de “Stop Pulling My Chain”, “Brotherhood”, Too Hot To Handle” e “Rodeo”.

Enquanto o plano de ficarem totalmente escondidos em Vancouver não ter sido plenamente bem-sucedido [a banda tocou no palco com o SKID ROW, e o CHEAP TRICK, além de BRYAN ADAMS, passaram pelo estúdio e todos gravaram pequenas partes nas gravações também], eles certamente de dedicaram totalmente à música. Em uma rádio estadunidense, Vince Neil disse a Don Kaye: “Trabalhamos todo dia nas músicas e limamos as que não curtimos. Cada uma das que sobraram é ótima.”

Isso ficou evidente pelas músicas que ele mencionou. Poucas eram dos mesmos títulos que haviam vazado das sessões originais: “Don’t Go Away Mad”, “She Goes Down”, “Same Ol’ Situation”, “Rattlesnake Shake”, e duas baladas, “Without You” e “Time For Change”. A nova ética de trabalho da banda não prejudicou o caráter de sua música, ela ainda era alta e abrasiva, cheia de atitude e seu momento mais emblemático seria “Kickstart My Heart”, que Nikki Sixx havia composto sobre sua overdose e a subsequente e espetacular recuperação induzida por adrenalina. Sixx havia transformado um horrendo baixo e sua vida em um ponto alto e produtivo, uma miniatura fiel ao grande cenário.

 

Ted Nugent: “Sebastian Bach é um fraco”

Ted Nugent

O reaça maniqueísta estadunidense TED NUGENT escolheu agora o vocalista bahamense SEBASTIAN BACH, chamando ao ex-vocalista do SKID ROW de “fraco” por causa de seu problema com o alcoolismo.

Os dois chegaram a participar de um ‘reality show’ juntos em 2006, “Supergroup”, no qual Nugent e Bach, ao lado de SCOTT IAN, JASON BONHAM e EVAN SEINFELD dividiam uma mansão em Las Vegas, e por 12 dias foram filmados enquanto planejavam uma única apresentação ao vivo.

Em um episódio, Nugent foi forçado a levar Bach ‘pro canto’ e repreendê-lo por seu consumo excessivo de cana e o guitarrista falastrão diz que o vocalista não aprendeu nada – apesar de Bach insistir que parou de beber.

Nugent disse ao site Radio.com: “Sebastian Bach é um grande sujeito. Eu o amo e ele é incrivelmente talentoso e um cavalheiro em sua maior parte – mas ele é fraco. Ele não entende o conceito do corpo como um templo sagrado. Ele não entende responsabilidade e ele não entende como seus prazeres e venenos arruínam sua vida, suas relações, seu casamento e suas capacidades musicais.”

Eu te amo, mas quando você é o Sebastian Bach bêbado, você não é nem de perto o Sebastian Bach que você é quando está limpo e sóbrio.”

Nugent também revela que ele avisou vários músicos a respeito dos perigos do vício – mas diz que eles não deram ouvidos.

Ele segue: “Eu disse a JIMI HENDRIX que ele iria morrer. Eu disse a BON SCOTT que ele iria morrer. Eu disse a KEITH MOON que ele iria morrer. Eles todos acharam que eu era um idiota. Eles todos achavam que eu era um idiota.  Eles me chamaram de cuzão e de perdedor porque eu não bebia e vomitava e babava.”

Eu não levava pro lado profissional – eu sabia que as drogas haviam destruído seu senso de lógica e de decência. ‘Não, eu não quero nada disso, Bon e por que é que você está se matando, eu nunca vou entender isso. Se eu tivesse sua voz, eu mandaria no planeta’”.

Billy Idol: Ouça o novo single, “Can’t Break Me Down”

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Eis a mais recente colaboração entre o cantor bretão radicado nos EUA BILLY IDOL com seu guitarrista de mais de 30 anos, STEVE STEVENS [ATOMIC PLAYBOYS, MICHAEL JACKSON, JERUSALEM SLIM, VINCE NEIL], o single “Can’t Break Me Down“, do vindouro álbum, “Kings And Queens Of The Underground“.

 

 

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