Compact Disc: formato ainda evolui; Brasil ignora

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Muitos colecionadores estão tanto cansados quanto escaldados com upscaling contínuo de formatos de áudio que os fabricantes de hardware audiovisual estão dispostos a jogar pra cima de um público compreensivelmente desconfiado a cada par de anos. Logo depois determos nos livrado de nossas fitas analógicas de vídeo [que na verdade ofereciam qualidade de áudio superior sob as condições certas] para migrar para o Digital Versatile Disc [DVD], testemunhamos a guerra da High Definition [hi-def] entre o HD-DVD e o Blu-ray, com o último saindo vencedor depois de um milhão de nós termos comprado aparelhos de HD-DVD. Obrigado. Além disso, o DVD-Audio bateu de frente com o Super Audio CD [SACD] quando fora lançado em 1999, apesar de nenhum ter convencido o público europeu de compradores de discos a abdicar de seus CDs [ou vinis], apesar de, previsivelmente, no Japão – a terra dos formatos ascendentes, onde CDs folheados a ouro com qualidade superior são a regra – o SACD recebeu considerável aceitação, e discos em High Resolution Audio – ou Blu-ray Audio [BDA] foram lançados em Novembro de 2012, junto com a TV Ultra-HD4k [4000 pixels] e áudio 11.1 DTS, que chegou ao Reino Unido em Dezembro passado. No horizonte, a Dolby tem o áudio 13.1 HDS Surround na manga, e a TV Super Hi-Vision [ou Super HD] 8K [8000 pixels] está sendo desenvolvida pelo canal japonês NHK, com lançamento previsto para 2020, associado ao SHD Blu-ray e som Surround 22.2. Comenta-se que será o formato visual derradeiro, já que o olho e o ouvido humanos não conseguem absorver mais informação além desses parâmetros, apesar de nãose duvidar que implantes cerebrais demorem muito!

O atual campo de batalha pelos ienes joga o Super High Material [SHM], o Hi-Quality [HQCD] e o Blu-spec [BSCD] um contra o outro, sendo que todos podem ser tocados em um CD player comum, e teoricamente, oferecem experiências audiofônicas superiores. A razão pra isso é que todos os CD players são propensos a cometer erros na leitura de discos, devido a fatores como vibração e marcas no disco, então se tais determinantes puderem ser reduzidos ou eliminados, uma qualidade melhor de som resultaria. Após o lançamento do SACD, os califas da engenharia eletrônica japonesa se dedicaram à produção de CDs de alta definição, e em 2008, vieram, previsivelmente, com uma tríade de soluções. Afinal, quando foi que essa indústria do Hi-fi adotou um formato universal quando há três maneiras prontas de fazer você meter a mão no bolso para gastar seu suado dinheiro?

Com ecos da guerra entre os formatos de vídeo dos anos 80 – Betamax, VHS e Phillips 2000 [sem mencionar os Laser Discs], o CD de Alta Definição foi apresentado sob as formas SHMCD, HQCD e BSCD.

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A JVC/Victor [pioneira da masterização com resolução estendida – XRCD – em 1995] e a Universal Japan produziram discos SHM através da inovação de uma camada de 1.2 mm de resina plástica de policarbonato que for a desenhada para melhorar a transparência do lado dos dados no CD, e desse modo, prover uma leitura mais precisa dos ‘sulcos’ do CD, nos quais a informação digital é impressa e armazenada, o que por sua vez indica que há menos ‘jitter’ ou distorção sônica, resolução sônica mais ampla e melhor trilhagem e equilíbrio, com tudo isso levando a um som mais claro.

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A oferta da Denon/Nippon Columbia, o HQCD, fez uso do mesmo expediente, com um policarbonato de alta qualidade no lado de dados do CD, e uma liga de prata que havia sido usada nos HD-DVDs, oferecendo maior transparência na camada refletora do CD, permitindo assim que mais luz seja coletada pelo leitor, significando leitura mais precisa, e logo, som mais claro.

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Finalmente, o Blu-spec CD foi divulgado pela Sony Japan, com sua principal característica sendo o master do CD, que utiliza raios azuis de laser ao invés do raio vermelho padrão, tal como os usados para os discos Blu-ray. Eles criam sulcos mais definidos de dados, e portanto,também resultam em leitura e resolução sônica melhores.

Em setembro de 2012, a Sony Japan lançou Blu-Spec CDs com masterização ainda mais precisa, graças a um novo silicone e outras melhorias no material.

Mas como os SHMCDs, HQCDs e BSCDs se comparam um com o outro?

Sendo que nenhum desses formatos foi lançado oficialmente fora do Japão, a revista inglesa Record Collector decidiu consultar um homem que entende do assunto – Andrew Everard, editor consultor das publicações bretãs What Hi-Fi?, Sound & Vision [whathifi.com] e editor de áudio da Gramophone.

Ele adquiriu CDs samplers de demonstração em todos os três formatos, com “tudo desde Dylan até 10cc, de Bach a Wagner, e jazz clássico”. Comparados com suas cópias em CD comum das mesmas faixas, ele concluiu que “as versões com o novo spec tem ’um pouco mais de tudo’”. No geral, elas tem “um impacto maior que chama minha atenção”, música clássica de Wagner, e rock da Allman Brothers Band “batem mais forte, com mais detalhe em tudo desde as guitarras até a bateria, enquanto as vozes tem mais presença e corpo”. O mesmo se aplicou ao Kinks, e ao soul de James Brown, apesar de no departamento dos clássicos e do jazz a diferença ter sido menos discrepante do que nos outros gêneros. Ainda assim, quando os CDs hi-def são tocados em players de CD, DVD e BD, o efeito foi ‘acachapante’, e só houve um problema, que seria como classificar um contra o outro. As conclusões de Andrew?

Todos os três são ‘fortes’, apesar de nem um pouco impressionantes como o SACD, que é, sob condições otimizadas de audição, o auge da reprodução em áudio, sem concorrentes. Então, se você já investiu em SACDs estadunidenses ou japoneses, eles são provavelmente o caminho a se seguir. Michael Fremer, do site Analog Planet, afirma que “como fanático por vinil acima de qualquer coisa, minha experiência com discos japoneses de qualquer tipo é confusa, apesar de eu não ter experimentado nenhum SHMCD ou SACD ainda”, e sua opção digital preferida serem os CDs de ouro. Mas se você quiser testar as águas da alta definição e gastar mais com um ou mais dos formatos que chegam da terra do sol nascente, dai você pode se surpreender. Assim como deparar-se com o dilema recorrente de substituir sua coleção – mais uma vez.

3 pensamentos sobre “Compact Disc: formato ainda evolui; Brasil ignora

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