Aerosmith: banda tem outro vocal na coxia para cantar por Tyler?

Em entrevista concedida semana passada ao jornalista ALEC PLOWMAN, do site Ultimate Guitar, o decano jornalista bretão especializado em hard rock e heavy metal – e com um currículo tão vasto quanto a própria imprensa dedicada à música pesada no mundo – MICK WALL afirmou, ao criticar a postura das bandas antigas portarem-se como se ainda fossem de fato artisticamente relevantes, que o grupo estadunidense AEROSMITH tem feito uso de um truque devido à baixa capacidade vocal de STEVEN TYLER ocasionada por sua idade [67 anos].

steven-tyler

O que segue abaixo é o trecho onde Wall questiona seu interlocutor se ele tem conhecimento disso, o que Plowman admite que sim.

[…]

Então eu acho que o rock está morto. Eu acho que estamos na era da ‘última chance para assistir ao vivo’. Estão todos morrendo como moscas. Chris Squire foi o último, Malcolm Young está demente. Muitos astros do rock têm caras cantando por eles nos bastidores. Você sabe algo sobre isso? [nota: no original em inglês, Wall pergunta a Alec, ‘So many rock stars as well have guys singing in the wings. Do you know about this stuff?’. Fazer algo ‘in the wings’ é uma expressão idiomática típica do meio artístico e que implica que há alguém desempenhando a mesma tarefa que um artista de palco, só que na coxia, caso o intérprete em cena se atrapalhe ou não consiga desempenhar a função por algum motivo. A elaboração da expressão, que literalmente significa ‘nas asas’, faz alusão a espetáculos onde houvessem personagens que voassem e fossem alados, precisando, portanto, de alguém nas sombras dos bastidores para controlar os cabos de suspensão e o bater das asas]

 Sim.

O Aerosmith tem um cara cantando na coxia. Steven Tyler, Jeová o abençoe, tem quase 70 anos e não consegue atingir uma nota alta de jeito nenhum. Mas é a mesma coisa com todos eles – o velho David Coverdale foi pego com as calças na mão alguns anos atrás porque estava fazendo uso de ‘tecnologia’. Euuurgh!

 […]

Entrevista completa: O Necrológio do Rock: bandas velhas fingindo serem novas e vice versa

 

O Necrológio do Rock: bandas velhas fingindo serem novas e vice versa

Se você for um fã do GUNS N’ ROSES [o original, não aquilo pós 1993] nascido nos anos 70, com certeza você estava entre os primeiros que ouviram à diatribe de W. AXL ROSE contra a imprensa musical em ‘Get In The Ring’, do segundo volume de ‘Use Your Illusion’.

Ainda assim, como a absoluta maioria dos seguidores da banda, você com certeza pouco sabe sobre os nomes citados naquela faixa – mas deveria, porque sem um dos alvos, MICK WALL, muitas de suas bandas favoritas provavelmente não estariam onde estão hoje. Principal redator da Kerrang! Nos anos 80, Wall defendeu o tipo de música que as outras revistas inglesas ignoravam ou tinham como abjetos, e foram seus textos que ajudaram a cimentar a reputação de bandas como o METALLICA, GUNS N’ ROSES e FAITH NO MORE quando estas quiseram conquistar o mercado europeu.

Tendo passado a última década escrevendo uma série de biografias sobre alguns dos maiores nomes do rock, seu último livro, ‘Getcha Rocks Off’, é uma memória de sua jornada escrevendo para aquela que se denominava ‘a revista de rock mais alta do mundo’. Hilário, sincero e trágico na mesma medida, ‘Getcha Rocks Off’ oferece uma perspectiva fascinante da vida nos bastidores com OZZY, LEMMY, AXL e LARS ULRICH, apimentado pelos comentários de Wall sobre o circo que é o rock.

O jornalista ALEC PLOWMAN do site Ultimate Guitar teve o privilégio de conversar com Mick para falar a respeito da abordagem única de Ozzy Osbourne para fazer o jantar de sábado, o problema dos rockers modernos em comparação a seus antecessores, e o porquê de ROBERT PLANT estar certo ao esnobar uma reunião do Led Zeppelin.

UG: “Getcha Rocks Off” acabou de sair. É interessante que você esteja escrevendo suas memórias depois de uma série de livros sobre outras pessoas. Por que agora?

MW: Nada em particular. Eu escrevi um antes, claro, chamado ‘Paranoid’, e que saiu originalmente em 1999. Sempre foi a minha intenção depois de eu tê-lo escrito fazer mais algo naquela linha. Eu mal fiz dinheiro com ‘Paranoid’ e ganharia muito pouco por fazer mais livros daqueles a princípio, enquanto, ao escrever biografias de músicos de renome como o LED ZEPPELIN, haveria dinheiro de respeito envolvido, desde que eu fizesse um trabalho apropriado e os livros vendessem bem. E foi o que fizemos. Houve alguns livros antes do sobre o Led Zeppelin, foi o que aconteceu. Eu fui atrás do dinheiro. Eu tenho que fazer isso, porque eu sou um pai com filhos pequenos e se meus livros não venderem bem, eu não faço dinheiro algum. E foi isso, eu fiz as biografias sempre com a ideia de que eu voltaria a fazer algo que seguiria “Paranoid”.

E daí “Paranoid” saiu em ebook ano passado e foi muito, muito bem. Ainda está vendendo muito, muito bem agora, mais de um ano depois, o que é muito raro, e meu editor disse, ‘hey, podemos fazer algo nessa área? ’ e eu fiquei ‘Finalmente! ’. E foi o que fiz, eu escrevi tudo em cerca de três semanas. Algumas coisas meio que reelaboradas em cima de ‘Paranoid’… ‘Paranoid’ é um trabalho muito denso pra mim, eu tinha total autoridade sobre ele, eu fui até essa editora pequena contando a total mentira que eu escreveria um livro sobre o Black Sabbath e daí apenas escrevi um livro que eu há muito queria fazer. Dessa vez, ficavam me dizendo, ‘queremos material de astros do rock’, ‘queremos sexo e drogas’, então eu meio que fui de acordo com as regras deles. Mas, dentro disso, tentando mostrar quem eu sou e fazer com que isso funcione em outros níveis também. Não é tanto que eu achasse que fosse ‘a hora perfeita’. É que era a única hora. Agora é o único momento em 16 anos desde que ‘Paranoid’ saiu que alguém quis de fato a esse livro.

Algo que eu achei interessante quando o li é que parecia um anexo de “Appetite For Destruction” [o livro que compila os melhores textos de Mick para as revistas Kerrang! e Raw]. Parece preencher as lacunas, como se fosse os bastidores da coisa. Me pareceu o complemento ideal…

Para ser honesto, “Appetite” é velho. “Appetite” saiu cinco anos atrás. Mas eu entendo, ao que você diz. As introduções, e os adendos, tudo era mais importante para mim do que aquelas antigas matérias da ‘Kerrang! ’ que eu incluí em “Appetite”. Havia muito mais histórias para contar, o lance é esse. Quero dizer, “Getcha Rocks Off’ foi… porque o tipo de contrato que me prende com a Orion é bem sofisticado. Há muito dinheiro e eles vendem esses livros para o mundo todo e assim eles esperam que você venha com algo que seja tão comercial quanto possível, ao mesmo tempo que esperam manter alguma integridade… tem que ser bom, entende?

Mas no futuro, eu realmente espero que isso leve a uma oportunidade para fazer livros nos quais não haja tantos astros do rock, coloquemos assim. Eu tenho um romance no qual tenho trabalhado faz um bom tempo. Eu nunca tive tempo de terminá-lo porque não há dinheiro envolvido e eu sempre estou trabalhando. Eu também tenho um livro de memórias de infância que eu gostaria de fazer em seguida para o qual tenho uma ideia muito boa, mas claro que não haverá astros do rock nele, ou nenhum que eu conheça, por assim dizer. Eu apenas espero que ‘Getcha Rocks Off’ se saia bem, e daí eu possa convencer a editora a me colocar para fazer mais coisas do tipo. Porque, no momento, meus livros saem para o mercado de natal – eles são lançados espalhafatosamente sobre bandas grandes e eles são feitos para esse mercado, esse tipo de mercado de alto padrão. É isso que todos os autores desejam, então é fantástico, mas eu de fato gosto mais desses livros mais alternativos. Há muito que se pode fazer com eles. Alguém me disse um dia desses que achou ‘Getcha rocks Off’ o livro mais triste que já havia lido em muito tempo, e eu perguntei, ‘como assim, triste no sentido de patético? ’ e ele respondeu, ‘Não, apenas muito triste. Me deixou muito, muito triste’. Eu pensei, ‘ah, ok. ’ Então você acaba voltando a ler o texto e pensando, ‘Ah sim, eu posso entender o que eles querem dizer. Sim eu acho que é melancólico sob muitos aspectos. ’

Eu concordo totalmente com o que você está dizendo. Houve trechos em que eu rolei no chão de tanto rir. O pedaço onde você comenta de Ozzy Osbourne mandando um canecão de vinho e cozinhando o almoço de domingo.

De avental…

Sim, é tão surreal quanto parece. Mesmo assim, há a tragédia de Ozzy beber um canecão de vinho para cozinhar o jantar. E especialmente o lance, primeiro com as suas próprias batalhas coma heroína e daí o lance com Phil Lynott e Steve Clark, eu achei muito afetuoso.

Obrigado. Não era para ser particularmente melancólico. Eu estava apenas tentando nos lembrar a todos que não é somente ‘hey, vamos cair na farra, olha que demais! ’. Eu venho de uma tradição de jornalismo musical que há muito, muito tempo se foi – é tão do século passado que virou anciã, aquela onde os autores do fim dos anos 60 e do começo dos 70 tentavam contar a verdade e lhe dar relatos precisos, verdadeiros e honestos das pessoas com as quais eles se encontravam e as cenas que eles haviam presenciado e o conseguiam porque as revistas de música eram o que vendia discos e então, o acesso que você tinha era simplesmente incrível, e ainda estávamos naquela ponta do arco-íris. Agora estamos no outro lado do arco-íris onde as revistas musicais não têm mais relevância, não com todas as redes sociais e canais de TV e o YouTube em particular. Eu tenho três filhos e eles todos são apaixonados e loucos por música, e todos eles a acessam em seus telefones.

O que eu tentei fazer com esse livro… ninguém mais quer esse tipo de história minha nas revistas. Eu acabei de fazer uma matéria de capa para a Classic Rock sobre BON SCOTT, e sim, há alguns momentos emocionantes, chame assim se quiser, mas eles estão fudidos se me deixarem escrever sobre a baita dupla de idiotas que são os Young. Ou sobre como Bon, na verdade, morreu de uma porra de overdose de heroína dada por sua namorada drogada. Eles dizem ‘não, não, não’ porque no futuro, querem que BRIAN JOHNSON apareça no Classic Rock Awards. Você entende como é? Não é que eu tenha tido essa conversa com a Classic Rock e não estou falando dela de modo algum. A MOJO é muito pior, para quem eu também escrevi no passado. Eles simplesmente determinam a manchete, a diretriz da história. Eles sabem exatamente o que querem que você escreva e eles lhe dizem o que é e que sua função é escrever de um modo tão castiço que as pessoas achem que é aquilo que você sente. Os leitores não sabem que te deram uma ordem bem direta para elaborar aquela matéria que eles tinham em mente, entende?

Então o livro é uma oportunidade para mim, quando se trata de Phil Lynott ou Lemmy ou Jimmy Page ou Slash, seja lá quem for, para eu contar como é que eu me sinto de fato a respeito, como eu me senti de fato na época e o que me desconcertou naquele momento e o que me intriga até agora – as coisas pelas quais me sinto culpado, as coisas pelas quais me arrependo. Eu não sei de nenhuma revista no mundo – revista de música – onde as pessoas possam escrever desse modo, não mais. O mundo estava abarrotado de revistas assim na minha juventude. Então eu espero que o livro esteja afetando às pessoas, e eu espero que ele faça as pessoas se sentirem desconfortáveis e arrependidas, ao mesmo tempo que elas riam, porque isso é uma porra de um circo. Para mim, é o gênero mais bizarro, baseado em personagens e boatos da música. O pop é exatamente o que está escrito na embalagem – é como um sorvete. O rock é como uma garrafa de whisky e uma grama de heroína comparado ao pop. E eu acho que também se comparado ao hip hop. Há coisas excelentes nesses outros gêneros, mas nunca haverá nada como o que você encontra no rock. Nunca houve um Ozzy, um Jimmy Page, um Jimi Hendrix. Nunca houve sequer um Ronnie James Dio ou David Lee Roth. Eles simplesmente não têm esse tipo de pessoas que acham que têm que escrever sobre o universo e que são imensamente populares em todo o mundo por décadas e décadas e décadas.

Pegando daí, eu achei que foi bem interessante que você tenha encerrado o livro em 1992, com a frase ‘o rock estava morto. Pelo menos o meu tipo de rock’. Eu me perguntei onde você acha que o gênero está hoje em dia?

Morto. Morto. Morto. Está morto e enterrado faz muitos, muitos anos. Engraçado, eu acabei de abrir o novo exemplar da Classic Rock. Ele fala do futuro e de bandas novas. Eu não reconheci nenhum filho de uma puta. A capa vira um pôster triplo. É lindamente elaborada – eles são muito, muito talentosos os jovens que trabalham lá agora. Mas eu não reconheci nenhum filho da puta naquela capa. Não que eu tenha que, mas eu achei que isso disse algo sobre mim, sobre, claro, eu ser mais velho, mas também disse algo o fato de eu ter reconhecido apenas um nome ali, o do RIVAL SONS. Eu já vi ao Rival sons ao vivo e achei que eles mandaram muito bem, mas no fim das contas, o que é que eles são? Led Zeppelin da décima geração? Nunca serão tão bons quanto… nunca serão tão bons quanto o Guns N’ Roses, que nunca será tão bom quanto o Led Zeppelin…

Eu estava assistindo a T In The Park dia desses na TV porque minha filha estava assistindo a Sam Smith, a quem ela adora, e a quem acho fantástico. E daí apareceu o KASABIAN, e eu já pensei, ‘lá vem, eis uma banda de rock contemporânea, moderna, antenada do século 21’. A matéria falava sobre eles serem indicados para 9 prêmios na cerimônia da NME e eu pensei, ‘o que é que isso tem de relevante hoje em dia? ’ Daí eles começam a tocar, e foi tipo ‘Jesus Cristo! ’ essa porra faz com que o Coldplay pareça o THE WHO. Era lixo total. E aquele merda de vocalista! Sem voz, sem carisma e o cara é tão metido, entende o que quero dizer? Bom guitarrista, mas no fim, não desce bem nem como o INXS. Eu não sei. Eu pensei, se isso for o estado do rock hoje em dia, cara, então o rock é muito chato e entediante. E retrô! É tão fudidamente retrô O que é que tem alguém por aí fazendo com o rock que seja novo, do mesmo modo que nos anos 80, quando o Metallica veio, e você disse, ‘eu não acho que tenha ouvido nada como isso antes. Isso com certeza é território novo’. Ou mesmo o Van Halen, quando chegou, quando você dizia, ‘que porra é essa que ele está fazendo? ’, me entende?

Para mim, os últimos inovadores foram os Red Hot Chili Peppers e o Faith No More. Tá, o Foo Fighters é provavelmente a maior banda de rock do mundo no momento – eu acabo de escrever um livro sobre eles, então eu sei demais sobre eles – e eles fizeram algumas canções arrebatadoras e muito boas. Eles com certeza têm uma vibe e uma identidade – eu entendo o porquê de eles serem populares. Mas ainda assim… eu já ouvi tudo aquilo antes? Claro que sim, uma porra de milhão de vezes! Então eu não sei… pra mim, me perguntam isso o tempo todo e eu sempre tento dizer algo positivo. Mas eu desisti recentemente…. Me diga você, Alex, eu presumo que você seja muito mais jovem do que eu. Quem você diria que é o novo Led Zeppelin?

Eu não sei se ele está no rock. O que me impressiona é que não é tanta gente assim que resolve aprender guitarra hoje em dia. E as pessoas que o fazem, estão repetindo ao Led Zeppelin.

Exatamente! Há muita coisa boa rolando, mas com certeza não é no rock. Eu aborreço muitos de meus assim chamados leitores frequentemente – eu não of aço deliberadamente, mas eu o faço para dizer ‘acorda, caralho! ’ Quero dizer, as pessoas ainda se referem a Glenn Hughes como o grande vocalista. Eu conheço Glenn, eu gosto dele, e o conheço ele faz muitos, muitos anos. Mas essas pessoas já ouviram a Sam Smith cantando? Já ouviram a Ed Sheeran? Se Eric Clapton tivesse escrito a qualquer uma daquelas músicas, ou David Coverdale, ou se o último álbum de Slash tivesse uma porra de música tão boa como aquilo, todos nós estaríamos dizendo que eles são gênios e mestres. Mas, ao invés disso, eles dizem, ’ah, isso é música de mulher’, ‘isso é coisa pra rádio baba’, ‘isso nem conta’. Descem o pau em mim quando eu digo algo como ‘Sam Smith não tem uma voz excelente? Não é ótimo que tenhamos artistas como Sam Smith e Adele? Eles não são originais, mas pelo menos são novos e com vigor. Por que é que nenhum astro do rock consegue mais escrever músicas como aquelas?

Agora, eu sou muito amigo dos caras do Def Leppard – muito bons amigos – e temos todos a mesma idade. Eles são uma grande banda para se ir ver tocar ao vivo ainda, mas da última vez que eles fizeram um disco com que você pudesse defender foi com ‘Hysteria’. Eles fizeram uns discos legais desde então, mas nada que tenha relevância, nada que vá ser o número um. Tendo dito isso, quem é que se importa com o que é número um? Você viu que cerca de um ano atrás teve um certo barulho pelo fato do álbum do JUDAS PRIEST ter entrado direto no sétimo posto da parada dos EUA? Eu olhei praquilo e analisei a coisa. Eu percebi que eles haviam vendido um terço do montante que haviam vendido no mesmo período quando ‘Turbo’ fora lançado, que chegou apenas a #30 ou algo assim. O Black Sabbath foi direto para a primeira posição com #13 – eles ainda nem chegaram a disco de ouro por aquele álbum nos EUA, ou aqui, ou em qualquer lugar que tenha importância. Eles ganharam discos de ouro na Finlândia, onde se você vender três cópias e meia, já recebe um disco de ouro. É uma palhaçada. Qualquer disco que qualquer um desses caras lançar agora – basta olhar no Wikipedia – é número um em todos os países do mundo e o total de vendas é algo em torno de 50 mil cópias no mundo todo, ninguém se importa com nada a não ser com vê-los ao vivo. Se você fosse ver o Black Sabbath amanhã e eles tocassem o disco novo inteiro e nenhum dos clássicos, cara, você ficaria embocetado. Mas se eles tocarem uma ou duas faixas do novo disco apenas para deixar todo mundo com a sensação de que aquilo tem alguma relevância e daí tocassem ‘Paranoid’ e ‘War Pigs’ e ‘Children Of The Grave’, daí sim, você tinha visto um show do Black Sabbath.

Então eu acho que o rock está morto. Eu acho que estamos na era da ‘última chance para assistir ao vivo’. Estão todos morrendo como moscas. Chris Squire foi o último, Malcolm Young está demente. Muitos astros do rock têm caras cantando por eles nos bastidores. Você sabe algo sobre isso?

Sim.

O Aerosmith tem um cara cantando na coxia. Steven Tyler, Jeová o abençoe, tem quase 70 anos e não consegue atingir uma nota alta de jeito nenhum. Mas é a mesma coisa com todos eles – o velho David Coverdale foi pego com as calças na mão alguns anos atrás porque estava fazendo uso de ‘tecnologia’. Euuurgh!

Então, para mim, o rock ESTÁ SIM morto. Não quer dizer que não haja inovação na música e que não haja música bonita sendo feita. Eu acho que a música está sobrevivendo. Mas no rock… ouçam, as pessoas falam do Kiss agora como se eles fossem algo especial apenas porque eles ainda estão na ativa. Eu nunca tive um disco do Kiss na minha vida, e os discos que ouvi não serviriam para que eu limpasse meu rabo, porque eu cresci com excelentes bandas e o Kiss não foi uma delas.

 

Você me dizendo isso me lembra de uma cena de “Quase Famosos” quando Lester Bangs [notório crítico de rock dos anos setenta, interpretado no filme pelo finado Phillip Seymour Hoffman] diz ao personagem principal que ‘o rock está morrendo. Você só está aqui para ouvir ao último suspiro. ’ E isso foi em 1973.

Eu acho que há muito a se discutir pelo que Lester Bangs tinha a dizer sobre esse assunto. Claramente, teve muita coisa depois. Você entra no punk rock e de repente você tem um gênero incrível. Você tem toda a atmosfera do kraut, você tem o rap rock, você tem o rap metal – você tem o Red Hot Chili Peppers e o Faith No More combinando rock e metal com funk e rap – aquilo era empolgante. Mas eu acho que o que Lester estava dizendo, ou o que o personagem naquele filme estava dizendo, era que, se você parar pra pensar, houve um período de tempo muito curto onde cada álbum novo de todos os grandes artistas era considerado um grande passo adiante e isso não era mais do que a obrigação dele. Quando você chega ao fim dos anos setenta, a era do álbum – tão logo chega o CD – isso morreu. Não há mais lado A e lado B. Não tem mais capa com gatefold, letras, arte gráfica fantástica.

O LP era meio que um livro, um diário, viagem ou jornada: como uma peça única que você considerava um trabalho por si próprio. Os dias de Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes e todas aquelas pessoas, mesmo Elton John e Rod Stewart, David Bowie, Roxy Music – todo mundo estava fazendo álbuns pela arte de fazer álbuns. Quando você chega aos anos oitenta, aperfeiçoamos a fórmula, os mapas haviam sido traçados, as regras haviam sido escritas. Aqueles mapas não existiam entre 1955 – 1975 e só ficaram interessantes depois de 1965. Coloca aí de 65 a 75. Se eu dissesse de 2005 a 2015, isso te mostra o quão curto é o período de tempo que estamos falando. Foi ali que tudo que é bom foi feito. Musicalmente, aqueles foram os primeiros homens e mulheres a explorar outros mundos. Depois disso, você ou tem uma perversão das regras, ou você tem uma extrapolação delas, informação adicional; você tem novos meios de fazer a mesma coisa antiga. Quanto daquilo já não foi dito ou considerado antes começa a diminuir e diminuir e diminuir.

Você já assistiu a alguma dessas reprises do [programa musical inglês] Top Of The Pops dos anos oitenta que andam passando? Você viu o jeito que eles dançam? Aquilo me dava nojo! Mesmo nos anos oitenta! Porque eles parecem estar com agulhas no rabo ou algo assim. Eles são todos duros e introvertidos porque deus me livre de alguém fazer algum movimento daqueles de ‘libera geral’ do começo dos anos setenta. Eles se mexem com um tipo de ‘ah pelo amor de deus não ache que eu sou um hippie ou ninguém que curta esse tipo de rock! ’ – são os mesmos idiotas fazendo a mesma coisa, mas agora com menos alegria e liberdade. Daí você chega aos anos noventa, e porra, agora sim. É um clichê, mas eu acho que o Nirvana… eu acho que se o Pearl Jam tivesse surgido em 1973, eles teriam sido monstruosos, eu acho que se eles tivessem surgido em 1983, eles teriam sido monstruosos. Se você gostasse de Free ou de Bad Company ou de Led Zeppelin, então o Pearl Jam lhe serviria perfeitamente. Mesma coisa com o Soundgarden em muitos aspectos. Eu acho que o Nirvana com certeza tinha algo a mais rolando, e isso, para mim, por mais clichê que possa ser, foi o último suspiro do rock como forma de arte em cima de algo que não havia sido feito antes. É o contrário de agora, onde, juro por deus, me dá o nome de uma banda de rock, uma única banda, deve haver uma certamente, que esteja fazendo algo novo. Ou você se depara com as, ‘ah, entendi, uma coisa tipo Sabbath’ ou ‘ah ok, eles estão indo nessa de Guns N’ Roses’. É tudo farinha do mesmo saco.

É engraçado ver você dizendo isso, muitas das bandas que eu gosto no momento estão todas indo atrás de algo anos 70. Há uma banda que gosto chamada Graveyard e o último CD deles era uma réplica em miniatura de um LP que vinha em uma capa gatefold.

[Mick cai na risada]

E eu também vejo muitas bandas hoje em dia que se vestem como se estivessem em 1973.

Então, isso foi há uns 40 anos, certo? Imagine de em 1973 a última banda do momento estivesse se vestindo como alguém de 1933?

[Alec ri]

E tentando soar como alguém de 1933? E você está falando com um cara que tem 57 anos, minha idade agora, e dizendo ‘o que você acha disso? ’ é tudo tão antigo e fora de moda e defasado e de ontem! Será que não tem como eles fazerem algo de novo? Eu acho que esse o problema com o rock. A era de ouro já foi.

Minha carreira como jornalista decolou nos anos 80, e eu ficava tão amolado por não ter começado dez anos antes porque daí eu leria os artigos escritos no começo dos anos 70 na Rolling Stone, Creem, NME, Melody Maker ou qual delas fosse – as coisas realmente boas – e aquilo me deixava boquiaberto. Eles tinham total acesso a Mick Jagger, Jimmy Page, Hendrix, Dylan, quem quer que fosse – eles tinham todo esse mundo. E lá estava eu, dez anos depois, escrevendo sobre o Iron fucking Maiden. Eu costumava pensar ‘uurgh’ – nem sexo e drogas tem mais na coisa – bem, temos sim, mas não podemos mais escrever sobre isso. Você pode imaginar como é ter estado na estrada com Janis Joplin e que tipo de matéria você escreveria? E cá estou eu com a merda do Bon Jovi, e eu tenho que falar sobre como o cu de burro só bebe água mineral, malha três vezes por semana e ‘é totalmente fiel à sua namorada de infância’ – e nada disso era verdade, – mas você se fode se escrever que não. Mesmo trinta anos atrás, eu me sentia completamente no prejuízo em relação à minha experiência como cronista de rock porque você podia escrever sobre as coisas até certo ponto, mas o mofo já tinha se instaurado e estávamos posando de outra coisa e fazendo tudo de um modo que achávamos que deveria ser feito.

É engraçado ouvir você saudoso dos anos setenta. De vez em quando eu me pego, como jornalista hoje em dia, querendo viver a era que você viveu…

Para ser honesto, eu acho que foi um tempo muito duvidoso musicalmente, os anos 80. O que era favorável era o fato de que a indústria musical nunca tinha sido tão rica. Esse era o enigma. Porque mesmo nos anos 70, fosse você o Led Zeppelin ou o Deep Purple ou quem quer que você fosse, você era resenhado na NME ou na Melody Maker ou na Sounds ou publicações do tipo. Falavam de você na imprensa musical mainstream. Mas, já em 1980, se você fosse o AC/DC ou o Thin Lizzy – o Thin Lizzy fugia disso um pouco – Iron Maiden, Def Leppard, Saxon, nunca escreveriam sobre você naquelas revistas, a menos que elas quisessem dizer que você era um monte de bosta. Daí, do nada, temos uma revista colorida chamada Kerrang! em uma época onde não há MTV no Reino Unido, não há YouTube, não há meio pelo qual um fã de rock que compre disco e compre ingressos possa se divertir com tudo isso a menos que seja comprando a Kerrang! e muito de vez em quando com um artigo na Sounds, logo quando os CDs tornaram as gravadoras podres de ricas.

Então, se houvesse um show na cidade, haveria uma lista de convidados e lá estaria a lista de convidados da Kerrang! E naquela lista da Kerrang! poderia haver uns 20 nomes diferentes. Era todo mundo do escritório além de uns amigos que estivessem beirando o lance, ou as namoradas e mulheres ou membros de outras bandas. A lista de convidados não tinha ninguém da NME, ninguém da Melody Maker, um sujeito da Sounds, possivelmente uma moça da Record Mirror e uma caçambada de gente do jornal local e só. Então quando nós dizíamos ‘podemos colocar 20 pessoas na lista de convidados? ’, eles respondiam ‘Sim! Por favor, venham ou não haverá ninguém da imprensa! ’ ‘Eles vão tocar em Sheffield daqui a três dias’. ‘Sim, mas eles estão em Nova Iorque esse fim de semana e queremos ir a Nova Iorque’ ‘Tudo bem! Pode ser.’ Eles diziam ‘Eles vão tocar em Dortmund semana que vem’. ‘Eu não quero ir praquela porra de Dortmund’ ‘Tô vendo aqui que eles vão tocar em paris por três noites seguidas, vamos lá’ ‘Tudo bem, vamos lá’.

Você sentava ali e ficava muito bêbado, muito chapado, metendo anfetamina pra dentro, rolava isso. Eu não gostava de metanfetaminas naquele tempo. Muitos dos outros gostavam – e você dizia o que queria e eles faziam. Sob essa perspectiva, eu posso entender o porquê de as pessoas sentirem falta disso. Nós sentimos falta disso porque isso não acontece mais! Mas é só isso. Em termos de música, eu não sei. Eu não acho que tenha havido muita música brilhante nos anos 80 se compararmos com os anos 60 e 70, ou mesmo nos 90 – quando você chega no Prodigy ou no Metallica tentando derrubar algumas fronteiras, todo o lance do grunge… para mim teve o lance do dance também. Aquilo foi um tipo novo de energia. Quero dizer, aquilo começou nos anos 80. Mas havia uma nova vitalidade, uma nova inocência, onde as pessoas não sentiam que conheciam as regras. Elas realmente se sentiam tipo ‘wow, isso está acontecendo à minha frente pela primeira vez’.

Algo que salta no livro é que você era bem próximo de muitos músicos, e ficou amigo de muitas das bandas. Isso alguma vez interferiu com seus textos sobre eles?

Se ser amigo delas alguma vez afetou o modo que escrevíamos sobre eles? Claro. 100 por cento. Se não gostássemos deles, isso afetava também. Era a nossa gangue, e se não gostássemos de você, você que se fodesse. Se gostássemos de você, cara você tinha muita sorte! Era essa a regra. Digo, não sentávamos lá e dizíamos isso uns para os outros desse jeito. Mas o livro fala sobre quando minha mãe morreu, o Iron Maiden mandou uma coroa de flores. Você acha que eu vou dizer que eles fizeram o mesmo disco quatro vezes seguidas na Kerrang! da semana que vem? Não rola. Mas isso não era só dos anos 80. Para ser honesto com você, a vida é assim. A vida gira em torno de relacionamentos. Tudo se trata de relacionamentos. O que a Kerrang! tinha com todas as grandes bandas era um relacionamento. Aquilo era extremamente generoso. Nós colocávamos na capa bandas das quais ninguém nunca tinha ouvido falar antes e ninguém ouviria falar mais apenas um mês depois. Colocamos o Crimson Glory na capa, colocamos o Chainsaw Massacre na capa… era esse o nome deles? Eu esqueço o nome deles… colocávamos o Dumpy’s Rusty Nuts na revista de vez em quando. Colocamos o Rogue Male na capa. Então, você conhece alguma dessas bandas?

Não.

Não conhece, né? Bem, do mesmo jeito que tínhamos completos desconhecidos como o Metallica e o Bon Jovi. Quando o Bon Jovi tocou na Inglaterra pela primeira vez, foi abrindo para o Kiss em 1984, e o Kiss, sendo os seres humanos calorosos e generosos que eles são, trataram a banda feito merda. Houve uma grande festa promovida pelo Kiss depois da última noite em Wembley, e apesar de o Bon Jovi ser a banda de abertura, eles não foram convidados para a festa. Então levamos Jon conosco – ele era o meu convidado. Ele simplesmente nunca esqueceu daquilo. Ele era um garoto e dissemos, ‘apenas vá com a gente! Como é seu nome mesmo? Jon? Sim, você vem com a gente, vai dar tudo certo. Fodam-se esses caras, você vem com a gente’. E agimos do mesmo jeito quando o segundo álbum deles fracassou. Demos total apoio a eles. A primeira vez que o Guns N’ Roses veio a Londres, eles todos foram ao escritório da Kerrang! Mesma coisa quando o Faith No More tocou em Londres pela primeira vez, eu ainda tinha o meu programa ‘Monsters of Rock’ e tínhamos saído para beber com eles e no dia seguinte, Jim Martin, o grande e gordo Jim, estava com uma ressaca tão braba que ele não conseguiria ir ao programa de TV. Daí eu liguei para o Krusher, que era o designer da Kerrang! porque ele se parecia com Jim. Eu disse, ‘vem ´pra cá e seja Jim no programa’ E eu disse para a banda ‘nem se preocupem, lembram-se do Krusher, da noite passada? Ele poderia ser irmão gêmeo de Jim, vamos colocar ele no sofá! ’ E eles disseram, ‘Sim! OK! ’ e foi o que fizemos.

Tínhamos relacionamentos com o Anthrax, Slayer, Testament, Exodus. Havia uma banda chamada Intrinsic, estadunidense, muito Iron Maiden, tocavam um pouco mais rápido, eles prensaram 100 cópias de um disco, nos mandaram, e nós simplesmente amamos! Eu resenhei o disco e dei cinco estrelas porque eu estava bêbado pra cacete e ele tinha sido o meu favorito naquele dia. E daí eu peguei o disco, que nem tinha capa, ele só vinha em um envelope branco em um saco, e escrevi à caneta ‘contratem essa porra de banda, seus viados’, coloquei em um pacote, mandei para a Music For Nations e eles os contrataram na semana seguinte.

Wow.

Então não tinha essa de depois dizer ‘ah! Eu realmente acho que aquele terceiro álbum do Intrinsic não é tão bom’. Você diz ‘Sim! Intrinsic é do caralho! Putas caras legais! ’ Entende? E tem o King’s X. Eu escrevi os primeiros textos sobre o King’s X baseado em discos da Megaforce, que me levou até Nova Iorque, me levou para um clube de strip, me embebedou demais – eu estava lá para entrevistar a Ace Frehley – como um lance paralelo e eles disseram, ‘temos essa outra banda do Texas’. Daí eles tocaram ‘Visions’ para mim – eu não sei se você conhece o primeiro álbum deles – é uma coisa bem Hendrixiana. E daí tocaram uma faixa chamada ‘Goldilocks’, que eu achei muito boa e eu disse, ‘Foda-se. Me mandem para Houston de avião e eu coloco eles na capa’. E assim eles o fizeram, porque voos domésticos nos EUA são relativamente baratos. Para comprar uma única página de publicidade na Kerrang! naquela época custaria umas mil libras, então dizer ‘Vou colocar eles na capa e escrever uma matéria de quatro ou cinco páginas dentro’ – não tem como comprar esse tipo de coisa, naquele tempo, o jogo era esse. Então tínhamos um relacionamento.

Claro que podia ficar complicado. Com o King’s X, por exemplo, eu fui entrevista-los a respeito de seu terceiro álbum e senti mesmo que eles tinham perdido o rumo. Eu achava que o empresário deles era um mané e que ele os estava levando na direção errada. Eles poderiam ter sido o Pearl Jam cinco anos antes do Pearl jam. Mas eles eram apenas os Sres. Amigões e o empresário deles era um fanático cristão, e isso fodeu com eles.  Eu estava desesperado para enfiar isso na matéria, mas não o fiz. Ao invés disso, acabou saindo algo tipo ‘eu não curto muito o novo disco, não é tão bom quanto o primeiro’.

Com o Iron Maiden, chegou um tempo em que a proximidade gerou desconsideração. Chegou um momento em que eu nem escrevia mais sobre eles – foi durante toda a era de Janick Gers onde Bruce foi um completo de um cuzão. Eu não podia esconder todas aquelas cagadas. Eu já tinha feito isso por muitos anos. Eu estava de estômago revirado com a coisa toda. Nesse período, eu estava sufocando em minha arrogância. Foi aí que eu tretei com muita gente porque eu não conseguia mais jogar aquele jogo. Mas foi hilário enquanto durou.

Você achou algumas dessas tretas difíceis? Pelo que entendi do livro, Jimmy Page, que parecia ser um herói musical seu, não ficou muito feliz depois que você escreveu a biografia do Led Zeppelin.

Não mesmo, ele odiou. Mas só porque ela dizia a verdade. A verdade é como Kryptonita para esses caras. Se os astros do rock são super-heróis, a verdade é kryptonita. Eles não chegaram onde estão hoje contando tudo de suas vidas para todo mundo com detalhes. No caso de Jimmy, era uma situação complicada, muito complicada porque tínhamos sido muito próximos e eu tinha feito muito para ajuda-lo quando ele estava em seu momento mais fraco e obviamente a associação me fez muito bem também. Mas o fato é que eu nunca tirei proveito direto disso. Eu agi para achar amigos para ele de modo que eles pudessem aliviar o quadro dele, porque era demais para mim naquele tempo. E daí, à medida que o tempo foi passando, eu fiz muito por ele na Classic Rock quando eu estava dirigindo aquela revista.

Mas naquele tempo, eu também fui até ele com uma oferta de um milhão de libras para que ele fizesse sua própria autobiografia. Ela não tinha que falar de sexo ou de mágica ou de drogas ou qualquer coisa. Apenas música. Foi logo depois de ‘The Beatles Anthology’ ter saído, Bob Dylan tinha escrito seu livro e eles tinham sido muito bem recebidos e de fato ajudaram a revitalizar suas reputações. Dylan passou a ser visto de modo totalmente diferente depois de seu livro – as pessoas simplesmente não conseguiam acreditar que ele tinha sentado e escrito algo em um livro. ‘The Beatles Anthology’ trouxe a coisa toda a uma nova geração de um modo que relançamentos de livros não conseguem e então eu fui falar com Jimmy e disse ‘vamos fazer isso. O único livro que as pessoas conhecem sobre o Led Zeppelin é [a escandalosa biografia escrita em 1985 por Stephen Davis] ‘Hammer of the Gods’. Vamos fazer algo que ofusque aquilo. E a propósito, olha aqui um milhão de libras para que você sente e converse comigo algumas vezes e eu escrevo essa porra’. E ele disse aaahh e hmmmm e aaaahhh e hhmmm e ficou nessa. Dois ou três anos depois, o editor me disse, ‘por que não fazemos isso sem ele? ’

Então eu fui até ele e disse, ‘Olha. Isso é o que eles estão dizendo, e se eu disser não, eles vão arrumar outra pessoa para escrever. Por que é que você não pega a porra do dinheiro’ – isso foi mais de 10 anos atrás, Alec. Os mesmos editores que deram TRÊS MILHÕES de dólares para que ele fizesse seu livro três anos atrás. Então foi antes disso. Se Jimmy tivesse dado retorno e dito, ‘Eu faço, mas eu quero dois milhões’ eles teriam dito ‘sim’. Mas daí eu voltei e disse, ‘se eu disser não, eles arrumam outro pra escrever. Pelo menos eu conheço a história. Por que é que você não deixa que eu faça isso e daí você participa comigo. Não tem nem que ser oficial. Fale em silêncio, converse comigo, vamos ver se as coisas saem de um jeito que você goste. Você pode escrever uma introdução e fica tudo suave’. Ele disse não. Então eu falei ‘OK, bem eu vou fazer sem você então. Eu estou te comunicando isso. Se você tem algum problema com isso, na moral, me fale. ” Ele não tinha problema nenhum. Isso foi em 2005.

Levou um tempo para pesquisar para aquele livro, e cerca de um ano ou dezoito meses depois, eles anunciam que farão o show de reunião na O2 Arena em dezembro de 2007. E aqui8lo era para ter sido a plataforma de lançamento de uma reunião com uma turnê pelos EUA. Coisa grande, grande, grande. O mundo todo em cima. E naquela altura, ele virou o Jimmy Page de 1973 e podou um monte de antigos amigos. Na verdade, o demônio voltou e…. o lance todo de Jimmy sempre foi ‘o povo está ganhando dinheiro às minhas custas’. Bem, sim, é assim que o negócio da música funciona. Todo mundo faz dinheiro ás custas de todo0 mundo – é por isso que se chama negócio. Mas você pode controlar isso e certificar-se de que você pegue uma parte do produto que sai e de que ele seja realmente de alta qualidade. Mas ele é mesquinho para caralho e perturbado com essas porras. Ele é filho único e sempre teve tudo do jeito dele. Ele nasceu com um sendo de merecimento. Então Jason [Bonham] me arrumou ingressos para o show na O2 e Jimmy comeu o cu dele por fazer isso. Mas não foi só comigo. Havia muita gente muito mais próxima a ele e ao Zeppelin que naquele ponto havia acidentalmente cometido alguma transgressão… há uma história em particular que eu não posso lhe contar porque não cabe a mim, mas meu queixo caiu quando eu a ouvi. Alguém amado e muito chegado que não foi autorizado a receber uma merda de um ingresso. Que viado!

Foi ali que eu pensei, ‘foda-se. Quer saber o que mais, Jimmy? Eu não só vou fazer isso, mas vou enfiar até o talo. Eu vou fazer isso exatamente como acho que deveria ser genuinamente feito. Eu vou dizer a verdade’. Mas eu precisava descobrir qual era a verdade primeiro. Eu acho que as pessoas possuem essa estranha noção de que quando você escreve um livro, você já sabe qual é a história e que se trata apenas de escrevê-la – totalmente errado – eu nunca fiz um livro assim. Ele tinha sido meu amigo por quase 20 anos antes de eu começar a escrever aquele livro. Eu havia entrevistado a Robert Plant e a John Paul Jones, e eu era chegado a Jason. Mas antes de eu começar a trabalhar naquele livro, eu nunca realmente soubera da história. Eu a desconhecia até que eu sentei mês após mês e trabalhei em cima, falei com pessoas, digeri os relatos, pensei em tudo e me permiti ser enlouquecido por aquilo. Não foi até então que eu realmente concluí o que eu considero era a verdade. Então foi o que eu escrevi. Ainda é o livro que mais vendeu em minha carreira.

Cerca de um ano depois de ele ter saído, eu estava no Classic Rock Awards e eu estava sentado à mesa com Slash, Tony Iommi e Brian May bem na frente do palco. E na mesa ao lado, estavam Ronnie Wood, Joe Perry e Billy Gibbons, e na outra estão Jeff Beck, Jimmy Page e mais alguém. E aí estamos entrando, e tá tendo toda aquela comoção em torno dos músicos, tipo ‘Fala mano! Hey, E aí! Sim, como é que você está? ’ e aquilo tudo. Não estávamos sentados às mesas ainda, estávamos de pé em volta das mesas, dizendo oi pra todo mundo. E Jimmy vem e dá oi pro Slash, que está do meu lado, daí ele vira e me vê e eu disse, ‘Oi, Jimmy’. Ele se inclina, sussurra no meu ouvido ‘Eu só queria te dizer que acho que você foi muito do chapa branca com Robert’ e fica ereto novamente. Daí eu digo, ‘Jimmy eu não fiz o livro pra fazer nada com ninguém. Eu só tentei contar a verdade, como eu sabia dela. Eu não convidei a Robert para participar, mas eu te convidei e você nem quis saber’. Ele olhou para mim e disse, ‘Só quero que você saiba que eu acho você é muito, muito do insolente’. E foi isso.

É meio louco. No livro, você o descreveu como tendo um aspecto meio igual ao [da bruxa personagem de Charles Dickens] Miss Havisham. É estranho ouvir isso sendo fã de Led Zeppelin – quase te deixa feliz pelo fato de Robert Plant seguir fazendo seus lances e eles não se reunirem.

Antes de eu escrever o livro, eu era crente que Robert era louco e que eles deveriam se reunir. Quero dizer, o que que há para ser contra algo assim? Poderia ter sido tudo como foi na O2, que foi feito inteiramente sob os termos de Robert. Jimmy está desesperado, então ele vai fazer qualquer coisa para que o Led Zeppelin aconteça. Robert só toparia ‘se…. se…. se…. ah e também se….’. Até a enésima potência. Ele podia ter tudo sob suas exigências…, mas daí eu escrevi o livro e descobri mais. No fim das contas, eu fiquei feliz por Robert ter a inteligência de não aceitar – por ver a porra da zona bizarra e patética que seria, porque eles não são amigos, não há prazer naquilo. Seria apenas um jukebox.

Eu vi o show na O2 e foi chato. Ouça aos antigos discos pirata e assista a clipes ao vivo no YouTube que não sejam lançamentos oficiais. O lance todo do Zeppelin era a espontaneidade e o improviso. Havia uma concordância de que tudo poderia dar errado a qualquer momento, e em vários momentos, deu. Mas houve vezes em que aquilo evolui para algo superior, e tudo isso tinha a ver com as crenças e tentativas de Jimmy para, como ele chama, criar uma energia. E é isso que Jimmy estava fazendo, e quando ele conseguia, era algo digno de se assistir. O que eu vi na O2 poderia ter sido o Whitesnake numa noite boa. Músicas melhores, claro, mas ainda assim, um jukebox. Não teve um trecho todo acústico, nenhuma imaginação solta. Tudo foi planejado, o arco de violino foi planejado antes, e não foi bom como era em 1973. Foi o que o Def Leppard faz hoje em dia. Foi o que o Black Sabbath faz hoje em dia, os Stones, todos eles. Eles só te dão os hits e você as dizendo ‘Eu vi ao Aerosmith. Eu vi ao Guns n’ Roses’, mesmo com apenas um deles estar no palco e o resto deles eu não fazer ideia de quem sejam. É isso, é falso, é aperfeiçoado digitalmente e não tem significado para alguém como eu.

É estranho assistir ao Zeppelin daquele show. O que me espanta é que foram apenas duas horas, o que, para o Led Zeppelin, é minúsculo.

O Zeppelin no auge ia criar algo acachapante em frente dos seus olhos. Nem eles sabiam o que ia acontecer. O O2 foi polido, formulado, lindamente executado. Para mim, o momento mais simbólico foi na O2 quando, no meio de ‘Stairway To Heaven’, um cara estava se esgueirando pela fileira onde eu estava com uma bandeja de sushi e cappuccinos.

Wow.

E isso é no meio de ‘Stairway To Heaven’, tocada pelo Led Zeppelin pela primeira vez em 30 anos. E eu estou pensando, ‘sim, é aqui que estamos agora. É bem nisso que estamos’. Não foi como era em 1973.

[risos]

 

 

Guns N’ Roses: 10 guitarristas que se encaixariam na banda

Com o exame médico demissional de DJ ASHBA saindo ainda essa semana, podemos começar a cogitar possíveis ‘matches’ para a vaga do mancebo. Compilamos aqui 10 nomes que se gabaritam para a empreitada. 

SLASH

Ele só teria que aprender o material de ‘Chinese Democracy’, uma vez que é membro fundador da banda e nela permaneceu até 1996. Claro, veremos o Palmeiras ser campeão mundial interclubes e o Artension vai ser headliner do Rock In Rio e do Wacken no mesmo ano antes de isso acontecer.

IZZY STRADLIN

Outro que só precisaria aprender ao material de ‘Chinese Democracy’. O duro seria achar ele para fazer o convite.

DUFF MCKAGAN

McKagan é originalmente um guitarrista – e com uma tremenda noção de ritmo. E ele já sabe conhece as músicas de ‘Chinese Democracy’ que são tocadas ao vivo.

GILBY CLARKE

Clarke nunca compôs com o Guns N’ Roses e apenas gravou covers com a banda, portanto, seria muito indicado para aprender mais um punhado de músicas do grupo e sair em turnê com eles.

PAUL TOBIAS

Ele conseguiu fazer parte da pior gravação já feita pela banda, o cover de ‘Sympathy For The Devil’ – e quando você leva em conta que o grupo lançou algo abjeto como ‘My World’, conclui que Tobias deve ter uma musicalidade muito particular. E ele é o fundador do clube de capachos de Axl, seria perfeito.

DAVE NAVARRO

Já gravou a faixa ‘Oh My God’, de 1999, com o embrião do Nu-GNR. Teria de aprender mais umas 60 faixas, mas para quem já apendeu a discografia inteira do Iron Maiden nota por nota, a tarefa não constitui grande desafio.

ROBIN FINCK

Esteve na banda por 10 anos, supostamente regravou a todo o álbum ‘Appetite For Destruction’ no estúdio caseiro de Axl, e participou de ‘Chinese Democracy’. Seria como se o tempo tivesse sido pausado á espera dele.

BUCKETHEAD

O complicado vai ser achar tempo na agenda do sujeito. De 2013 até agora, ele lançou CENTO E QUARENTA E SETE ÁLBUNS [31 em 2013, 60 em 2014 e 56 até agora em 2015]. Em todo caso, o telefone para contato no Brasil é 021 2542 3049, ao Instituto Philippe Pinel.

TRACII GUNS

Pelo menos “Don’t Cry” [composta com ele] ele já sabe tocar, apesar de nunca terem lhe pago um puto sequer dos direitos autorais das 3 versões da música lançadas oficialmente.

CHRIS HOLMES

E por que não? Axl já admitiu que o WASP é uma de suas influências.
 

Kerry King: ‘As bandas de nossa atual turnê são muito vagabundas’

A revista musical UNRATED conversou com o guitarrista do SLAYER, KERRY KING, entre uma pizza e outra à ocasião da parada do festival itinerante MAYHEM em Tinley Park, Illinois.

O que segue abaixo são alguns trechos de um stream transcritos e traduzidos.

Sobre a Mayhem Tour em si, com elenco liderado pelo Slayer:

Kerry: “Na Califórnia deu muita gente, claro. Eu sei que aqui em Chicago vai dar também. Em Detroit deu também. Quero dizer, não é como um típico Mayhem, quando é tudo lotado de gente, porque eles tentaram manter a coisa rolando. E Gary Holt disse bem – ‘Nós não temos um palco secundário ou terciário. Temos um palco de quarta categoria que está fazendo as vezes de segundo palco’. E a qualidade do que eles colocaram nele não rola. Fizemos um show no Eagles Ballroom em Milwaukee ano passado com o Suicidal Tendencies e o Exodus, e lotou. Tocamos na Mayhem lá quatro dias atrás, e não lotou. Isso lhe diz algo. ”

Sobre o baixo custo dos ingressos para o Mayhem desse ano:

Kerry: “Não, os ingressos não estão tão caros, mas estão pedindo muito mais do que vale o show. Porque em termos de custo e benefício, tirando uma banda que eu conheço no outro palco e um punhado do palco principal, sabe, é…. isso é geralmente um lugar onde as pessoas aparecem para passar o dia todo, e elas estão se recusando porque o elenco é vagabundo demais. ”

Sobre qual seria o lineup ideal de bandas para o festival na opinião dele:

Kerry: “Já estivemos em alguns muito bons. Em 2009 era Slayer e Marilyn Manson, esse é bom. Slayer e Slipknot em 2012. Nós com King Diamond é ótimo e tudo mais, mas eu não tenho certeza se King é um headliner do tamanho de, tipo… quem era uns dois anos atrás? Avenged Sevenfold e Korn. Esse sim são dois nomes grandes. Isso atrai as pessoas. E o segundo palco tinha um headliner legítimo como o Anthrax ou o Machine Head – alguém muito bom. E agora, tal como Gary disse, nosso segundo palco é o que costumava ser o quarto palco, e eu acho que os fãs estão protestando ao não comprar ingressos. ”

 

Queensryche: ouça a nova faixa, “Arrow Of Time”, ao vivo

Um vídeo feito por um fã com o QUEENSRYCHE executando uma música nova, “Arrow Of Time”, na noite de ontem, 27 de julho em Aschaffenburg, Alemanha, pode ser visto abaixo. A faixa é integrante do CD “Condition Human”, que sai dia 2 de outubro pelo selo Century Media.

 

 

Coreia do Norte: Kim Jong-un manda queimar K7s e CDs estrangeiros

Relatos de agências internacionais dão conta que as autoridades policiais da Coreia do Norte estão indo de casa em casa à procura de música de artistas estrangeiros.

O país – cujo nome oficial é República Popular Democrática da Coreia – é sabidamente avesso a toda e qualquer influência externa, e já proibira seus cidadãos de possuírem ou ouvirem a qualquer tipo de música estrangeira.

Agora, o abilolado líder KIM JONG-UM ordenou que membros de conselhos regionais vasculhassem casas em suas respectivas áreas.

Uma fonte disse à publicação Sul-coreana Daily NK: “Os departamentos locais de propaganda estão fazendo com que os líderes comunitários recolham fitas cassete e CDs das casas das pessoas e estão passando o pente fino. Se uma faixa da mídia for da lista de artistas banidos, eles queimam tudo.”

A mesma fonte relata que as buscas têm “levado a brigas entre os residentes e as autoridades. Algumas mulheres ficaram tão bravas que foram brigar nos escritórios oficiais queixando-se que as autoridades queimaram seus bens sem mesmo os comunicar.”

Também tem sido dito que a lista de artistas estrangeiros proibidos de serem veiculados no país aumentou.
 

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Paul Stanley: Coiffeur, ele não descuida da peruca nem em seu lar

O Kiss realmente é uma banda que se preocupa ferrenhamente em manter a mítica em torno de sua imagem intacta, e para tanto, chega a extremos inimagináveis.

Na foto abaixo, o varonil e jurubeba vocalista & guitarrista do grupo, PAUL STANLEY, é flagrado no conforto de seu lar enquanto mostra que seu talento para as artes não conhece fronteiras: sim, Paul também é coiffeur, e poda as madeixas de seu filho sem esquecer que os fãs do Kiss são detalhistas e observadores. Atentem para a frondosa peruca [seria aplique?] que a frontpesoa, abnegadamente, porta para que nem seu rebento se desiluda.

É admirável.

Peruquita

 

 

 

New Order: Ouça ‘Restless’, do primeiro CD em uma década

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No dia 25 de setembro, o ícone inglês NEW ORDER volta com ‘Music Complete’, seu primeiro álbum de material novo em uma década. O primeiro single do álbum, ‘Restless’, foi divulgado pela banda hoje, e pode ser apreciado no stream mais abaixo.

O CD de 11 faixas não somente marca o retorno de GILLIAN GILBERT, mas também traz contribuições de três convidados bastante ilustres. IGGY POP aparece na faixa ‘Straw Dog’, BRANDON FLOWERS do THE KILLERS em ‘Superheated’ e LA ROUX em ‘Tutti Frutti’, ‘People On The High Line’ e ‘Plastic’.

 

 

 

Faith No More: ‘Endeusar o Nirvana é ridículo’, diz Billy Gould

O jornalista GUSTAVO ABREU, do site IG, conversou com o baixista do FAITH NO MORE, BILLY GOULD, e como já era de se esperar de uma entrevista com qualquer membro da banda, as respostas podem ser classificadas como irônicas ou pragmáticas.

Gould relembrou da relação que tem com o Brasil e da turnê de 1991 quando se apresentaram por 4 noites na finada casa de shows paulistana Olympia – apresentações que ele define como ‘insanas’ ao elogiar o público brasileiro, e disse não se incomodar com o fato de serem chamados de velhos: ‘Nós somos velhos mesmo’.

Sobre um tema que tem sido revirado recentemente, a ‘morte do rock’ ele declarou: “Eu não sei, não sou o cara para falar sobre isso. Sou muito subjetivo quanto a escrever e gravar. Já em relação à cena do rock n’ roll, e o gênero, não presto atenção. Não leio revistas, não é algo que eu pense sobre”

Ao finalizar a entrevista, Abreu indagou ao músico em se ele já havia visto o recém-lançado documentário ‘Montage of Heck’, sobre o finado líder do NIRVANA, KURT COBAIN, cuja esposa, COURTNEY LOVE, chegou a ser vocalista do FNM: “Não, não vi. Eu não sei nada sobre. Sei que tem umas coisas bem fodidas nele, mas não sei nada. Não sou particularmente interessado nessa história, para ser sincero. Eu não acho tão interessante, não prende minha atenção. O Nirvana era uma banda de rock, mas nada além disso. A deificação disso é uma coisa ridícula. Mas tenho certeza que é um filme bem feito sobre uma história muito triste. ”

A matéria pode ser linda na íntegra no link http://on.ig.com.br/som/2015-07-28/baixista-do-faith-no-more-desdenha-nirvana-uma-banda-de-rock-mas-nada-alem.html

 

 

 

 

Misfits: ‘Eu estava lá quando Sid Vicious morreu’, diz Jerry Only

jerryo

O líder do MISFITS, JERRY ONLY, revelou estar escrevendo um livro sobre sua vida.

E nele, haverá um trecho com um relato da noite em que o baixista do SEX PISTOLS, SID VICIOUS, morreu.

Only, que havia se tornado amigo de Vicious e sua mãe, jantou com os dois na noite em que ele fora libertado da prisão em fevereiro de 1979. Ele saíra sob fiança depois de ter sido acusado do assassinato de sua namorada, NANCY SPUNGEN. Ele começou a usar heroína horas após sua libertação e foi encontrado morto na manhã seguinte.

Only diz à revista bretã Metal Hammer: “O livro é basicamente sobre crescer na minha época, nos anos 70, e pode ser envolver com a cena musical que estava decolando.

“Muitas tragédias – eu estou escrevendo um capítulo sobre Sid Vicious nesse momento. Eu estava lá quando ele morreu. ”

Ele acrescenta: “Trata-se de entender como as coisas funcionam, e como superar obstáculos sem comprometer sua integridade. Eu acho que é onde estamos agora. Estou no trabalho nesse exato momento – algumas pessoas estão em seus iates quando não estão em turnê, e eu estou em uma oficina. ”

Em 2013, Only disse ao jornal Miami New Times: “Sid estava injetando heroína a noite toda e teve duas overdoses enquanto eu estava lá. Uma coisa é falar sobre ir fazer karatê e começar uma banda nova, e usar sua fama para algo maior – mas é outra coisa fazer isso com uma agulha em seu braço enquanto você fica azul.

“Ele não se importava consigo mesmo, ou com sua mãe, com encarar acusações de assassinato. Ele só ficava sentado ali e injetava droga. Eu disse, ‘Eu não vou arrastar a mim e meu irmão pra essa merda. Se você só vai se matar, que se foda. ’”

 

 

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