Guns N’ Roses: Veja Steven Adler tocando ‘You Could Be Mine’

O empresário e escritor estadunidense ASH AVILDSEN compartilhou, através de sua conta ao Instagram, um vídeo gravado cerca de duas semanas atrás, à ocasião de sua visita a um amigo – o emérito baterista do GUNS N’ ROSES, STEVEN ADLER.

No vídeo, Adler toca uma faixa que foge a seu catálogo com o GN’R: ‘You Could Be Mine’, do álbum “Use Your Illusion II’ – do qual pouco participou, já que, devido a seus problemas com substâncias ilícitas, acabou sendo demitido do grupo durante as gravações deste.

Assista abaixo ao vídeo postado por Avildsen.

 

 

 

Mötley Crüe: ‘Kickstart My Heart’ é plágio descarado de Sweet?

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O álbum ‘Dr. Feelgood’, do MÖTLEY CRÜE, lançado em 1989, permanece sendo o de maior venda na curta fonografia da banda – e também o título que mais contribuiu com faixas para escolhas de set list do grupo desde aquele ano, chegando a ser executado na íntegra em 2009 durante um trecho comemorativo a seus 20 anos.

Duas faixas de ‘Dr. Feelgood’, a título e ‘Kickstart My Heart’ [essa o grande sucesso daquele CD] têm sido apontadas, desde então como ‘demasiadamente influenciadas’ por sucessos dos anos 70, e isso veio à tona semana passada, quando estive em conferência com Bruce William e João Paulo Andrade na suntuosa residência deste nos Lençóis Maranhenses. Ao ouvir mais uma vez o disco no player Meridian modelo 808 V6 recém-comprado pelo JP, quatro conclusões são bem fundamentadas:

1] ‘Dr. Feelgood’ tem o mesmo riff de introdução de ‘The Night Of The Long Knives’, do álbum ‘For Those About To Rock’ [1981] do AC/DC.

2] Conforme o baixista e mentor musical do grupo, NIKKI SIXX, já admitira, a levada da bateria de ‘Kickstart My Heart’ é pesadamente inspirada em ‘Ballroom Blitz’, do álbum ‘Desolation Boulevard’, [1974] do grupo inglês SWEET.

3] A introdução ‘Belina 77 rasgando a avenida’ de ‘Kickstart My Heart’ bebe em ‘Bad Motor Scooter’, do álbum ‘Montrose’ [1973] do MONTROSE.

4] ‘Kickstart My Heart’ é um plágio descarado de ‘Hellraiser’, do SWEET, do álbum ‘The Sweet’, de 1973. Assista à performance abaixo para tirar qualquer dúvida.

O Sweet é uma influência bastante forte no som do Mötley Crüe, e um cover deles chegou a ser gravado pelo vocalista VINCE NEIL em seu primeiro álbum solo, ‘Exposed’ [1993]: ‘Set Me Free’, originalmente no disco ‘Sweet Fanny Adams’, de 1974. Outro grande nome do hard rock oitentista – mas do lado europeu do Atlântico – o DEF LEPPARD, também é réu confesso da força do grupo londrino sobre seu material, e gravou uma versão de ‘Hellraiser’ para o CD de covers ‘Yeah! ’ de 2006.

 

 

WASP: Blackie diz que o chamaram para ser o T-1000 de ‘Terminator 2’

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Quando o W.A.S.P. foi formado em 1982, muitos classificaram o mise-en-scène da banda de BLACKIE LAWLESS como um exagero descabido da vertente shock rock que ALICE COOPER já explorara muito bem anos antes, e que por isso, duraria pouco.

Ledo engano.

A banda, ainda que com diversas mudanças em sua formação, segue na ativa e é talvez a mais fonograficamente prolixa dentre todas suas contemporâneas, pelo menos as que pertenciam ao mesmo estilo.

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Recentemente, Lawless foi entrevistado pela equipe da editora Team Rock, que edita a revista Metal Hammer inglesa, e dentre uma vasta gama de assuntos, comentou sua quase incursão pelo cinema, que teria ocorrido em ‘O Exterminador do Futuro II – O Julgamento Final’, lançado em 1991.

“Tínhamos acabado de começar a gravar The Crimson Idol [Nota: Lawless refere-se ao álbum lançado em 1992, mas que levou quase 3 anos para ficar pronto, o que leva a crer que o episódio teria ocorrido ainda em 1989-90, mesma época em que BILLY IDOL fora abordado pela produção da película também]. Eu recebi um telefonema numa tarde de sexta-feira. Era minha agente, e ela disse que eles – James Cameron e Arnold Schwarzenegger – queriam falar comigo. Achamos que Arnold havia visto o clipe de ‘Scream Until You Like It’, eu interpretava um pouco nele. Aparentemente, eles acharam que eu seria ideal para o papel de T-1000. Eu assisti ao primeiro Exterminador do Futuro e não era lá muito fã, então eu disse: ‘Deixa eu pensar no assunto. Eu te dou retorno’. Eu pensei naquilo por meia hora e concluí: ‘Hey, jumento. O que é que você está fazendo? Aquele filme foi um sucesso, tenha você gostado ou não. Talvez isso seja algo que você devesse considerar fazer. ’

“Eu já tinha estado perto de Arnold algumas vezes antes, em festas, e sabia que ele era um pouco sensível quanto a sua altura. Eu sou 10 ou 12 centímetros mais alto do que ele. Então eu disse isso ao diretor de elenco: ‘Você sabe a minha altura? ’ Eu disse a eles que tinha 1m93. O diretor de elenco respondeu: ‘Não há necessidade de você vir até ao teste de leitura do roteiro. ’

“Cerca de um ano depois, o filme é lançado, eu me encontro com Robert Patrick, que acabou com o papel. Eu disse a ele que eles queriam me escalar para o papel, e ele faz uma cara engraçada e responde: ‘Puta que o pariu. Você se parece mesmo com ele. ’ O personagem original deveria ser um tipo desses da luta livre, um bárbaro de cabelo comprido. Ele viu os desenhos originais e disse que eu era a cara do personagem. “

Em 1990, já era de conhecimento notório que o cantor inglês BILLY IDOL teria sido considerado – e aceito – o papel do exterminador T-1000, o que acabou não acontecendo por Idol ter sofrido um acidente de moto aquele ano que lhe rendeu uma séria fratura na perna. Tudo foi confirmado em 2012 pelo coordenador de dublês da série, JOEL KRAMER, numa matéria que poder ser lida no link abaixo.

O Exterminador do Futuro: Billy Idol foi a primeira opção para ser o T-1000

 

 

 

Sepultura: ‘Roots é cópia descarada de Korn’, diz Jonathan Davis

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Em uma nova entrevista para a edição bretã do periódico METAL HAMMER, o frontman do KORN, JONATHAN DAVIS, fala sobre a clara influência que sua banda teve sobre o SEPULTURA no álbum ‘Roots’, de 1996, e explica que a culpa fora em parte do produtor ROSS ROBINSON, que produziu tanto a ‘Roots’ como os dois primeiros trabalhos do Korn. Curiosamente, ‘Roots’ tem a participação do próprio Davis.

Davis afirma que enquanto o disco do Sepultura era ‘uma cópia descarada’, ele superou isso.

“O Slipknot foi inspirado pelo que fizemos, mas eles pegaram aquilo e fizeram seu próprio lance, que é do caralho. Teve uma coisa que eu achei que foi um grande elogio, mas também zoado, foi o ‘Roots’, do Sepultura. Aquilo era uma cópia descarada do Korn, e eu intimei o produtor Ross Robinson sobre isso, porque ele simplesmente pegou nosso som e o deu ao Sepultura.

“Meu jovem cérebro não engolia aquilo. Mas eles foram uma de nossas maiores influências, então eu acho que eles tinham crédito. E é um disco clássico, então tá tudo certo. ”

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Já o guitarrista do Korn, James ‘Munky’ Shaffer, filosofou mais a fundo:

“Olha só – aquilo éramos nós os imitando! Quando o Sepultura lançou ‘Chaos A.D. ‘ em 1993, aquilo foi uma enorme influência em nós, e ainda é um dos meus discos favoritos. Agora que sou mais velho, posso dar valor à arte inspirando arte. “

 

 

Dee Snider: Ouça dois petardos ‘contemporâneos’ do novo CD solo

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O vocalista do TWISTED SISTER, DEE SNIDER, atualmente em turnê mundial de despedida da banda [e que deverá passar pelo Brasil em 2017], liberou para audição a primeira faixa de seu vindouro álbum solo “We Are The Ones”, que sai no dia 21 de outubro.

A faixa-título reflete bem o que Dee havia prometido em entrevistas desde o começo do ano: uma sonoridade mais contemporânea, até que lembre, ainda segundo ele, o FOO FIGHTERS. O que poderia soar como antagônico ao som característico feito por Snider acabou como uma forma mais visceral do que vem sendo vendido como ‘rock’ desde a virada do século, com uma pegada mais visceral e claro, encorpado com a voz grave e característica do vocalista.

O álbum conta ainda com uma versão de ‘Head Like A Hole’ [vídeo mais ao fim da matéria] do NINE INCH NAILS, que parece ter sido composta para ser cantada pelo decano dos anos 70 e 80.

Abaixo, a versão de estúdio de ‘We Are The Ones’ em um lyric vídeo, seguida por uma performance de ‘Head Like a Hole’ ao vivo em um recente festival.

 

 

Queen: Show no estádio do Morumbi em 1981 sairá em CD oficial

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As apresentações ao vivo gravadas pelo QUEEN e outrora transmitidas pela rádio BBC de Londres foram tiradas da prateleira e remasterizadas para um novo box, que sairá ainda esse ano.

Intitulado “Queen On Air: The Complete BBC Sessions” e com previsão para chegar às lojas no dia 4 de novembro, o compêndio terá várias versões: um CD duplo ao vivo, um vinil triplo, arquivos digitais e uma versão de luxo com seis discos, acrescida de destaques e pontos altos das transmissões das apresentações e 220 minutos de entrevistas com membros da banda.

A versão com seis discos terá uma versão condensada do show que o grupo fez no Estádio do Morumbi, em São Paulo, no dia 20 de março de 1981.

O track list completo da versão de seis discos pode ser apreciado abaixo.
Disc One
“My Fairy King”
“Keep Yourself Alive”
“Doing All Right”
“Liar”
“See What A Fool I’ve Been”
“Keep Yourself Alive”
“Liar”
“Son and Daughter”
“Ogre Battle”
“Modern Times Rock’n’Roll”
“Great King Rat”
“Son and Daughter”

 

Disc Two
“Modern Times Rock’n’Roll”
“Nevermore”
“White Queen (As It Began)”
“Now I’m Here”
“Stone Cold Crazy”
“Flick of the Wrist”
“Tenement Funster”
“We Will Rock You”
“We Will Rock You” (Fast)
“Spread Your Wings”
“It’s Late”
“My Melancholy Blues”

 

Disc Three
Golders Green Hippodrome, London, 13th September 1973
“Procession” (Intro Tape)
“Father to Son”
“Son and Daughter”
Guitar Solo
“Son and Daughter” (Reprise)
“Ogre Battle”
“Liar”
“Jailhouse Rock”

 

Estádio Do Morumbi, São Paulo, Brazil, 20th March 1981
Intro
“We Will Rock You” (Fast)
“Let Me Entertain You”
“I’m in Love with My Car”
“Alright Alright”
“Dragon Attack”
“Now I’m Here”
“Love of My Life”

 

Maimmarktgelände, Mannheim, Germany, 21st June 1986
“A Kind Of Magic”
Vocal Improvisation
“Under Pressure”
“Is This the World We Created”
“(You’re So Square) Baby I Don’t Care”
“Hello Mary Lou (Goodbye Heart)”
“Crazy Little Thing Called Love”
“God Save the Queen”

 

Disc Four: Interviews
Freddie Mercury With Kenny Everett (November 1976)
Queen with Tom Browne (Christmas 1977)
Roger Taylor with Richard Skinner (June 1979)
Roger Taylor with Tommy Vance (December 1980)
Roy Thomas Baker The Record Producers

 

Disc Five: Interviews
John Deacon, South American tour (March 1981)
Brian May Rock On with John Tobler (June 1982)
Brian May Saturday Live with Richard Skinner and Andy Foster (March 1984)
Freddie Mercury Newsbeat (August 1984)
Brian May Newsbeat (September 1984)
Freddie Mercury Saturday Live (September 1984)
Freddie Mercury with Simon Bates (April 1985)
Brian May The Way It Is with David ‘Kid’ Jensen (July 1986)

 

Disc Six: Interviews
Roger Taylor My Top Ten with Andy Peebles (May 1986)
Queen for an Hour with Mike Read (May 1989)
Brian May Freddie and Too Much Love Will Kill You with Simon Bates (August 1982)
Brian May Freddie Mercury Tribute Concert with Johnnie Walker (October 1992)

 

 

 

Use Your Illusion 25 anos: Se você não estava lá, jamais entenderá

Por Nacho Belgrande

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17 de setembro de 1991.

Se você tem por volta de 35 anos ou mais, deve ter lembranças vívidas do que foi aquele dia [ou aquela noite]. E tal como eu, não deve ter referência nenhuma de comoção tão grande em cima de uma banda nem antes, nem depois.

Há exatos 25 anos, o GUNS N’ ROSES simplesmente tomou de assalto a indústria fonográfica da civilização ocidental por uma noite, e só não o fez também com a oriental porque o sol já havia nascido por lá.

Numa manobra inédita, ousada e megalômana, o grupo lançava dois discos duplos – o vinil ainda servia de referência em muitos mercados – simultaneamente, sendo que já excursionava para promovê-los fazia quase seis meses.

Eu não temo pagar minha língua depois ao afirmar que jamais haverá uma convergência de preparo, potencial, oportunidade, sincronia e momentum para uma banda como houve naquele ano, em torno do tão aguardado ‘novo disco do Guns N’ Roses’. Mas aquela supernova começara a explodir muito antes.

Lembro que em 1989, ao jornal Folha de São Paulo, em uma edição dominical, anunciava que o ‘mercado heavy’ queria o recorde de Michael Jackson, fazendo uma referência à prensagem inicial de ‘Bad’, do falecido cantor, que havia sido lançado nas lojas dos EUA com 3,7 milhões de cópias. O ‘mercado heavy’ do qual a Folha falava era o então futuro lançamento de ‘Dr. Feelgood’, do MÖTLEY CRÜE, que teria 3 milhões de unidades despachadas no dia 23 de setembro daquele ano. O mesmo artigo dizia que o recorde deveria ser arrebatado pelo novo disco do Guns N’ Roses, previsto para 1990 e que deveria sair do prelo com 4 milhões de cópias prontas.

Para quem já era fã do grupo ou conhecia a banda de Axl, Slash, Duff, Izzy e Steven, 1990 foi o mais longo dos anos. Tudo que ficamos sabendo – através das pouquíssimas fontes de informação que tínhamos no país na época – foi do lançamento do cover de “Knockin’ On Heaven’s Door” na trilha sonora de ‘Dias de Trovão’ [iniciando uma série de inteligentes parcerias da banda com o cinema – ignorem ‘Dirty Harry na Lista Negra’, com Jim Carrey cantando ‘Welcome to the Jungle’] e da demissão de Steven Adler [seguindo uma performance sofrível dele no FARM AID organizado pelo músico country WILLIE NELSON], assim como de sua substituição pelo ‘baterista do The Cult’, que é como a maioria de referia ao ilustre desconhecido do qual ninguém tinha foto [aonde, em 1990, você procuraria por uma foto de Matt Sorum?].

A MTV chegou ao Brasil no final daquele ano e até ali, só restava aos fãs da banda comprar a [revista] Bizz todo mês e ler quatro linhas que fossem que em sumo, diziam que ‘Axl afirmou que as gravações do novo disco estão quase terminadas’ e/ou comprar a agora falida Rock Brigade, que só falava em Guns N’ Roses em caso de escândalo e quase sempre em tom jocoso. A melhor notícia de 1990? O Jornal Nacional anunciar em horário nobre que o Guns N’ Roses faria dois shows na segunda edição do Rock In Rio em janeiro de 1991. Recentemente, o próprio W. Axl Rose, em entrevista ao programa Fantástico, revelou que fora a própria emissora quem havia iniciado os contatos para que o grupo se apresentasse no festival. Falando em Fantástico, Axl era habitué do ‘show da vida’ em 1991, vide:

Em 1991, shows estrangeiros no Brasil ainda eram um grande acontecimento. Qualquer gringo de férias pelo país que tocasse pandeiro na praia ganhava duas páginas no Globo. Um festival com as proporções do Rock In Rio ganhava uma importância que todo o circuito de festivais existente em território nacional hoje não alcança. O festival ocorria nas férias escolares, e depois da primeira fase e antes da segunda etapa dos principais vestibulares de universidades públicas, para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ir. Sendo assim, e com menos de 10 canais por assinatura disponíveis no mercado [e mesmo assim somente nas quatro maiores cidades do país], a Rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do RIR para TV aberta no território nacional – como sempre faz, até hoje, apesar de não admitir que também patrocina pesadamente o festival.

Sem entrar em detalhes sobre a passagem da banda offstage pelo país, a exibição dos dois shows de Axl et al, em especial a do dia 20 de janeiro, expôs a banda a todo o território nacional numa noite de domingo, pouco depois do horário do Fantástico. Foi naquela transmissão que o Guns N’ Roses fundiu em aço sua popularidade no Brasil. Quem não conhecia, ficou conhecendo; quem já conhecia, estava esperando, e quem já gostava, passou a gostar mais; quem não assistiu na época, ou nasceu 10 anos depois do espetáculo, descobriu a banda por esse show no YouTube, e provavelmente sabe o set list de cabeça. Falando de novo em convergência de fatores, o público assistiu a uma banda no auge da carreira se apresentando num país de terceiro mundo, o que era MUITO incomum. E isso foi muito apreciado. A plateia brasileira também era menos acostumada a shows, e, portanto [mesmo sob um calor que dava novo sentido ao termo ‘Equatorial’ – eu estava lá], muito mais agitada e calorosa – o que comoveu a banda.

Na época, o Guns N’ Roses recebeu 500 mil dólares pelas duas apresentações no Maracanã – metade do que a versão 2001 do grupo receberia por um único show no Rock In Rio 3, e um oitavo do que fatura com uma apresentação em 2016. Mas eles poderiam ter tocado de graça e o retorno ainda seria compensador. O grupo voltou para Los Angeles com uma nação de dimensões continentais louca para pôr as mãos em qualquer coisa com o logotipo da banda estampado.

O ‘novo disco do Guns N’ Roses’, dizia-se nos telefones sem fio, sairia ainda naquele semestre. Afinal, se o grupo já tinha apresentado tantas faixas novas nos dois shows cariocas – sete no total, o que se supunha então ser mais da metade do álbum – o processo deveria estar próximo do fim. Até estava, e quando a turnê ‘Get In The Ring Motherfucker’ começou em maio de 1991, a demanda por material novo da banda já era tão grande que os shows – já com repertório tirado do vindouro trabalho – gravados ilegalmente e de maneira amadora eram pirateados e comercializados ao redor do mundo em fita cassete e vinil.

No mesmo mês de maio, a – mais uma vez ela – Bizz trouxe em suas páginas [que a essa altura, já figurando uma meia dúzia de jornalistas da ‘escola’ Rolling Stone/NME -brasileiros de nascença com complexo de londrino e que abominavam qualquer coisa que figurasse no mainstream – escrutinizava a banda em qualquer oportunidade] uma declaração de alguém no campo da banda dizendo que o disco não sairia por enquanto para que fosse mixado novamente, de modo que o som ficasse ‘mais sujo’, e que o lançamento ficaria ‘mais pro final do ano’.

A sensação de fel na boca que o ‘mais para o final do ano’ causou em quem esperava pelo álbum foi dissipada em parte por mais uma incursão do Guns N’ Roses pela sétima arte: ‘You Could Be Mine’, que já era conhecida do público por sua execução no Rock In Rio, era lançada como single e fora incluída na trilha sonora do filme mais aguardado daquele ano: ‘O Exterminador do Futuro 2’.

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Lançada nas rádios no dia 18 de junho [o filme chegaria ao Brasil em agosto], a faixa e o filme, em mais uma martelada certeira do destino em dois pregos ao mesmo tempo, promoveram um ao outro. A capa do single tinha Arnold Schwarzenegger caracterizado como o modelo cibernético T-800, e o vídeo promocional da canção contava com o ator em uma participação inusitada, com todo um contexto do enredo do filme inserido numa apresentação do grupo.

Originalmente, o clipe de ‘You Could Be Mine’ fora concebido e gravado sem visar a inclusão da música no filme de James Cameron, e uma versão ‘Director’s Cut’ da edição fundamental do diretor MARK RACCO veio à tona há pouco, confira no vídeo abaixo:

Lembremos que na época, Schwarzenegger era o ator mais conhecido do globo, e qualquer banda pagaria qualquer coisa para tê-lo em seu set.

Voltemos ao Brasil. Cerca de três semanas antes do lançamento de ‘Use Your Illusion’, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira a ‘Terminator 2’, ressaltando as revolucionárias técnicas de efeitos especiais do filme, o estrelato do imigrante austríaco que tinha se tornado o ator mais bem pago do cinema de ação, e claro, vários trechos de ‘You Could Be Mine’ ao longo do programa, expondo o Guns N’ Roses mais uma vez ao país todo em horário nobre.

Cerca de uma semana antes do lançamento do disco, ‘Don’t Cry’, uma faixa que a banda não tinha tocado no Rock In Rio e que só era conhecida por quem tivesse ‘descolado’ uma fita cassete bootleg de shows antigos da banda de idos de 1985 até 1987 [há uma versão excelente da música sendo executada pela banda no finado The Marquee de Londres nos notórios shows de Junho de 1987] ou de algum outro ocorrido naqueles longos seis meses antecedendo a seu lançamento oficial, chegava às rádios nacionais, e de cara, chegava ao topo das paradas do Brasil. Dado surreal: por ‘paradas’, entenda-se ‘o que tocava na [pasmem! ] Jovem Pan e/ou Transamérica’. Isso mesmo, em 1991, a Jovem Pan tocava Guns N’ Roses. A revista Veja [na época em que a revista tinha a relevância de quarto poder] entregue às bancas no domingo anterior a 17 de setembro deu duas páginas de destaque aos ‘Use Your Illusion, revelando que seriam de fato dois discos, e que a experiência fonográfica ultrapassava 3 horas de audição. E não, a resenha da revista não era lá muito favorável aos compêndios.

O dado mais importante da matéria da Veja: uma data definitiva, 17 de setembro, terça-feira, menos de 48 horas depois deu ter lido a revista.

Claro, as horas seguintes passaram muito devagar para mim, por mais de um motivo: 1 – eu mal podia me aguentar de ansiedade, e 2 – se eu tivesse que comprar dois discos ao invés de um, minha regulada mesada de estudante aos 17 anos vivendo em uma república em Ribeirão Preto seria seriamente desfalcada com essa extravagância. Na verdade, eu não teria dinheiro suficiente para comprar dois vinis ‘zero’ naquela terça.

Na segunda-feira à noite, contudo, liguei a cobrar de um orelhão [não existia telefonia celular no país] para meus pais em GO, e surpreendentemente, meu pai, antenado como nunca – ou como sempre – me disse que sabia do lançamento dos discos, e que quando eu soubesse do preço deles, que o avisasse, e que ele depositaria o dinheiro de presente para mim. Daí então, ao invés das horas passarem mais rapidamente, elas começaram a ficar mais longas.

Voltei para casa e assistindo ao Jornal Da Globo – que na época era apresentado por William Bonner e Fátima Bernardes – ouço antes de uma chamada para o intervalo: ‘E depois dos comerciais, o tumulto nas lojas americanas pelo novo disco do Guns N’ Roses’. Eu já não sei que horas da madrugada eram quando a matéria foi exibida, mas todo aquele furdunço que podemos ver pela internet hoje em dia estava ali, sendo transmitido pelos escritórios da Globo em Nova Iorque, mas com imagens da Tower Records de Sunset Strip [Los Angeles], que havia aberto as portas às 0h [e fecharia às 2 da manhã] para vender o disco, que em CD, custava 15 dólares cada volume.

Um interlúdio sobre a Tower Records: a relação da marca GN’R com a filial de Sunset Strip é longa e poética. Slash foi pego furtando cassetes quando adolescente por funcionários da loja, Rose chegou a dormir na parte de trás do estacionamento, e tanto um como o outro chegaram a trabalhar na subfilial especializada em vídeo, do outro lado da rua. A rede Tower não existe mais – sucumbiu ao compartilhamento de arquivos em 2006 – e manteve-se ativa apenas no Japão, onde sua loja ocupa uma torre [sem trocadilhos] de mais de 10 andares no coração de Tóquio. Poeticamente, foi na mesma Tower de Sunset Strip que os ingressos para a apresentação da volta de Duff & Slash ao lineup da banda no último 8 de abril.

Voltemos ao dia que não acabou.

Gente saindo com os CDs em long box [quantos de vocês já tiveram um CD em embalagem long box nas mãos? ] gritando e acenando para as câmeras. Estações de rádio tinham montado acampamento em lojas ao redor do país para registrar o fato. Pôsteres gigantes com as capas dos dois discos cobrindo as vitrines do teto ao chão.

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E assim eu perdi definitivamente meu sono, na expectativa de que, caso eu matasse aula, poderia adquirir os álbuns ainda pela manhã e começar a ouvi-los antes do almoço. Mas claro que eu não podia, o que eu diria a meus pais?

Minutos depois de a matéria ter sido exibida, meu irmão adentra o apartamento e antes que eu pudesse informá-lo do que eu tinha acabado de ver, ele me diz, sem muito entusiasmo: ‘Você viu os discos do Guns? Eu vi lá no Carrefour do shopping hoje. São dois discos duplos, né? ’. Meu mundo caiu. Então o disco já tinha sido lançado no Brasil, chegado ao interior paulista e eu parado em casa? Mal sabia eu, é praxe que discos sejam lançados em certos países um dia antes dos EUA.

Eu fui à aula naquela terça, ainda que minha mente não tenha se focado por momento algum no que seis qualificados professores tenham explicado das 7h às 12h30min.  Quando eu saí da escola, também não me interessava almoçar. Liguei de um orelhão [com fichas de chumbo, não com cartão de papel] para uma loja razoavelmente careira do centro da cidade, e informei o preço a minha mãe em seguida. Ela conseguiu fazer o depósito para minha conta só ligando para o gerente do banco e meu irmão, munido do cartão do Bradesco Instantâneo, rumou para o Carrefour num ônibus, encarregado de trazer as quatro bolachas.

Se não me engano, ele deve ter chegado de volta pouco antes das 4 horas da tarde, e começamos a ouvir da primeira faixa, em ordem cronológica, e sem parar. E assim fomos, eu, ele e nosso outro colega de república, de ‘Right Next Door to Hell’ até ‘My World’. Acabamos por volta de 8 horas da noite, e eu confesso: não ‘entendi’ aquele disco de cara. Era diversificado demais, longo demais, adulto demais, complexo demais. Pois bem, jantamos e o ouvimos de novo, dessa vez pulando as faixas que não nos agradavam tanto.

Naquela semana, o que houve de publicidade para a banda no Brasil nunca se viu e nunca mais vai ser visto. No mesmo domingo em que li a tal edição da Veja, uma banda cover do Guns N’ Roses se apresentou no Domingão do Faustão, com direito a Slash e Axl de peruca tocando ‘You Could Be Mine’. No decorrer da semana, as Lojas Americanas anunciavam em um comercial confeccionado somente para a oferta, que ‘ninguém vendia o novo disco do Guns N’ Roses tão barato’. Na [já finada loja de departamentos] Mesbla, você encontrava até camisetas para crianças de 4 anos com o logotipo do grupo. Mesma coisa no igualmente liquidado magazine Mappin. Foi o começo da superpopularização do grupo, assim como a alvorada de sua saturação.

Use Your Illusion I estreou em #2 na parada da [revista estadunidense] Billboard, vendendo 685 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, menos do que “Use Your Illusion II, que chegou as 770 mil cópias em 7 dias e, portanto, arrebatou o primeiro posto da tabela.

Cada um dos Illusion venderia mais de 14 milhões de cópias mundo afora.

Atualmente, o modo mais fiel de ouvir aos dois volumes da obra é em SHM-CD [categoria de CD acrescida de 1.2mm de resina plástica de policarbonato que melhora a transparência do lado inferior do disco, provendo uma melhor leitura, e, portanto, melhor reprodução] nos relançamentos japoneses de toda a discografia do GN’R já de maio de 2016. Tais prensagens são vendidas em embalagem ‘mini LP’ e reproduzem fidedignamente o encarte do LP de vinil da época.

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Os números de catálogo para quem quiser encomendar ambos via lojista/internet são:

  • Use Your Illusion I UICY-94336
  • Use Your Illusion II UICY-94337

 

 

 

O Impensável: Sony anuncia player ‘universal’ de discos óticos

Numa manobra impensável até algumas horas atrás, em especial dada a ausência de um drive de Ultra HD Blu-ray no novo PS4 PRO, a SONY anunciou hoje seu primeiro player universal.

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O aparelho reproduzirá discos em diversos encodamentos, como UHD BD, 3D BD, DVD, CD, e até mesmo os raros – e caros! – SACD e DVD-A! De acordo com Yukio Ishikawa, diretor da divisão de Eletrônicos Domésticos da Sony, “O novo UBP-X1000ES é há muito esperado por empresas especializadas em instalação de centrais de entretenimento, que desejavam um player de Ultra HD Blu-ray 4K e que provesse uma solução única para as necessidades especiais de entretenimento de seus clientes. Nosso novo modelo de referência foi concebido para reproduzir áudio e vídeo com a maior qualidade possível e irá empolgar até aos entusiastas do A/V mais exigentes. ”

O UBP-X1000ES oferece reprodução de discos Ultra HD Blu-ray e processa também sinais em HDR [High Dynamic Range, mesmo feature que o novo PS4]. O player também usa um HD interno da linha Precision, [da própria Sony] pata otimizar a performance de qualquer formato de disco ótico, e isso inclui DVDs, DVD-Audio, CD, SACD, Blu-ray 3D e mídias BD-ROM. Além disso, o aparelho inclui firmware para execução de streaming em 4K de diferentes serviços, como Amazon Video, YouTube, e outros.

O firmware contido também foca em processamento de vídeo, permitindo que os usuários façam o upscale de conteúdo original em 1080p para quase 4k 60p de resolução. Os codecs de áudio Dolby Atmos e DTS X também são reproduzíveis, e o player tem um DAC de 32-bits compatível tanto com arquivos de música em Alta Resolução do tipo DSD nativo [a até 11.2 MHz] como LPCM [a até 192 kHz].

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Por fim, o aparelho inclui muitas opções de conectividade personalizada, como Controle por IP sobre cabos CAT5 ou redes Wi-Fi, Controle ambivalente RS232C e IR-N. O preço ainda não foi anunciado, mas o Sony UBP-X1000ES estará disponível exclusivamente por meio de instaladores autorizados no segundo trimestre de 2017.

 

 

Body Count: Max Cavalera participa do novo CD da banda

O líder do BODY COUNT, o rapper/vocalista ICE-T, revelou que MAX CAVALERA [SOULFLY, SEPULTURA, CAVALERA CONSPIRACY] gravou vocais para o vindouro novo álbum da banda angelena, que deverá ser intitulado ‘Bloodlust’.

De acordo com o próprio Ice, Cavalera canta em uma fixa chamada “All Love Is Lost”.

‘Bloodlust’ sai em 2017 pelo selo Century Media.

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Mötley Crüe: box japonês do último show custará mais de R$1200

O derradeiro show do MÖTLEY CRÜE, que marcou o encerramento das atividades performáticas da banda em 31 de dezembro passado, foi registrado para lançamento futuro, e já bem sido exibido via pay-per-view e nos cinemas faz algum tempo.

O lançamento em formatos tangíveis, contudo, só ocorrerá no mês que vem, no dia 21 de outubro, e as edições japonesas – sempre elas – já começam a mostrar a atraente face do mercantilismo que sempre molda suas máscaras.

Até agora, foram confirmadas duas versões, uma é um Blu-ray duplo, sendo que um contém o documentário feito sobre a turnê final do grupo, outro com a performance em si, e um CD com o áudio do show. Tal box custaria em torno de US$ 150 [500 Temers, pelo câmbio de hoje].

Outra versão de ‘The End – Live In Los Angeles’, bem mais luxuosa, conteria não os Blu-rays, mas sim dois DVDs comuns, também com o documentário e a performance, o mesmo CD com o show, duas camisetas iguais às vendidas no Staples Center, o tour book da ‘The Final Tour’, um livro de fotos com capa dura e um passe para o backstage, tudo contido numa caixa de papelão grosso. Preço: US$ 370 [1200 Temers] – isso antes do frete, de passar por essa alfândega DESGRAÇADA que tem o Brasil, etc.

Encomendas já podem ser feitas nas melhores casas do ramo.

cruetheend

 

 

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