Twisted Sister: 2016 pode marcar despedida da banda, diz Jay Jay

O guitarrista do TWISTED SISTER, JAY JAY FRENCH, afirma que a banda vai se reunir no decorrer dessa semana para discutir seu futuro após o falecimento do baterista do grupo, ANTHONY JUDE “A.J.” Pero.

Pero morreu no último dia 20, vítima de um enfarto enquanto viajava com sua outra banda, o ADRENALINE MOB.

Durante uma aparição na edição de ontem [23/3] do programa do jornalista estadunidense EDDIE TRUNK na estação de rádio via satélite SiriusXM, Jay Jay comentou sobre o que o horizonte reserva para o TS:

“Dee está chegando de avião amanhã, e vamos nos encontrar na quarta. E vamos discutir muitas coisas. Vamos discutir a curto prazo, que é o show em Vegas, no dia 30 de Maio. E vamos discutir a médio prazo, que é fazer os shows na Europa esse ano. E daí vamos falar a longo prazo, que é: 2016 vai ser um ano determinante para nós? Vai ser…? Nós vamos dizer…? Porque 2016 marca o quadragésimo aniversário de eu, Dee e Eddie Ojeda juntos. E pode ser que tenha chegado a hora. Pode ser.

“Estamos tentando confrontar essa realidade, porque eu não quero ficar nisso para sempre… poderíamos. Quero dizer, algumas bandas ficam pra sempre naquela área de ozônio e continuam a tocar.

“Não fazíamos ideia de que a banda tinha seguidores, absolutamente, quando ocorreu o 11 de setembro e fizemos o show em benefício a NYC, e daí, de repente, recebemos ligações de todo o mundo e não fazíamos ideia do que a banda significava, que ainda queria dizer algo para alguém. E nos últimos treze anos, meio que estabelecemos um séquito por todo o mundo, e na América do Sul, a banda é loucamente popular. E nossa música, como você sabe, é licenciada para todo canto. Porque a licenciamos porque queremos que ela seja tocada, e se você só consegue que ela toque em comerciais e programas de TV, então é praí que você vai. Então isso nos deu uma vida inteira. Mas precisamos olhar para isso e nos dizer, como uma entidade viva e respirante, sobre a qual nossa reputação se situa – ser uma grande banda ao vivo – como é que honraremos essa história? E como honraremos a A.J.? E como honraremos a lealdade dos fãs? E eu acho que você conhece a mim e a Dee e a banda o suficiente para saber que somos muito realistas e genuínos quando se trata de nossa relação com os fãs.”

 

Discofilia: conheça o homem que prensa LPs que custam R$10 mil

Por KILLIAN FOX para o jornal THE GUARDIAN

Quatro anos atrás, PETE HUTCHISON se deu conta de que seu hábito de colecionar discos estava ficando fora de controle. Desde tenra idade, ele vinha comprando música de vários gêneros – folk, rock, punk, jazz, house e Techno – mas recentemente, ele tinha se tornado fã de música clássica, e isso, para um amante de vinis raros, é uma manobra ousada. A música clássica tende a alcançar preços muito mais altos no mercado de colecionadores do que os outros gêneros. “Em um único ano”, ele diz, “eu gastei mais de 40 mil libras [cerca de 180 mil reais] apenas em música clássica, sem contar os outros tipos de música que eu estava comprando”. Em uma compra naquele ano, um box set raro de gravações de Mozart de 1956, custou a ele 7 mil libras [por volta de 30 mil reais].

Procurando solucionar o problema, Hutchison decidiu cuidar da situação com suas próprias mãos. Desde 1991 ele vinha administrando o Peacefrog, um selo independente que tem obtido considerável sucesso nos últimos anos com artistas como José Gonzalez e Little Dragon. O distribuidor de seu selo era a EMI, que tinha os direitos de uma formidável coleção de gravações eruditas. Através de seus contatos lá, Hutchison obteve permissão para refazer 80 célebres gravações da assim chamada “era dourada” dos anos 1950-60 e relança-las através de seu novo selo, o Electric Recording Company.

As primeiras reprensagens em edição limitada, três cobiçados LPs de sonatas de Bach tocados pela violinista húngara Johanna Martzy, foram lançadas em Novembro passado, com preço de 300 libras [1350 reais] cada. O segundo relançamento foi o raro box set de Mozart. Uma coleção do compositor e seu trabalho parisiense, em sete discos, dirigidos por Fernand Oubradous, e limitada a 300 cópias, lhe custará 2495 Libras [11300 reais].

Mozart

Esses não são um relançamento qualquer. O purismo de Hutchison como colecionador, como de se esperar, se desdobrara em perfeccionismo n o estúdio. Muitos relançamentos em vinil são produzidos de maneira barata e rápida em maquinário contemporâneo. Hutchison insistiu em fazer tudo como teria sido feito meio século atrás, mas com perfeição acrescida. “Eu quero ter os discos com a melhor qualidade de som do mundo”, ele diz.

Naturalmente, isso não sairia barato. “O primeiro desafio”, ele me diz quando eu o visito em seu estúdio em Notting Hill, Londres, “foi achar e restaurar o equipamento”. Um homem esbelto de cabelo comprido e uma barba bem espessa, Hutchison é exatamente aquele tipo de audiófilo obcecado e agora ele tem máquinas que o acompanham. O gravador de fita de rolo da MEU em um lado da sala, que teve que ser totalmente restaurado, teria sido usado no Abbey Road para gravar os Beatles e os Stones.

A ilha de masterização ao centro, também construída pela EMI, veio da Nigéria – mas o real achado, ele me diz, foi o par de estrovengas à nossa direita: um gravador de fita valvulado do tamanho de um fogão à lenha antigo e a máquina de cortar vinil, ambos manufaturados pela empresa dinamarquesa Lyrec em 1965. Hutchison achou as duas máquinas “naufragadas” em uma garagem pública em Cheshunt, comprou-as por 10 mil libras e passou três anos e “10 vezes” o valor da compra reconstruindo-as com a ajuda dos veteranos engenheiros de áudio Sean Davies e Duncan Crimmins, guiados pelos manuais de instrução que Davies tinha desde os anos 70.

A tecnologia de válvulas desapareceu completamente na metade dos anos 70, quando os estúdios migraram para transistores mais baratos – uma farsa, na visão de Hutchison, excedida somente pela subsequente transição do analógico para o digital. “O problema com transistores é que eles soavam um pouco duros e vidrosos”, ele explica. “Eles não tinham a textura e o som de ponta aberta da válvula” Agora ele está trazendo tal textura perdida de volta à vida. “Estas, acreditamos nós, são as únicas máquinas do mundo capazes de produzir uma gravação em estéreo totalmente à válvula.” Quando eles lançarem o primeiro disco em estéreo em julho [os de Bach e Mozart são em mono], eles serão, afirma, o primeiro disco em estéreo completamente valvulado em quase meio século.

Tendo dado tanta atenção a como esse produto soaria, Hutchison não queria desleixar da aparência. “A capa e a arte gráfica e a fabricação tinham que ser feitas como eram nos anos 50”, ele decidiu. Na zona leste de Londres, ele achou um gráfico artesão com uma prensa Heidelberg de 1959 e o colocou para trabalhar. Tudo tinha que ser autêntico, até as letras douradas e os mesmos fios de seda, e nada poderia ser escaneado: até as imagens tinham que vir das fotografias originais, o que significava ir atrás dos fotógrafos, ou seus filhos, para pedir permissão. O libreto de 50 páginas que acompanha o box de Mozart levou um ano para ser feito.

Quando Hutchison coloca o produto de 11300 reais no meu colo, me dizendo que é provavelmente o disco mais caro já feito em termos de custo de fabricação, eu o abro com nervosismo e dou uma olhadela lá dentro. É uma peça linda, e a atenção dada aos detalhes é embasbacante. Mas esse esforço todo valeu a pena?

Financeiramente, talvez NÃO. Apesar de ele dizer que recuperou 50% dos custos de manufatura dos dois primeiros discos desde Novembro [eles ainda estão saindo para as lojas, espaçadamente], recuperar o investimento vai demorar muito mais. “Talvez meus filhos recuperem”, ele diz, rindo. Dinheiro, pelo jeito, não é a questão aqui. Hutchison me diz, com óbvio orgulho, que quando um colaborador da revista estadunidense Stereophile colocou as mãos no box de Mozart, “ele disse que era o disco mais caro que ele tinha, mas de longe o melhor. E isso foi um grande prêmio: o sucesso pra mim gira mais em torno de ter o respeito de pessoas como essa do que o lado financeiro.”

Também gira em torno de chamar atenção para tecnologias superiores que foram negligenciadas no processo para tornar tudo mais barato e mais conveniente. Seria fácil ler o projeto como uma crítica à era digital, e de fato, Hutchison o represente abertamente de tal modo. “Não se trata apenas do vinil”, ele diz a certa altura. “Se trata de toda uma filosofia: é a estética, é o som, é tudo.”

Em termos de experiência auditiva, o digital, ele afirma, “é o grande cambalacho. Eles disseram que os CDs eram indestrutíveis, mas eles não eram. Eles disseram que o som seria melhor, mas com o MP3 estamos provavelmente no ponto mais baixo da história do som. É um arquivo comprimido. Se você tentar tocar uma orquestra através de um sistema de som apropriado alimentado por um MP3, é simplesmente um lixo.”

Hutchison tem mais críticas a tecer sobre a cultura digital – nós nos tornamos escravos de nossa tecnologia, das distrações dos celulares e redes sociais, isso ameaça a criatividade – mas eu penso, esse projeto é de fato o melhor meio de transmitir tais argumentos? O quão eficiente pode ser uma filosofia exposta ao povo se ela custa centenas, até milhares de Libras para ser comprada?

Hutchison reconhece que a exclusividade é um problema. “Recebemos alguns comentários de pessoas dizendo, ‘eu queria poder comprar esses discos, por que é que eles têm que ser tão elitistas?’ O motivo é simplesmente o quanto custa para se fazer essas coisas – é meio que como a Aston Martin fabricando carros sem lucro nos anos 60. Mas eu acho que agora que a tecnologia se estabeleceu, podemos vislumbrar fazer algumas coisas que sejam mais acessíveis a algumas pessoas.”

Em julho, a Electric Recording Company lançará seu terceiro compêndio, uma gravação estéreo de 1959 de Leonid Kogan tocando Beethoven ao violino em concerto, conduzido por Constantin Silvestri. Mais para frente, Hutchison planeja passar além do erudito para o rock, jazz e outros gêneros com maior apelo, o que ajudaria a abaixar os preços de algum modo. “Eles venderiam mais, então poderíamos prensar mais e talvez deixá-los na marca das 100 libras [455 reais]”, ele diz.

Ainda não totalmente convencido, eu pergunto a Hutchison se seus produtos são para audiófilos e ninguém mais, ou se o ouvinte comum conseguiria notar a diferença em qualidade de som. “Qualquer um conseguiria”, afirma. Para provar, ele coloca um dos LPs de Bach em um toca-discos e abaixa a agulha. Preenchendo um espaço de mais de meio século, o violino de Johanna Martzy começa a tocar. Não é só a música que é extraordinária: o som é quente, texturizado, com lindas nuances. Nós todos ficamos sentados, em silêncio, por alguns momentos, maravilhados com a nitidez. Exceto por alguns estalos aqui e ali, é perfeito.

 

 

Metallica: Lars mandou apagar baixo de Jason em “AJFA”, diz mixer

O produtor STEVE THOMPSON tem um currículo longo, variado e portentoso por demais, tendo trabalhado em tantos discos clássicos que você juraria que ele está inventando. Mas ele não está.

Natural de Nova Iorque, ele produziu ou mixou coisas do patamar de “Appetite For Destruction” do GUNS N’ ROSES, “…And Justice For All” do METALLICA, “Follow The Leader” do KORN, “A-Sides” do SOUNDGARDEN, além de vários trabalhos de WHITNEY HOUSTON, ARETHA FRANKLIN, MADONNA e até YOKO ONO.

Numa entrevista cedida há poucos dias para o site ULTIMATE  GUITAR, na qual, entre diversos temas abordados, discorreu sobre um dos tópicos favoritos e mais místicos entre os roquistas da camisa preta fubenta: o que teria acontecido com o som do baixo de JASON NEWSTED na mixagem de “…And Justice For All”?

Leia abaixo a versão de Thompson para a lenda:

Lars não estava satisfeito?

Tivemos que subir o som da bateria de acordo com a preferência dele. Eu não era muito fã daquilo. Daí ele veio, “Tá vendo o baixo?” e eu disse, “Sim, que belo fraseado, cara, ele matou a pau”. Ele respondeu, “Eu quero que você diminua o volume do baixo até onde você mal possa, audivelmente, percebê-lo na mixagem”. Eu mandei, “Você está de sacanagem, certo?”

E ele não estava satisfeito?

Ele disse, “Não, abaixa.” Eu diminuí até aquele nível e ele diz, “Agora abaixa mais 5 db”. Eu me virei e olhei para o Hetfield e disse, “Ele tá falando sério?”. Fiquei boquiaberto.

E o que você fez?

Eu liguei pro meu empresário naquela noite e eu acho que falei com Cliff Burstein e Peter Mensch [empresários do Metallica] e disse, “Eu adoro esses caras, eu acho que eles são incríveis e que criaram um gênero próprio, mas eu não gosto da direção pra qual Lars está me empurrando. Meu nome vai aparecer nisso, então por que é que você não acha outra pessoa?” Meu empresário não queria se meter com aquilo, tampouco queriam Burnstein ou Mensch.

Mas você estava pronto para pular fora de uma mixagem para o Metallica?

Eles me convenceram a apoiá-los e meu único arrependimento é que não tivemos tempo suficiente para pelo menos mixar o disco do jeito que o ouvíamos. Eu queria pegar “Master of Puppets” e reproduzir aquilo ainda mais alto. Esse era o direcionamento sônico que eu tinha para “… And Justice For All”. Os elementos estavam todos ali, mas eu acho que eles estavam procurando por um som mais de garagem, sem baixo. E o baixo estava demais! Estava perfeito. Eu me lembro de quando o Metallica entrou para o Hall Of Fame, eles pagaram nossas passagens de avião, e eu estou lá, sentado com Lars.

Você conversou com ele?

Ele disse, “Hey, o que aconteceu com baixo em “…Justice”? Ele me perguntou isso mesmo. Eu queria mandar a mão na cara dele ali mesmo. Foi uma merda porque sou eu que fico passando vergonha pela falta de baixo.

 

 

CD vs Vinil: não diga que o som do vinil é melhor – porque ele não é

Por NICK SOUTHALL para o site SICK MOUTHY

Vejam só esse cara, que ensinou a seu filho de 13 anos a “enorme alegria de se ouvir a discos de vinil” por meio do festival de nostalgia da mitologia do rock pintado de rosa de Cameron Crowe, “Quase Famosos”.

A cena particular em que o papai nostalgia divaga sobre – “Quando o jovem aspirante a jornalista musical tem sua mente libertada por sua irmã mais velha, que lhe deixa sua coleção de LPs debaixo de sua cama quando ela deixa a casa” – não ´é exatamente sobre o vinil; é sobre música, e a adolescência, e a família, e sentir falta de alguém, e um milhão de outras coisas. O fato que a música esteja no vinil é um acidente cronológico porque o filme se passa nos anos 70 e é tão importante para o impacto emocional como o fato de que a colcha da cama é feita de poliéster.

Eu poderia ficar bravo e xingar ao papai nostalgia – por descrever a Miles Davis e Art Blakey como “trutas”, por ensinar a seu filho que as experiências adolescentes de seu pai são mais válidas do que sair e formar suas próprias; por fazer seu filho ouvir a Dire Straits e a ‘Dark Side Of The Moon’; por confundir mitologia e besteirol com significância e realidade vivida – mas eu já escrevi um artigo sobre todo o lado mitológico do debate vinil vs. CD, e então eu, ao invés disso, vou coletar algumas evidências concretas e tecer um argumento fundamentado com frases de apoio de pessoas que entendem muito mais de vinil e CD como formatos do que eu entendo. Porque você pode citar Henry Rollins e sua idiopatia sobre bolachões e sobre “o sublime estado de solidão”, ou você pode citar o cara do Pere Ubu dizendo que a distorção do vinil “NÃO é o que queríamos” e postar um link para ele explicando exatamente o porquê.

Porque, francamente, tem havido uma caçambada de postagens em blogs, artigos e listinhas de merda esse ano me dizendo o quão ótimo é o vinil, e nenhum deles continha qualquer evidência além de pontificação quase egocêntrica. “O vinil é demais! Tem um som quente! Você pode manuseá-lo! A arte é enorme! Tem como você enrolar um baseado em cima dele!” Isso é texto pós-blog da pior qualidade, o tipo de mentalidade tacanha frente à qual estamos em risco de confundir como jornalismo [e pior, substituí-lo com tal coisa], onde só o que você precisa é uma opinião e um sentimento e algumas pessoas para darem “Curtir” ou “Compartilhar” para dar àquela opinião uma validação instantânea, mesmo que ela não seja baseada em absolutamente nada.

Peguem o artigo do Buzzfeed [Me desculpe, Matt; eu sei que é seu trabalho e entendo completamente o porquê de textos como esse terem que conviver com coisas legítimas]; metade do que ele aponta como sendo qualidades do vinil são elementos horrendos que eu odeio [ruído de superfície; vasculhar caixas em lojas de usados; nomes super-específicos de gêneros nas lojas independentes que agem como guardiões ofuscantes dos portais ao invés de auxílios para se buscar algo], e a outra metade é completamente incidental e não pode ser ‘desfrutada’ com CDs [um fabuloso par de caixas; colocar coleções em ordem alfabética; dar apoio a lojas independentes de discos; conhecer uma menina bonita enquanto procura]. Nem o papai nostalgia nem o hipster fetichista substancia qualquer uma dessas proclamações com provas, pesquisa ou fato; eles só fazem afirmações e alusões vagas e pressupõem que o peso da mitologia do rock as sustente. Bem, eu odeio mitologia do rock e sempre odiei.

Belo contexto.

Alguns meses atrás, eu dei a ideia de uma matéria para a [revista inglesa] NME sobre os méritos relativos do vinil e do CD, com focos específicos nos efeitos colaterais negativos que o atual ressurgimento do vinil em vendas está causando. Dan Stubs, editor da NME, disse sim, e solicitou 600 palavras sobre o tema a mim, as quais foram publicadas alguns meses depois. Infelizmente, Dan e a NME têm estilo e prazos e leitores e anunciantes para levarem em consideração, e 600 palavras não foram o suficiente para explorar esse tema enorme, divisor e cheio de disse-me-disse, e eu tinha muitos, muitos pensamentos, citações e evidências sobrando, então vou usá-los todos aqui.

Um dos principais tópicos abordados no meu artigo para a NME fora essencialmente que a demanda por vinil está superando a oferta, fábricas com prensas de vinil não dando conta de prensar vinil tão rapidamente quanto conseguiam no passado, já que nenhuma nova máquina de prensar vinil foi fabricada desde 1981; logo, a indústria está dependendo de maquinário velho. Tecnologia defasada + demanda crescente = qualidade decadente. O vinil é usado como ferramenta de propaganda, e tem se tornado um símbolo de produto Premium, prometendo a você MAIS do que o CDF; a experiência alusiva da qual tão poucas pessoas parecem poder qualificar ou quantificar apropriadamente.

Ele tem preço, embalagem e é vendido de acordo com isso, mas muitas vezes não cumpre a proposta que deve, já que deveria ser Premium. Lembre-se que o anverso redentor de um disco é reproduzir música, não ficar bonito em uma estante.

Então eis aqui o que [o renomado produtor estadunidense] Steve Albini tem a dizer sobre os méritos e deméritos do vinil transparente, preto e colorido no site The Quietus; desça até a penúltima pergunta, que começa com: “Há um argumento teórico aí, de que o cloreto de polivinil é incolor, então se você acrescentar algo para o colorir, você está mudando um pouco aquela química, e isso tem potencial para fazê-lo soar não tão bom com tais inclusões.” A conclusão? Vinil colorido novo provavelmente soa como merda a maior parte do tempo, e é um gracejo, uma peça de ‘valor agregado’ feita para fazer com que você compre um disco em um formato ao invés de em outro [tipo, comprar qualquer um, ao invés de baixar]. Discos para se olhar, e não para se ouvir.

Mas Albini não tem nada conta o vinil como formato, desde que produzido apropriadamente, e tudo bem. Algumas pessoas são diferentes. Eis o que David Thomas do Pere Ubu tem a dizer sobre mitos técnicos a respeito do vinil em seu website: “A ‘quentura’ putativa do vinil é outros desses alaridos de histeria em massa aos quais a raça humana é pré-disposta. ‘Quentura do Vinil’ não é nenhum fenômeno indefinível semimístico. Há de fato um termo técnico usado pelos engenheiros de áudio para o que você está ouvindo – se chama distorção. Não passa de distorção. Claro, a distorção é uma ferramenta de valor no áudio, e uma das favoritas o Ubu, mas só quando a distorção é a distorção que nós escolhemos. Você pode até gostar do fenômeno, mas isso NÃO é o que queríamos, e NÃO é o que ouvimos no estúdio.”

O que parece contradizer o que algumas pessoas afirmam em relação ao vinil ser mais fidedigno em som à fita master do que o CD o é. David Thomas não é o único a pensar desse modo; eis o que David Brewis, da Field Music me disse via Twitter dia desses: “Quando estamos confeccionando um disco, eu tenho que me abstrair das deficiências inerentes às prensagens em vinil, apesar de eu gostar dessas mesmas deficiências nos discos de outras pessoas – especialmente quando combinadas com o elemento ‘sente e ouça’. “Então o vinil é deficiente, não é o som que as pessoas ouvem nos estúdios de gravação, e não é necessariamente como elas querem que você ouça seus discos, mesmo que seja algo divertido.

Michael Jones, um pôster adorado do site ILX que trabalha com mídia digital em algum lugar, e que foi co-engenheiro do disco de estreia do The Clientele, ‘The Violent Hour’, e masterizou várias compilações do Matinee em CD, pegou pesado na ciência ao postar no ILX cerca de uma década atrás sobre os mitos e conceitos errôneos sobre o que o CD e o vinil oferecem, desde a resolução relativa até as taxas de sampling até a reprodução de ondas analógicas e os felizes acidentes eufônicos sobre os quais David Brewis se referiu. Os pontos altos e chave incluem:

Você está dizendo que áudio em 24/96k pode se comparar a um bom vinil? [Eu me dou conta de que não é realmente comparável e que há muitos outros fatores envolvidos]

“Bem, qual é a resolução de um bom vinil?  EM TERMOS DE TEORIA DA INFORMAÇÃO [RESOLUÇÃO = FAIXA DINÂMICA X LARGURA DE BANDA], O VINIL FICA QUILÔMETROS ATRÁS – não chega nem perto de 16.44. É um erro pensar que um sistema analógico seja mais ‘natural’ ou tenha mais riqueza de detalhe. Cada gravação e cada sistema de reprodução possuem suas limitações.”

Existem circuitos que possam prover uma interpolação suave [analógica, na verdade] entre os x níveis disponíveis em uma gravação digital? Algum bom player digital faz isso?

“”Todos” os equipamentos digitais fazem isso. Não há falhas ou pontes no som – uma onda analógica contínua é reconstruída da informação sampleada. O Teorema de Nyquist estabelece que nós só precisamos samplear uma onda que equivalha pelo menos a duas vezes a maior frequência dentro dessa onda para coletar um registro completo doa dados. Agora, limitar a largura de banda de um sinal musical até acima do que o limite superior da audição humana pode produzir seus próprios problemas, mas podemos afirmar com certeza que a amostragem subsequente não acrescenta ou retira nada.

“O número fixo de níveis de amplitude associado com o digital significa um limite a como pequenas mudanças sucessivas na amplitude possam ser – mas com o sinal analógico e seu ruído auto associado maior, os limites são ainda mais restritivos. O ruído cobre qualquer coisa menor do que ele. Então há ‘menos’ resolução no domínio da amplitude no sinal analógico, apesar de ele ser um sistema contínuo.”

Há alguma razão pela qual LPs possam soar melhor?

“Há muitos artefatos associados com a reprodução de vinil que não desaparecem mesmo com os toca-discos mais exóticos ou prensagens mais pristinas. Felizmente, muitos desses artefatos são eufônicos – anomalias de fase expandindo magicamente a imagem do estéreo, a ressonância do braço, aquecendo as faixas médias de frequência, causando o tom sedoso. É MAIS UM CASO DO QUE O VINIL AGREGA À REPRODUÇÃO, DO QUE O QUE O CD OMITE. Passou disso, é questão de preferência.”

Por que não assistir a ele dizendo isso em pessoa no YouTube? A falácia do ‘mais fidedigno à fita master’ também é mencionada aqui.

 

Graham Sutton é geralmente meu referencial como produtor musical e cara da técnica quando eu preciso de uma citação sobre compressão de faixa dinâmica ou distorção. Infelizmente, ele estava fora do país a trabalho quando eu escrevi o artigo para a NME, mas eis uma citação de uma entrevista que fiz com ele alguns meses atrás e que já tem bastante relevância por si própria:

“Como estético, pelo tipo de música que estou fazendo, eu também descobri que não gosto do som da fita. Eu não quero que o meio altere sonicamente o que estou ouvindo, eu quero uma resposta linear e eu não gosto de chiado. Eu acho que parte da má reputação do som digital é porque os engenheiros dos primórdios do CD tentaram aplicar os mesmos truques utilizados em fitas ao digital sem consultar seus próprios ouvidos, e as coisas vieram excessivamente brilhantes e duras como resultado. Também há um apego sentimental no mundo do rock, que se apoia no elitismo, ao analógico – o cheiro da fita e o amor por máquinas grandes, velhas e empoeiradas – isso não acontece muito em outras áreas da música, por exemplo, no clássico, jazz, EDM, rádio, filme, onde esse debate acabou há muito tempo.”

Assim, o amor pela quentura analógica parece ser uma ressaca roqueira, um cobertor aconchegante para uma indústria, que, 40 anos atrás, pensava pra frente, na vanguarda, mas que agora é retrógada, paranoica e hesitante. Examinando os discos que eu comprei e gostei em 2013, e há menos e menos ‘rock’ [e pop ou gêneros associados ou o que seja] e mais e mais eletrônica, jazz, avant-garde, chame do que quiser. Isso tem sido uma tendência crescente em minhas preferências já faz um tempo.

Se você quisesse realmente, você poderia visitar os fóruns de Steve Hoffman e envolver-se em algumas das trocas de ofensas do debate vinil vs. CD que rolam com frequência por lá. Nenhum dos lados fica com uma imagem lá muito boa no fim das contas, e é muito fácil despencar em um buraco de minhoca de audiofilia, no que eu não tenho o menor interesse.

Alguns anos atrás, eu me envolvi bastante com fones de ouvido e passei tempo demais [e gastei dinheiro demais] no [site] Head-Fi, onde notei que as pessoas descreviam os fones da Sennheiser como ‘velados’ em termos de som, o que queria dizer que o som de característico era escuro, e apagava detalhes um pouco através de uma fica camada de distorção ou falta de foco. A descrição é como eu ouço ao vinil, sem tirar nem pôr; é como se alguém estivesse segurando uma camada de cortina de rede entre os falantes e meus ouvidos, o que afeta a claridade e o espaço, e me impede de perceber alguns detalhes sônicos. Para mim, muito da mágica do som gravado é o quão psicodélico e espacial ele pode ser, e a claridade é uma grande parte disso. A mitologia não o é, e apesar de eu gostar do fato de que temos prateleiras cheias de CDs e eu tenho que tirá-los e coloca-los um de cada vez em um CD player, isso é menos ritualístico e mitológico do que é conveniente e concentrador, além do que eu não me sinto como um estagiário de um departamento de coleta de dados.

Eis outra listinha de merda composta pelo Matt, exceto que essa não é de merda, e faz algum sentido, pelo menos se admitirmos que grande parcela do fanatismo com o vinil se trata de estética e estilo de vida, e não de qualidade do som.

Então eu acho que dizer que o CD é melhor que o vinil, em termos de fatores mensuráveis objetivamente técnicos, frios e duros, como faixa dinâmica, resposta de frequência e resoluções, mas esse não é o x da questão aqui: o principal é que eu prefiro o CD, ele se encaixa em como e por quê eu ouço muito melhor com ele do que com qualquer outro meio. O vinil soa diferente, e se você o prefere, beleza – APENAS NÃO ME DIGA, SEM PROVA, QUE ELE É ‘MELHOR’. Porque não é.

A propósito, não vamos mais associar e confundir os termos ‘vinil’ e ‘LP’: ‘vinil’ é o formato, o meio. ‘LP’ é abreviação de ‘Long Play’, e é referente à duração do conteúdo fornecido pelo formato. Minha ‘coleção de LPs’ está majoritariamente em CD, e é assim que eu gosto.

Para Concluir: algumas pessoas têm me perguntado porque eu não simplesmente não ouço MP3 [ou qualquer outro tipo de arquivo digital]. A resposta é bem simples: eu prefiro vasculhar por prateleiras do que databases quando escolho qual disco ouvir. Acessar e manter uma coleção digital de música em sua maior parte me faz sentir como um estagiário de coleta de dados. Eu costumava curar bancos de dados de bibliotecas para viver. Eu não queria que isso fosse meu hobby.

 

 

Compact Disc: formato começa a sumir das lojas dos EUA

Michelle Johnson looks over a large selection of vinyl available at Wax Trax in Denver, Co on April 16, 2014. Photo By Helen H. Richardson, The Denver Post.

Se o CD já não estiver morto, seus dias estão certamente contados nas lojas de discos.

Ao analisar os números das vendas no fim de ano de 2014, PAUL EPSTEIN, dono da Twist & Shout Records, de Denver [EUA], notou algo que ele não via há 25 anos: a receia bruta oriunda da venda de discos de vinil tinha passado a da dos CDs.

“Há um romance com o vinil no momento”, disse Epstein. “Durante anos, milhões de pessoas trocaram a conveniência pela estética e de um louco modo cultural, e todas elas acordaram agora e se deram conta de que não tinham nada e que a música deles não tem significado algum e que os iPods são uma merda e que eles querem voltar pra música e a se importar com isso.”

Nos últimos cinco anos, as vendas de discos de vinil aumentaram ano após ano, ao mesmo tempo em que as de CDs caíram. Ao longo da primeira metade de 2014, as vendas de CDs caíram 19.6 por cento, enquanto as de vinil aumentaram em mais de 40.4 por cento nos EUA, de acordo com relatórios da auditora especializada Nielsen Soundscan. Em 2013, mais de 6 milhões de LPs de vinil foram vendidos, 33 por cento a mais do que os 4.5 milhões de 2012.

“O vinil está se tornando o formato de escolha para o verdadeiro fã de música”, disse Mark Mulligan, um analista da indústria musical da MIDiA Research,

“A visão do público a respeito do CD é uma compilação com os maiores sucessos de Cher em uma loja de departamentos ou em um super mercado, é o mais baixo denomina dor comum para música”, ele afirmou. “No vinil, rola essa coisa meio mística do passado”.

A rentabilidade do vinil sempre passou a dos CDs [“o equivalente capitalista a produtos de caloria zero”, disse Epstein], mas eles também são muito mais difíceis de se obter, são menos abundantes, não podem ser devolvidos ao fabricante, ocupam mais espaço, e quando se fala de usados, exigem “conhecimento arcano” para comprar os discos certos, disse Epstein.

Andy Schneidkraut, dono da Albums On The Hill em Boulder, começou a notar o crossover nas vendas de CDs e vinil em junho de 2013, e, desde aquele mês, “as vendas de vinil passaram as de CDs”, diz ele.

A Angelo CDs And More – que vende CDs e vinil em várias lojas na região metropolitana de Denver – ainda não chegou a tanto. Contudo, a loja está caminhando rápido para o ponto em que o vinil passe o CD, disse o dono Angelo Coiro. Pode até acontecer em 2015, disse ele.

Em parte, é porque os LPs de vinil custam mais. Os LPs mais vendidos da Twist & Shout em 2014 – “Lazaretto” de Jack White e “Morning Phrase” [ambos lançados ano passado] – custam US$ 28,99 e US$ 24,99, respectivamente. Em CD, qualquer um dos dois sai por US$12.99.

É uma moda que muitos não teriam previsto depois de o CD ter sido introduzido nos anos 80 e décadas depois, o mesmo com a música digital e os serviços de streaming. Audiófilos compram vinil pela suposta qualidade diferenciada do som, muitas pessoas compram “Lazaretto” por suas funções bônus, mas, mais importante, as pessoas compram pelo vácuo físico de se possuir música. Durante a grande migração digital dos anos 2000, uma geração inteira de repente negligenciou a propriedade física da música.

“Quando você ouve um disco, você tem uma relação com a música – você senta e se conecta a ele”, disse Schneidkraut. “Elas querem que aquilo tenha importância, elas querem uma ligação emocional. Discos exigem um comprometimento que os CDs e a música digital nunca exigiram.”

Uma imagem no seu telefone ou no seu tablete ainda não substitui a sensação de segurar um disco e expô-lo orgulhosamente na sua prateleira. Para os fãs jovens que estão chegando a fase adulta no mundo digital, esse aspecto físico é algo que eles querem experimentar.

“Em um tempo onde tudo é baunilha, onde tudo está disponível ao deslizar de dedos, nada mais é especial”, disse Mulligan. “Os fãs de música estão tentando encontrar algo que seja especial e o vinil é especial e as lojas de disco estão colocando o vinil de volta à equação do que torna a música especial mais uma vez.”

Com tais vendas e a moda cultural dos clientes escolherem o vinil em detrimento dos CDs, as lojas de discos estão mudando. A Twist & Shout, a Albums On The Hill, Angelo’s e Wax Trax em Denver estão destinando o espaço em suas prateleiras para representar o crescente interesse dos consumidores pelos LPs.

“Qualquer um que compre aqui com frequência notou que a sala oeste passou de 50 por cento vinil para 100 por cento vinil e agora, na sala leste, as últimas fileiras foram convertidas para o vinil”, disse Epstein a respeito da Twist & Shout. “Tem havido muita mudança em nossa loja”.

Na Wax Trax em Denver, o dono Dave Wilkins disse que a loja está no processo de passar seus compactos de 45 RPM para a loja de CDs ao lado para ter mais espaço para long plays de vinil. A Albums On The Hill irá diminuir o número de CDs usados que mantém nas prateleiras. A Angelo’s tem diminuído continuamente sua seção de CDs e aumentando a de vinil e irá prosseguir com isso ao longo de 2015.

“Mesmo que seja apenas uma moda, e mesmo que passe, o que isso mostra é que os fãs de música possuem um apetite inerente por uma manifestação tangível de seu gosto musical”, disse Mulligan. “Eles querem algo que possam tocar, mostrar e sentir e que diga, ‘isso aqui sou eu’.”

 

 

Vinil: fundador da Tower Records diz que superioridade do som é ‘psicológica’

Russ Solomon

RUSS SOLOMON, o fundador da finada mega-rede de lojas de discos TOWER RECORDS, agora com 89 anos de idade, começou vendendo discos de 78 RPM na farmácia de seu pai em Sacramento, na Califórnia no fim dos anos 30, viveu toda a trajetória do ramo de venda de discos, desde a chegada ao mainstream nos anos 40 e 50 até a explosão do nicho nos anos 60 e 70, até o total declínio de seu sólido império, no fim dos anos 90.

Na onda da estreia do documentário All Things Must Pass, sobre a ascensão e queda do trabalho da vida de Solomon, o ex-magnata conversou com o jornalista Frank DiGiacomo sobre vinil, o que deu errado com CDs e singles, e até se ele ainda compra discos.

Abaixo, uma tradução de um trecho da conferência.

Em que momento você notou que os discos de vinil estavam desaparecendo e quando foi que você ficou sabendo que eles estavam voltando à moda?

Eles começaram a sumir logo depois de 1983, quando o CD chegou, mas apesar de o ramo do vinil ter sido reduzido a virtualmente nada, ele nunca desapareceu por completo. Havia um underground do vinil, e no começo dos anos 80, você tinha o advento de empresas como a Mobile Fidelity, que remasterizavam e prensavam discos em vinil de maior qualidade. As prensagens japonesas também eram muito melhores que as americanas.

E a que você atribui a ressurreição do formato?

Você está falando sobre quando, do nada, ficou um pouco mais descolado comprar discos de vinil? Isso começou na verdade com aqueles pretensos discos de alta qualidade prensados em 140 gramas, 180 gramas ou 220 gramas, mas eles tinham preços terrivelmente altos. E isso evoluiu para alguns artistas de rock lançando novos discos em vinil, e os colecionadores abraçaram. A verdade é que ainda se trata de um mercado de colecionadores, apesar de eles terem vendido uns 9 milhões de cópias ano passado. A maioria não é prensada em material de alta qualidade.

Por que as pessoas são tão ligadas romanticamente ao vinil?

Eu acho que se trata basicamente da colecionabilidade dele. Há algo de comum no CD, enquanto o LP é um pacote. Tem o trabalho artístico e as letras e agradecimentos. É leitura. Alguns colecionadores de LPs são de fato débeis mentais. A capa é mais importante às vezes do que o disco.

Qual sua opinião sobre o que as pessoas dizem, de o vinil soar melhor – mais quente – do que os CDs?

Isso pode soar como heresia, mas eu acho que isso é mais psicológico do que verdadeiro. Tecnicamente, você não tem como colocar a mesma quantidade de gama de frequências em um LP do que consegue em um CD de jeito algum. É simplesmente impossível. Mas isso não quer dizer que discos de vinil não soem bem e que não soem quentes e que haja algo de confortante em seus ruídos. Há um tipo de sentimento nostálgico na coisa toda, o que é algo bom, não ruim.

[…]

 

 

Fitas Cassete: Sony apresenta modelo para 64 milhões de músicas

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Por um período na história, a fita cassete dominou completamente o mercado de vendas. Apenas em 1990, acachapantes 442 milhões de unidades foram vendidas. Contudo, com a ascensão do CD, o nascimento do MP3, e a eventual “ressureição” do vinil, as vendas caíram, e já em 2007 apenas 274 mil cassetes foram vendidos. Claro, selos dedicados somente ao formato, como o Kissability e o Mirror Universe Tapes têm suprido o cassete a um novo séquito de pessoas, mas é um claro sinal dos tempos quando um Walkman é visto pelos jovens como um tipo de artefato alienígena.

Agora, todavia, a Sony traz o cassete de volta dos mortos ao revelar uma fita que pode abrigar um total de 148 gigabytes por polegada quadrada. Se você não sabe fazer a conta, são 185 TERABYTES no total. Agora pode jogar seu iPod no lixo.

A fita, que foi demonstrada ao público no último fim de semana na International Magnetics Conference em Dresden, comporta aproximadamente 74 vezes a quantidade de dados das fitas comuns [em comparação, em 2010, a maioria das fitas só conseguia abrigar cerca de 29.5 GB por polegada quadrada].

Influência de bruxaria à parte, como exatamente a Sony conseguiu catapultar o potencial da tecnologia cinquentona da fita magnética?

De acordo com o site Gizmodo:

“A fita usa uma técnica de formação de vácuo chamada deposição de ejeção – ou deposição de sputter – para criar uma camada de cristais magnéticos por meio do disparo de íons de argônio contra um substrato de filme de polímero. Os cristais, medindo apenas 7.7 nanômetros em média, se agregam com maior densidade do que qualquer outro método anterior”.

Tal como o site ITWorld explica, “Ao maximizar as condições de sputter e desenvolver uma subcamada magnética no filme, o fabricante conseguiu criar uma camada de finas partículas magnéticas com um tamanho médio de 7.7 nanômetros.”

Mas e quanto de informação uma fita com 185 TB consegue comportar? Algumas comparações úteis do site ExtremeTech:

_São três Blu-rays por polegada quadrada. Ou, um total de 3700 Blu-rays em uma única fita. Isso seria uma pilha de caixas de 5 metros de altura.

_Uma só fita comporta cinco vezes mais TB do que um gabinete de hard drives customizado vendido nos EUA em média a 10 mil dólares.

_Um total de 64.750.000 músicas; Se a faixa em média dura, vamos dizer, três minutos, é música suficiente para durar 134.896 dias.

_Toda a Biblioteca do Congresso Estadunidense representa um total de 10TB. Uma fita consegue armazenar 18.5 versões da Biblioteca do Congresso.

A fita será comercializada, mas ninguém sabe da data de lançamento. Contudo, tal como o próprio Gizmodo aponta, a super-fita foi desenvolvida primordialmente para “backup de longo prazo de dados de dimensão industrial”, e não necessariamente para músicas, jogos e vídeos ou reprodução de mídias.

Abaixo, um vídeo com a história das fitas cassete:

 

Whitesnake: frustração com Blackmore levou David ao “Purple Album”

DAVID COVERDALE explicou como os planos para uma reunião com seu colega do DEEP PURPLE, RITCHIE BLACKMORE, levaram à criação do vindouro CD “Purple Album”, do WHITESNAKE.

O tributo será lançado dia 18 de maio, e é a primeira vez que o Whitesnake grava com o guitarrista JOEL HOEKSTRA.

Disse David à revista inglesa Classic Rock que o finado tecladista do DP, JON LORD, queria que a MK III da banda se reunisse, e tal ideia fora discutida após seu falecimento.

Agora ele declara no vídeo abaixo: “Muitas ideias não estavam me animando muito, infelizmente. Mas eu já estava na pré-produção dessas músicas, esperando que Ritchie estivesse aberto a retrabalha-las e reconsagrar algumas delas.”

Quando ele disse para sua esposa que era uma pena que seu trabalho tinha sido desperdiçado, ela perguntou, “Por que você não faz isso com o nome Whitesnake?”

Ele continua: “Pensei um pouco sobre isso, falei com meus músicos e todo mundo foi incrivelmente positivo, então era só meter o pau”.

O guitarrista REB BEACH fala do “Purple Album”: “Foi a coisa mais animadora que David já me disse – e olha que ele já me falou coisas muito excitantes”.

 

Eddie Trunk: Que bandas mandarão no Metal em 2025?

A revista especializada bretã METAL HAMMER traz, em sua mais recente edição, uma longa entrevista com o jornalista, radialista e apresentador televisivo estadunidense EDDIE TRUNK, e dentre vários tópicos abordados ao longo do papo, perguntou a ele sobre o futuro das bandas de metal e quais ele acha, dentre, as contemporâneas, que ainda estrarão vivas em 2015.

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O que segue abaixo é o trecho em questão traduzido.

Pegue sua bola de cristal para a última pergunta. Nós sabemos que a era do gelo está chegando quando muitos artistas lendários não estiverem mais em atividade. Olhando para quem está tocando agora, quem você acha que será lenda viva do metal em 2025?

“Daqui a dez anos, algumas das maiores bandas dos anos 80 ainda vão conseguir tocar. Então eu diria que isso coloca o Metallica com uns 60 anos, então eles ainda deverão ocupar o trono se forem espertos e se cuidarem. Da escola mais nova, você tem que esperar que uma banda como o Avenged Sevenfold ou o Slipknot – grupos que já fincaram raízes bem profundas a essa altura e já são enormes – possam continuar a crescer, continuar a evoluir e continuar a criar coisas originais e conduzirem o metal para a próxima era. O Five Finger Death Punch é muito famoso. Você espera que essas bandas que são mais jovens e mais novas possam ostentar a bandeira, não implodirem e continuem a compor em grande estilo. Elas precisam continuar a acharem suas próprias vozes também. Todas elas mostram suas influências com muito orgulho – alguns dizem que elas fazem isso até um pouco mais do que deveriam – mas eu acho que tá valendo nessa altura da carreira porque elas são relativamente jovens. Eu fiquei muito animado quando vi o Avenged um ano atrás. Você pode dizer o que quiser sobre a originalidade do último disco, mas para mim foi animador ver todos esses jovens na plateia, vestindo camisetas de banda e totalmente engajados com uma banda de rock sustentada pelo som de guitarras. Mas você está certo – alguns desses caras que atualmente carregam o estandarte deveriam ter parado dez anos atrás e ainda estão por aí, e infelizmente estão maculando seus legados. Mas eu nunca estive mais animado com músicas noivas do que ando recentemente. Eu gosto muito do Kyng, eu amo Rival Sons e eu amo muito o Monster Truck. Uma parada com som alto, de guitarras e excelentes vocais. Eu espero que isso continue a evoluir e que vejamos mais desses caras nos anos ainda por vir. E mais uma coisa – eu acabei de ver Alice Cooper algumas semanas atrás e algo me diz que ainda o veremos na ativa em 2025!”

 

Vinil: 21 coisas que ninguém nunca lhe conta sobre colecioná-lo

1.Você vai gastar tanto dinheiro em discos que nunca terá uma aparelhagem de som de qualidade de modo a os reproduzir da maneira que você e outros discófilos argumentam que eles possuem.

  1. Você vai gastar tanto e com tanta frequência que isso se tornará um problema.
  2. Você com certeza comprará um relançamento e descobrirá que ele foi masterizado a partir de uma cópia em CD e o som fica completamente abafado ao tocá-lo.
  3. Você se dará conta de que muitos álbuns são bem menos divertidos de se ouvir quando você tem que se levantar para mudar de lado ou mudar de disco a cada 3 faixas.
  1. Você inevitavelmente sentirá a acachapante decepção de gastar muito $ em um disco que você queria muito e, ao chegar em casa, descobrir que ele está empenado.
  2. Muitas das coisas que você quer em vinil OU não existem no formato…
  3. OU foi prensado em quantidades extremamente limitadas, tornando quase impossível acha-lo….
  4. OU só foi lançado em um país longínquo.
  5. Você se sentirá compelido a comprar discos sem achar graça alguma, títulos que você nem gosta, apenas para ter uma discografia completa em sua prateleira.
  6. Você se tornará muito familiarizado com a frustração de constantemente perder leilões no Ebay no último minuto.
  7. Você passará uma quantidade preocupante de tempo se amargurando em cima da possibilidade de seu equipamento e sua agulha não serem bons o suficiente.
  8. Você limpará obsessivamente cada disco usado que você tem e compra de modo que ele não arruíne sua agulha cara pra cacete.
  9. Você se dará conta de que sua casa tinha muito, mas muito mais poeira do que você jamais imaginou.
  10. Você ficará todo animado para mostras às pessoas que visitam sua casa o quão vasta é sua coleção de LPs de vinil, e se sentirá meio desapontado quando elas não se mostrarem lá muito impressionadas.
  11. Você descobrirá que é por vezes preguiçoso demais para ligar o toca-discos e rodar um vinil, e ao invés disso, vai ouvir música no computador.
  12. Você pode esperar ser tratado como um imbecil ingênuo pelos colecionadores mais antigos quando eles ficam sabendo que você é novo nessa.
  13. Mas ao mesmo tempo, você se sentirá irracionalmente incomodado quando vê alguém comprar uma reprensagem cara, mas vagabunda, de um disco que é facilmente encontrado em sebos.
  14. Você ficará levemente incomodado pela ideia de grandes cadeias de lojas do varejo venderem vinil, apesar de isso não ser necessariamente ruim.
  15. Você acabará passando MUITO tempo em casa ouvindo a seus discos.
  16. E pior: não vai achar nada de anormal nisso.

    Texto original no site BUZZFEED

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