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Use Your Illusion 25 anos: Se você não estava lá, jamais entenderá

Por Nacho Belgrande

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17 de setembro de 1991.

Se você tem por volta de 35 anos ou mais, deve ter lembranças vívidas do que foi aquele dia [ou aquela noite]. E tal como eu, não deve ter referência nenhuma de comoção tão grande em cima de uma banda nem antes, nem depois.

Há exatos 25 anos, o GUNS N’ ROSES simplesmente tomou de assalto a indústria fonográfica da civilização ocidental por uma noite, e só não o fez também com a oriental porque o sol já havia nascido por lá.

Numa manobra inédita, ousada e megalômana, o grupo lançava dois discos duplos – o vinil ainda servia de referência em muitos mercados – simultaneamente, sendo que já excursionava para promovê-los fazia quase seis meses.

Eu não temo pagar minha língua depois ao afirmar que jamais haverá uma convergência de preparo, potencial, oportunidade, sincronia e momentum para uma banda como houve naquele ano, em torno do tão aguardado ‘novo disco do Guns N’ Roses’. Mas aquela supernova começara a explodir muito antes.

Lembro que em 1989, ao jornal Folha de São Paulo, em uma edição dominical, anunciava que o ‘mercado heavy’ queria o recorde de Michael Jackson, fazendo uma referência à prensagem inicial de ‘Bad’, do falecido cantor, que havia sido lançado nas lojas dos EUA com 3,7 milhões de cópias. O ‘mercado heavy’ do qual a Folha falava era o então futuro lançamento de ‘Dr. Feelgood’, do MÖTLEY CRÜE, que teria 3 milhões de unidades despachadas no dia 23 de setembro daquele ano. O mesmo artigo dizia que o recorde deveria ser arrebatado pelo novo disco do Guns N’ Roses, previsto para 1990 e que deveria sair do prelo com 4 milhões de cópias prontas.

Para quem já era fã do grupo ou conhecia a banda de Axl, Slash, Duff, Izzy e Steven, 1990 foi o mais longo dos anos. Tudo que ficamos sabendo – através das pouquíssimas fontes de informação que tínhamos no país na época – foi do lançamento do cover de “Knockin’ On Heaven’s Door” na trilha sonora de ‘Dias de Trovão’ [iniciando uma série de inteligentes parcerias da banda com o cinema – ignorem ‘Dirty Harry na Lista Negra’, com Jim Carrey cantando ‘Welcome to the Jungle’] e da demissão de Steven Adler [seguindo uma performance sofrível dele no FARM AID organizado pelo músico country WILLIE NELSON], assim como de sua substituição pelo ‘baterista do The Cult’, que é como a maioria de referia ao ilustre desconhecido do qual ninguém tinha foto [aonde, em 1990, você procuraria por uma foto de Matt Sorum?].

A MTV chegou ao Brasil no final daquele ano e até ali, só restava aos fãs da banda comprar a [revista] Bizz todo mês e ler quatro linhas que fossem que em sumo, diziam que ‘Axl afirmou que as gravações do novo disco estão quase terminadas’ e/ou comprar a agora falida Rock Brigade, que só falava em Guns N’ Roses em caso de escândalo e quase sempre em tom jocoso. A melhor notícia de 1990? O Jornal Nacional anunciar em horário nobre que o Guns N’ Roses faria dois shows na segunda edição do Rock In Rio em janeiro de 1991. Recentemente, o próprio W. Axl Rose, em entrevista ao programa Fantástico, revelou que fora a própria emissora quem havia iniciado os contatos para que o grupo se apresentasse no festival. Falando em Fantástico, Axl era habitué do ‘show da vida’ em 1991, vide:

Em 1991, shows estrangeiros no Brasil ainda eram um grande acontecimento. Qualquer gringo de férias pelo país que tocasse pandeiro na praia ganhava duas páginas no Globo. Um festival com as proporções do Rock In Rio ganhava uma importância que todo o circuito de festivais existente em território nacional hoje não alcança. O festival ocorria nas férias escolares, e depois da primeira fase e antes da segunda etapa dos principais vestibulares de universidades públicas, para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ir. Sendo assim, e com menos de 10 canais por assinatura disponíveis no mercado [e mesmo assim somente nas quatro maiores cidades do país], a Rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do RIR para TV aberta no território nacional – como sempre faz, até hoje, apesar de não admitir que também patrocina pesadamente o festival.

Sem entrar em detalhes sobre a passagem da banda offstage pelo país, a exibição dos dois shows de Axl et al, em especial a do dia 20 de janeiro, expôs a banda a todo o território nacional numa noite de domingo, pouco depois do horário do Fantástico. Foi naquela transmissão que o Guns N’ Roses fundiu em aço sua popularidade no Brasil. Quem não conhecia, ficou conhecendo; quem já conhecia, estava esperando, e quem já gostava, passou a gostar mais; quem não assistiu na época, ou nasceu 10 anos depois do espetáculo, descobriu a banda por esse show no YouTube, e provavelmente sabe o set list de cabeça. Falando de novo em convergência de fatores, o público assistiu a uma banda no auge da carreira se apresentando num país de terceiro mundo, o que era MUITO incomum. E isso foi muito apreciado. A plateia brasileira também era menos acostumada a shows, e, portanto [mesmo sob um calor que dava novo sentido ao termo ‘Equatorial’ – eu estava lá], muito mais agitada e calorosa – o que comoveu a banda.

Na época, o Guns N’ Roses recebeu 500 mil dólares pelas duas apresentações no Maracanã – metade do que a versão 2001 do grupo receberia por um único show no Rock In Rio 3, e um oitavo do que fatura com uma apresentação em 2016. Mas eles poderiam ter tocado de graça e o retorno ainda seria compensador. O grupo voltou para Los Angeles com uma nação de dimensões continentais louca para pôr as mãos em qualquer coisa com o logotipo da banda estampado.

O ‘novo disco do Guns N’ Roses’, dizia-se nos telefones sem fio, sairia ainda naquele semestre. Afinal, se o grupo já tinha apresentado tantas faixas novas nos dois shows cariocas – sete no total, o que se supunha então ser mais da metade do álbum – o processo deveria estar próximo do fim. Até estava, e quando a turnê ‘Get In The Ring Motherfucker’ começou em maio de 1991, a demanda por material novo da banda já era tão grande que os shows – já com repertório tirado do vindouro trabalho – gravados ilegalmente e de maneira amadora eram pirateados e comercializados ao redor do mundo em fita cassete e vinil.

No mesmo mês de maio, a – mais uma vez ela – Bizz trouxe em suas páginas [que a essa altura, já figurando uma meia dúzia de jornalistas da ‘escola’ Rolling Stone/NME -brasileiros de nascença com complexo de londrino e que abominavam qualquer coisa que figurasse no mainstream – escrutinizava a banda em qualquer oportunidade] uma declaração de alguém no campo da banda dizendo que o disco não sairia por enquanto para que fosse mixado novamente, de modo que o som ficasse ‘mais sujo’, e que o lançamento ficaria ‘mais pro final do ano’.

A sensação de fel na boca que o ‘mais para o final do ano’ causou em quem esperava pelo álbum foi dissipada em parte por mais uma incursão do Guns N’ Roses pela sétima arte: ‘You Could Be Mine’, que já era conhecida do público por sua execução no Rock In Rio, era lançada como single e fora incluída na trilha sonora do filme mais aguardado daquele ano: ‘O Exterminador do Futuro 2’.

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Lançada nas rádios no dia 18 de junho [o filme chegaria ao Brasil em agosto], a faixa e o filme, em mais uma martelada certeira do destino em dois pregos ao mesmo tempo, promoveram um ao outro. A capa do single tinha Arnold Schwarzenegger caracterizado como o modelo cibernético T-800, e o vídeo promocional da canção contava com o ator em uma participação inusitada, com todo um contexto do enredo do filme inserido numa apresentação do grupo.

Originalmente, o clipe de ‘You Could Be Mine’ fora concebido e gravado sem visar a inclusão da música no filme de James Cameron, e uma versão ‘Director’s Cut’ da edição fundamental do diretor MARK RACCO veio à tona há pouco, confira no vídeo abaixo:

Lembremos que na época, Schwarzenegger era o ator mais conhecido do globo, e qualquer banda pagaria qualquer coisa para tê-lo em seu set.

Voltemos ao Brasil. Cerca de três semanas antes do lançamento de ‘Use Your Illusion’, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira a ‘Terminator 2’, ressaltando as revolucionárias técnicas de efeitos especiais do filme, o estrelato do imigrante austríaco que tinha se tornado o ator mais bem pago do cinema de ação, e claro, vários trechos de ‘You Could Be Mine’ ao longo do programa, expondo o Guns N’ Roses mais uma vez ao país todo em horário nobre.

Cerca de uma semana antes do lançamento do disco, ‘Don’t Cry’, uma faixa que a banda não tinha tocado no Rock In Rio e que só era conhecida por quem tivesse ‘descolado’ uma fita cassete bootleg de shows antigos da banda de idos de 1985 até 1987 [há uma versão excelente da música sendo executada pela banda no finado The Marquee de Londres nos notórios shows de Junho de 1987] ou de algum outro ocorrido naqueles longos seis meses antecedendo a seu lançamento oficial, chegava às rádios nacionais, e de cara, chegava ao topo das paradas do Brasil. Dado surreal: por ‘paradas’, entenda-se ‘o que tocava na [pasmem! ] Jovem Pan e/ou Transamérica’. Isso mesmo, em 1991, a Jovem Pan tocava Guns N’ Roses. A revista Veja [na época em que a revista tinha a relevância de quarto poder] entregue às bancas no domingo anterior a 17 de setembro deu duas páginas de destaque aos ‘Use Your Illusion, revelando que seriam de fato dois discos, e que a experiência fonográfica ultrapassava 3 horas de audição. E não, a resenha da revista não era lá muito favorável aos compêndios.

O dado mais importante da matéria da Veja: uma data definitiva, 17 de setembro, terça-feira, menos de 48 horas depois deu ter lido a revista.

Claro, as horas seguintes passaram muito devagar para mim, por mais de um motivo: 1 – eu mal podia me aguentar de ansiedade, e 2 – se eu tivesse que comprar dois discos ao invés de um, minha regulada mesada de estudante aos 17 anos vivendo em uma república em Ribeirão Preto seria seriamente desfalcada com essa extravagância. Na verdade, eu não teria dinheiro suficiente para comprar dois vinis ‘zero’ naquela terça.

Na segunda-feira à noite, contudo, liguei a cobrar de um orelhão [não existia telefonia celular no país] para meus pais em GO, e surpreendentemente, meu pai, antenado como nunca – ou como sempre – me disse que sabia do lançamento dos discos, e que quando eu soubesse do preço deles, que o avisasse, e que ele depositaria o dinheiro de presente para mim. Daí então, ao invés das horas passarem mais rapidamente, elas começaram a ficar mais longas.

Voltei para casa e assistindo ao Jornal Da Globo – que na época era apresentado por William Bonner e Fátima Bernardes – ouço antes de uma chamada para o intervalo: ‘E depois dos comerciais, o tumulto nas lojas americanas pelo novo disco do Guns N’ Roses’. Eu já não sei que horas da madrugada eram quando a matéria foi exibida, mas todo aquele furdunço que podemos ver pela internet hoje em dia estava ali, sendo transmitido pelos escritórios da Globo em Nova Iorque, mas com imagens da Tower Records de Sunset Strip [Los Angeles], que havia aberto as portas às 0h [e fecharia às 2 da manhã] para vender o disco, que em CD, custava 15 dólares cada volume.

Um interlúdio sobre a Tower Records: a relação da marca GN’R com a filial de Sunset Strip é longa e poética. Slash foi pego furtando cassetes quando adolescente por funcionários da loja, Rose chegou a dormir na parte de trás do estacionamento, e tanto um como o outro chegaram a trabalhar na subfilial especializada em vídeo, do outro lado da rua. A rede Tower não existe mais – sucumbiu ao compartilhamento de arquivos em 2006 – e manteve-se ativa apenas no Japão, onde sua loja ocupa uma torre [sem trocadilhos] de mais de 10 andares no coração de Tóquio. Poeticamente, foi na mesma Tower de Sunset Strip que os ingressos para a apresentação da volta de Duff & Slash ao lineup da banda no último 8 de abril.

Voltemos ao dia que não acabou.

Gente saindo com os CDs em long box [quantos de vocês já tiveram um CD em embalagem long box nas mãos? ] gritando e acenando para as câmeras. Estações de rádio tinham montado acampamento em lojas ao redor do país para registrar o fato. Pôsteres gigantes com as capas dos dois discos cobrindo as vitrines do teto ao chão.

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E assim eu perdi definitivamente meu sono, na expectativa de que, caso eu matasse aula, poderia adquirir os álbuns ainda pela manhã e começar a ouvi-los antes do almoço. Mas claro que eu não podia, o que eu diria a meus pais?

Minutos depois de a matéria ter sido exibida, meu irmão adentra o apartamento e antes que eu pudesse informá-lo do que eu tinha acabado de ver, ele me diz, sem muito entusiasmo: ‘Você viu os discos do Guns? Eu vi lá no Carrefour do shopping hoje. São dois discos duplos, né? ’. Meu mundo caiu. Então o disco já tinha sido lançado no Brasil, chegado ao interior paulista e eu parado em casa? Mal sabia eu, é praxe que discos sejam lançados em certos países um dia antes dos EUA.

Eu fui à aula naquela terça, ainda que minha mente não tenha se focado por momento algum no que seis qualificados professores tenham explicado das 7h às 12h30min.  Quando eu saí da escola, também não me interessava almoçar. Liguei de um orelhão [com fichas de chumbo, não com cartão de papel] para uma loja razoavelmente careira do centro da cidade, e informei o preço a minha mãe em seguida. Ela conseguiu fazer o depósito para minha conta só ligando para o gerente do banco e meu irmão, munido do cartão do Bradesco Instantâneo, rumou para o Carrefour num ônibus, encarregado de trazer as quatro bolachas.

Se não me engano, ele deve ter chegado de volta pouco antes das 4 horas da tarde, e começamos a ouvir da primeira faixa, em ordem cronológica, e sem parar. E assim fomos, eu, ele e nosso outro colega de república, de ‘Right Next Door to Hell’ até ‘My World’. Acabamos por volta de 8 horas da noite, e eu confesso: não ‘entendi’ aquele disco de cara. Era diversificado demais, longo demais, adulto demais, complexo demais. Pois bem, jantamos e o ouvimos de novo, dessa vez pulando as faixas que não nos agradavam tanto.

Naquela semana, o que houve de publicidade para a banda no Brasil nunca se viu e nunca mais vai ser visto. No mesmo domingo em que li a tal edição da Veja, uma banda cover do Guns N’ Roses se apresentou no Domingão do Faustão, com direito a Slash e Axl de peruca tocando ‘You Could Be Mine’. No decorrer da semana, as Lojas Americanas anunciavam em um comercial confeccionado somente para a oferta, que ‘ninguém vendia o novo disco do Guns N’ Roses tão barato’. Na [já finada loja de departamentos] Mesbla, você encontrava até camisetas para crianças de 4 anos com o logotipo do grupo. Mesma coisa no igualmente liquidado magazine Mappin. Foi o começo da superpopularização do grupo, assim como a alvorada de sua saturação.

Use Your Illusion I estreou em #2 na parada da [revista estadunidense] Billboard, vendendo 685 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, menos do que “Use Your Illusion II, que chegou as 770 mil cópias em 7 dias e, portanto, arrebatou o primeiro posto da tabela.

Cada um dos Illusion venderia mais de 14 milhões de cópias mundo afora.

Atualmente, o modo mais fiel de ouvir aos dois volumes da obra é em SHM-CD [categoria de CD acrescida de 1.2mm de resina plástica de policarbonato que melhora a transparência do lado inferior do disco, provendo uma melhor leitura, e, portanto, melhor reprodução] nos relançamentos japoneses de toda a discografia do GN’R já de maio de 2016. Tais prensagens são vendidas em embalagem ‘mini LP’ e reproduzem fidedignamente o encarte do LP de vinil da época.

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Os números de catálogo para quem quiser encomendar ambos via lojista/internet são:

  • Use Your Illusion I UICY-94336
  • Use Your Illusion II UICY-94337

 

 

 

Use Your Illusion: 24 anos atrás, o GN’R dava um mata-leão na indústria

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17 de setembro de 1991.

Se você tem por volta de 30 anos ou mais, deve ter lembranças vívidas do que foi aquele dia [ou aquela noite]. E tal como eu, não deve ter referência nenhuma de comoção tão grande em cima de uma banda nem antes, nem depois.

Há exatos 20 anos, o GUNS N’ ROSES simplesmente tomou de assalto a indústria fonográfica da civilização ocidental por uma noite, e só não o fez também com a oriental porque o sol já havia nascido por lá.

Numa manobra inédita, ousada e megalômana, o grupo lançava dois discos duplos – o vinil ainda servia de referência em muitos mercados – simultaneamente, sendo que já excursionava para promovê-los fazia quase seis meses.

Eu não temo pagar minha língua depois ao afirmar que jamais haverá uma convergência de preparo, potencial, oportunidade, sincronia e momentum para uma banda como houve naquele ano, em torno do tão aguardado ‘novo disco do Guns N’ Roses’. Mas aquela supernova começara a explodir muito antes.

Lembro que em 1989, ao jornal Folha de São Paulo, em uma edição dominical, anunciava que o ‘mercado heavy’ queria o recorde de Michael Jackson, fazendo uma referência à prensagem inicial de ‘Bad’, do falecido cantor, que havia sido lançado nas lojas dos EUA com 3,7 milhões de cópias. O ‘mercado heavy’ do qual a Folha falava era o então futuro lançamento de ‘Dr. Feelgood’ do MÖTLEY CRÜE, que teria 3 milhões de unidades despachadas no dia 23 de setembro daquele ano. O mesmo artigo dizia que o recorde deveria ser arrebatado pelo novo disco do Guns N’ Roses, previsto para 1990 e que deveria sair do prelo com 4 milhões de cópias prontas.

Para quem já era fã do grupo ou conhecia a banda de Axl, Slash, Duff, Izzy e Steven, 1990 foi o mais longo dos anos. Tudo que ficamos sabendo – através das pouquíssimas fontes de informação que tínhamos no país na época – foi do lançamento do cover de “Knockin’ On Heaven’s Door” na trilha sonora de ‘Dias de Trovão’ [iniciando uma série de inteligentes parcerias da banda com o cinema – ignorem ‘Dirty Harry na Lista Negra’, com Jim Carrey cantando ‘Welcome to the Jungle’] e da demissão de Steven Adler [seguindo uma performance sofrível dele no FARM AID organizado pelo músico country WILLIE NELSON], assim como de sua substituição pelo ‘baterista do The Cult’, que é como a maioria de referia ao ilustre desconhecido do qual ninguém tinha foto [aonde, em 1990, você procuraria por uma foto de Matt Sorum?].

A MTV chegou ao Brasil no final daquele ano e até ali, só restava aos fãs da banda comprar a [revista] Bizz todo mês e ler quatro linhas que fossem que em sumo, diziam que ‘Axl afirmou que as gravações do novo disco estão quase terminadas’ e/ou comprar a Rock Brigade, que só falava em Guns N’ Roses em caso de escândalo e quase sempre em tom jocoso. A melhor notícia de 1990? O Jornal Nacional anunciar em horário nobre que o Guns N’ Roses faria dois shows na segunda edição do Rock In Rio em janeiro de 1991.

Em 1991, shows estrangeiros no Brasil ainda eram um grande acontecimento. Qualquer gringo de férias pelo país que tocasse pandeiro na praia ganhava duas páginas no Globo. Um festival com as proporções do Rock In Rio ganhava uma importância que todo o circuito de festivais existente em território nacional hoje não alcança. O festival ocorria nas férias escolares, e depois da primeira fase e antes da segunda etapa dos principais vestibulares de universidades públicas, para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ir. Sendo assim, e com menos de 10 canais por assinatura disponíveis no mercado [e mesmo assim somente nas quatro maiores cidades do país], a Rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do RIR para TV aberta no território nacional – como sempre faz, até hoje, apesar de não admitir que também patrocina pesadamente o festival.

Sem entrar em detalhes sobre a passagem da banda offstage pelo país, a exibição dos dois shows de Axl et al, em especial a do dia 20 de janeiro, expôs a banda a todo o território nacional numa noite de domingo, pouco depois do horário do Fantástico. Foi naquela transmissão que o Guns N’ Roses fundiu em aço sua popularidade no Brasil. Quem não conhecia, ficou conhecendo; quem já conhecia, estava esperando, e quem já gostava, passou a gostar mais; quem não assistiu na época, ou nasceu 10 anos depois do espetáculo, descobriu a banda por esse show no YouTube, e provavelmente sabe o set list de cabeça. Falando de novo em convergência de fatores, o público assistiu a uma banda no auge da carreira se apresentando num país de terceiro mundo, o que era MUITO incomum. E isso foi muito apreciado. A plateia brasileira também era menos acostumada a shows, e, portanto [mesmo sob um calor que dava novo sentido ao termo ‘Equatorial’ – eu estava lá], muito mais agitada e calorosa – o que comoveu a banda.

Na época, o Guns N’ Roses recebeu 500 mil dólares pelas duas apresentações no Maracanã – metade do que a versão 2001 do grupo receberia por um único show no Rock In Rio 3. Mas eles poderiam ter tocado de graça e o retorno ainda seria compensador. O grupo voltou para Los Angeles com uma nação de dimensões continentais louca para pôr as mãos em qualquer coisa com o logotipo da banda estampado.

O ‘novo disco do Guns N’ Roses’, dizia-se nos telefones sem fio, sairia ainda naquele semestre. Afinal, se o grupo já tinha apresentado tantas faixas novas nos dois shows cariocas – sete no total, o que se supunha então ser mais da metade do álbum – o processo deveria estar próximo do fim. Até estava, e quando a turnê ‘Get In The Ring Motherfucker’ começou em maio de 1991, a demanda por material novo da banda já era tão grande que os shows – já com repertório tirado do vindouro trabalho – gravados ilegalmente e de maneira amadora eram pirateados e comercializados ao redor do mundo em fita cassete e vinil.

No mesmo mês de maio, a – mais uma vez ela – Bizz trouxe em suas páginas [que a essa altura, já figurando uma meia dúzia de jornalistas da ‘escola’ Rolling Stone/NME -brasileiros de nascença com complexo de Londrino e que abominavam qualquer coisa que figurasse no mainstream – escrutinizava a banda em qualquer oportunidade] uma declaração de alguém no campo da banda dizendo que o disco não sairia por enquanto para que fosse mixado novamente, de modo que o som ficasse ‘mais sujo’, e que o lançamento ficaria ‘mais pro final do ano’.

A sensação de fel na boca que o ‘mais para o final do ano’ causou em quem esperava pelo álbum foi dissipada em parte por mais uma incursão do Guns N’ Roses pela sétima arte: ‘You Could Be Mine’, que já era conhecida do público por sua execução no Rock In Rio, era lançada como single e fora incluída na trilha sonora do filme mais aguardado daquele ano: ‘O Exterminador do Futuro 2’.

Lançada nas rádios no dia 18 de junho [o filme chegaria ao Brasil em agosto], a faixa e o filme, em mais uma martelada certeira do destino em dois pregos ao mesmo tempo, promoveram um ao outro. A capa do single tinha Arnold Schwarzenegger caracterizado como o modelo cibernético T-800, e o vídeo promocional da canção contava com o ator em uma participação inusitada, com todo um contexto do enredo do filme inserido numa apresentação do grupo.

Originalmente, o clipe de ‘You Could Be Mine’ fora concebido e gravado sem visar a inclusão da música no filme de James Cameron, e uma versão ‘Director’s Cut’ da edição fundamental do diretor MARK RACCO veio à tona há pouco, confira no vídeo abaixo:

 

 

Lembremos que na época, Schwarzenegger era o ator mais conhecido do globo, e qualquer banda pagaria qualquer coisa para tê-lo em seu set.

Voltemos ao Brasil. Cerca de três semanas antes do lançamento de ‘Use Your Illusion’, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira a ‘Terminator 2’, ressaltando as revolucionárias técnicas de efeitos especiais do filme, o estrelato do imigrante austríaco que tinha se tornado o ator mais bem pago do cinema de ação, e claro, vários trechos de ‘You Could Be Mine’ ao longo do programa, expondo o Guns N’ Roses mais uma vez ao país todo em horário nobre.

Cerca de uma semana antes do lançamento do disco, ‘Don’t Cry’, uma faixa que a banda não tinha tocado no Rock In Rio e que só era conhecida por quem tivesse ‘descolado’ uma fita cassete bootleg de shows antigos da banda de idos de 1985 até 1987 [há uma versão excelente da música sendo executada pela banda no finado The Marquee de Londres nos notórios shows de Junho de 1987] ou de algum outro ocorrido naqueles longos seis meses antecedendo a seu lançamento oficial, chegava às rádios nacionais, e de cara, chegava ao topo das paradas do Brasil. Dado surreal: por ‘paradas’, entenda-se ‘o que tocava na [pasmem! ] Jovem Pan e/ou Transamérica’. Isso mesmo, em 1991, a Jovem Pan tocava Guns N’ Roses. A revista Veja [na época em que a revista tinha a relevância de quarto poder] entregue às bancas no domingo anterior a 17 de setembro deu duas páginas de destaque aos ‘Use Your Illusion, revelando que seriam de fato dois discos, e que a experiência fonográfica ultrapassava 3 horas de audição. E não, a resenha da revista não era lá muito favorável aos compêndios.

O dado mais importante da matéria da Veja: uma data definitiva, 17 de setembro, terça-feira, menos de 48 horas depois deu ter lido a revista.

Claro, as horas seguintes passaram muito devagar para mim, por mais de um motivo: 1 – eu mal podia me aguentar de ansiedade, e 2 – se eu tivesse que comprar dois discos ao invés de um, minha regulada mesada de estudante aos 17 anos vivendo em uma república em Ribeirão Preto seria seriamente desfalcada com essa extravagância. Na verdade, eu não teria dinheiro suficiente para comprar dois vinis ‘zero’ naquela terça.

Na segunda-feira à noite, contudo, liguei a cobrar de um orelhão [não existia telefonia celular no país] para meus pais em GO, e surpreendentemente, meu pai, antenado como nunca – ou como sempre – me disse que sabia do lançamento dos discos, e que quando eu soubesse do preço deles, que o avisasse, e que ele depositaria o dinheiro de presente para mim. Daí então, ao invés das horas passarem mais rapidamente, elas começaram a ficar mais longas.

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Voltei para casa e assistindo ao Jornal Da Globo – que na época era apresentado por William Bonner e Fátima Bernardes – ouço antes de uma chamada para o intervalo: ‘E depois dos comerciais, o tumulto nas lojas americanas pelo novo disco do Guns N’ Roses’. Eu já não sei que horas da madrugada eram quando a matéria foi exibida, mas todo aquele furdunço que podemos ver pela internet hoje em dia estava ali, sendo transmitido pelos escritórios da Globo em Nova Iorque, mas com imagens da Tower Records de Sunset Strip [Los Angeles], que havia aberto as portas às 00h00 min para vender o disco. Gente saindo com os CDs em long box [quantos de vocês já tiveram um CD em embalagem long box nas mãos? ] gritando e acenando para as câmeras. Estações de rádio tinham montado acampamento em lojas ao redor do país para registrar o fato. Pôsteres gigantes com as capas dos dois discos cobrindo as vitrines do teto ao chão.

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E assim eu perdi definitivamente meu sono, na expectativa de que, caso eu matasse aula, poderia adquirir os álbuns ainda pela manhã e começar a ouvi-los antes do almoço. Mas claro que eu não podia, o que eu diria a meus pais?

Minutos depois de a matéria ter sido exibida, meu irmão adentra o apartamento e antes que eu pudesse informá-lo do que eu tinha acabado de ver, ele me diz, sem muito entusiasmo: ‘Você viu os discos do Guns? Eu vi lá no Carrefour do shopping hoje. São dois discos duplos, né? ’. Meu mundo caiu. Então o disco já tinha sido lançado no Brasil, chegado ao interior paulista e eu parado em casa? Mal sabia eu, é praxe que discos sejam lançados em certos países um dia antes dos EUA.

Eu fui à aula naquela terça, ainda que minha mente não tenha se focado por momento algum no que seis qualificados professores tenham explicado das 7h às 12h30min. Quando eu saí da escola, também não me interessava almoçar. Liguei de um orelhão [com fichas de chumbo, não com cartão de papel] para uma loja razoavelmente careira do centro da cidade, e informei o preço a minha mãe em seguida. Ela conseguiu fazer o depósito para minha conta só ligando para o gerente do banco e meu irmão, munido do cartão do Bradesco Instantâneo, rumou para o Carrefour num ônibus, encarregado de trazer as quatro bolachas.

Se não me engano, ele deve ter chegado de volta pouco antes das 4 horas da tarde, e começamos a ouvir da primeira faixa, em ordem cronológica, e sem parar. E assim fomos, eu, ele e nosso outro colega de república, de ‘Right Next Door to Hell’ até ‘My World’. Acabamos por volta de 8 horas da noite, e eu confesso: não ‘entendi’ aquele disco de cara. Era diversificado demais, longo demais, adulto demais, complexo demais. Pois bem, jantamos e o ouvimos de novo, dessa vez pulando as faixas que não nos agradavam tanto.

Naquela semana, o que houve de publicidade para a banda no Brasil nunca se viu e nunca mais vai ser visto. No mesmo domingo em que li a tal edição da Veja, uma banda cover do Guns N’ Roses se apresentou no Domingão do Faustão, com direito a Slash e Axl de peruca tocando ‘You Could Be Mine’. No decorrer da semana, as Lojas Americanas anunciavam em um comercial confeccionado somente para a oferta, que ‘ninguém vendia o novo disco do Guns N’ Roses tão barato’. Na [já finada loja de departamentos] Mesbla, você encontrava até camisetas para crianças de 4 anos com o logotipo do grupo. Mesma coisa no igualmente liquidado magazine Mappin. Foi o começo da superpopularização do grupo, assim como a alvorada de sua saturação.

Use Your Illusion I estreou em #2 na parada da [revista estadunidense] Billboard, vendendo 685 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, menos do que “Use Your Illusion II, que chegou as 770 mil cópias em 7 dias e, portanto, arrebatou o primeiro posto da tabela.

Cada um dos Illusion venderia mais de 14 milhões de cópias mundo afora.

Matt Sorum: músico fala das sessões do GN’R pós-Use Your Illusion

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O site CONCERTFY entrevistou recentemente o ex-baterista do GUNS N’ ROSES/VELVET REVOLVER [dentre tantos outros grupos] MATT SORUM sobre seu novo álbum solo, ‘Matt Sorum’s Fierce Joy’ assim sobre seus outros projetos, que incluem o KINGS OF CHAOS, CAMP FREDDY, e sim, também o VELVET REVOLVER.

Abaixo, um pequeno trecho traduzido da conversa no qual Sorum aborda sucintamente as composições com o Guns N’ Roses pós-Use Your Illusion na metade dos anos 90. ‘Nós apenas fazíamos muitas jams, porque o lance com Axl é que ele nunca cantava em nada até que tudo estivesse terminado, então nunca haviam vocais, mas tínhamos muitos riffs. Tínhamos toneladas de riffs [risos].

Sorum também revelou que ele estaria disposto a entrar em outra banda grande em tempo integral nesse estágio de sua carreira:

Se o LED ZEPPELIN precisasse de um baterista, estou disponível, se o AC/DC precisasse de um baterista, eu estou disponível. Grande, tem que ser banda grande [risos]. Eu vou tocar com o Kings Of Chaos, vou tocar com minha banda solo, vou fazer meus eventos de caridade, que eu amo, eu sou casado agora, então vou passar tempo com minha esposa. Eu tenho dois buldogues franceses, talvez eu produza alguma coisa. Eu estou me envolvendo com filmes, fui produtor executivo de um filme chamado ‘Sunset Strip: The Movie’, passa no Showtime. Então estou entrando um pouco no mundo do cinema, um pouco no mundo das artes, eu fiz uma coleção. Se você for ao site MattSorumArt.com, verá que fiz toda essa arte interessante com baterias, estou mexendo com outras coisas, procurando por ideias empreendedoras porque, como músicos, temos que nos reinventar, temos que seguir em frente e irmos nos reinventando”.

 

 

Use Your Illusion: 22 anos atrás, o GN’R dava um mata-leão na indústria

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Por Nacho Belgrande

17 de Setembro de 1991.

Se você tem por volta de 30 anos ou mais, deve ter lembranças vívidas do que foi aquele dia [ou aquela noite]. E tal como eu, não deve ter referência nenhuma de comoção tão grande em cima de uma banda nem antes, nem depois.

Há exatos 20 anos, o GUNS N’ ROSES simplesmente tomou de assalto a indústria fonográfica da civilização ocidental por uma noite, e só não o fez também com a oriental porque o sol já havia nascido por lá.

Numa manobra inédita, ousada e megalômana, o grupo lançava dois discos duplos – o vinil ainda servia de referência em muitos mercados – simultaneamente, sendo que já excursionava para promovê-los fazia quase seis meses.

Eu não temo pagar minha língua depois ao afirmar que jamais haverá uma convergência de preparo, potencial, oportunidade, sincronia e momentum para uma banda como houve naquele ano, em torno do tão aguardado ‘novo disco do Guns N’ Roses’. Mas aquela supernova começara a explodir muito antes.

Lembro que em 1989, ao jornal Folha de São Paulo, em uma edição dominical, anunciava que o ‘mercado heavy’ queria o recorde de Michael Jackson, fazendo uma referência à prensagem inicial de ‘Bad’, do falecido cantor, que havia sido lançado nas lojas dos EUA com 3,7 milhões de cópias. O ‘mercado heavy’ do qual a Folha falava era o então futuro lançamento de ‘Dr. Feelgood’ do MÖTLEY CRÜE, que teria 3 milhões de unidades despachadas no dia 23 de setembro daquele ano. O mesmo artigo dizia que o recorde deveria ser arrebatado pelo novo disco do Guns N’ Roses, previsto para 1990 e que deveria sair do prelo com 4 milhões de cópias prontas.

Pra quem já era fã do grupo ou conhecia a banda de Axl, Slash, Duff, Izzy e Steven, 1990 foi o mais longo dos anos. Tudo que ficamos sabendo – através das pouquíssimas fontes de informação que tínhamos no país na época – foi do lançamento do cover de “Knockin’ On Heaven’s Door” na trilha sonora de ‘Dias de Trovão’ [iniciando uma série de inteligentes parcerias da banda com o cinema – ignorem ‘Dirty Harry na Lista Negra’, com Jim Carrey cantando ‘Welcome to the Jungle’] e da demissão de Steven Adler [seguindo uma performance sofrível dele no FARM AID organizado pelo músico country WILLIE NELSON], assim como de sua substituição pelo ‘baterista do The Cult’, que é como a maioria de referia ao ilustre desconhecido do qual ninguém tinha foto [aonde, em 1990, você procuraria por uma foto de Matt Sorum?].

A MTV chegou ao Brasil no final daquele ano e até ali, só restava aos fãs da banda comprar a [revista] Bizz todo mês e ler quatro linhas que fossem que em sumo, diziam que ‘Axl afirmou que as gravações do novo disco estão quase terminadas’ e/ou comprar a Rock Brigade, que só falava em Guns N’ Roses em caso de escândalo e quase sempre em tom jocoso. A melhor notícia de 1990? O Jornal Nacional anunciar em horário nobre que o Guns N’ Roses faria dois shows na segunda edição do Rock In Rio em janeiro de 1991.

Em 1991, shows estrangeiros no Brasil ainda eram um grande acontecimento. Qualquer gringo de férias pelo país que tocasse pandeiro na praia ganhava duas páginas no Globo. Um festival com as proporções do Rock In Rio ganhava uma importância que todo o circuito de festivais existente em território nacional hoje não alcança. O festival ocorria nas férias escolares, e depois da primeira fase e antes da segunda etapa dos principais vestibulares de universidades públicas, para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ir. Sendo assim, e com menos de 10 canais por assinatura disponíveis no mercado [e mesmo assim somente nas quatro maiores cidades do país], a Rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do RIR para TV aberta no território nacional – como sempre faz, até hoje, apesar de não admitir que também patrocina pesadamente o festival.

Sem entrar em detalhes sobre a passagem da banda offstage pelo país, a exibição dos dois shows de Axl et al, em especial a do dia 20 de janeiro, expôs a banda a todo o território nacional numa noite de domingo, pouco depois do horário do Fantástico. Foi naquela transmissão que o Guns N’ Roses fundiu em aço sua popularidade no Brasil. Quem não conhecia, ficou conhecendo; quem já conhecia, estava esperando, e quem já gostava, passou a gostar mais; quem não assistiu na época, ou nasceu 10 anos depois do espetáculo, descobriu a banda por esse show no YouTube, e provavelmente sabe o set list de cabeça. Falando de novo em convergência de fatores, o público assistiu a uma banda no auge da carreira se apresentando num país de terceiro mundo, o que era MUITO incomum. E isso foi muito apreciado. A plateia brasileira também era menos acostumada a shows, e, portanto [mesmo sob um calor que dava novo sentido ao termo ‘Equatorial’ – eu estava lá], muito mais agitada e calorosa – o que comoveu a banda.

Na época, o Guns N’ Roses recebeu 500 mil dólares pelas duas apresentações no Maracanã – metade do que a versão 2001 do grupo receberia por um único show no Rock In Rio 3. Mas eles poderiam ter tocado de graça e o retorno ainda seria compensador. O grupo voltou para Los Angeles com uma nação de dimensões continentais louca para pôr as mãos em qualquer coisa com o logotipo da banda estampado.

O ‘novo disco do Guns N’ Roses’, dizia-se nos telefones sem fio, sairia ainda naquele semestre. Afinal, se o grupo já tinha apresentado tantas faixas novas nos dois shows cariocas – sete no total, o que se supunha então ser mais da metade do álbum – o processo deveria estar próximo do fim. Até estava, e quando a turnê ‘Get In The Ring Motherfucker’ começou em maio de 1991, a demanda por material novo da banda já era tão grande que os shows – já com repertório tirado do vindouro trabalho – gravados ilegalmente e de maneira amadora eram pirateados e comercializados ao redor do mundo em fita cassete e vinil.

No mesmo mês de maio, a – mais uma vez ela – Bizz trouxe em suas páginas [que a essa altura, já figurando uma meia dúzia de jornalistas da ‘escola’ Rolling Stone/NME -brasileiros de nascença com complexo de Londrino e que abominavam qualquer coisa que figurasse no mainstream – escrutinizava a banda em qualquer oportunidade] uma declaração de alguém no campo da banda dizendo que o disco não sairia por enquanto para que fosse mixado novamente, de modo que o som ficasse ‘mais sujo’, e que o lançamento ficaria ‘mais pro final do ano’.

A sensação de fel na boca que o ‘mais pro final do ano’ causou em quem esperava pelo álbum foi dissipada em parte por mais uma incursão do Guns N’ Roses pela sétima arte: ‘You Could Be Mine’, que já era conhecida do público por sua execução no Rock In Rio, era lançada como single e fora incluída na trilha sonora do filme mais aguardado daquele ano: ‘O Exterminador do Futuro 2’.

Lançada nas rádios no dia 18 de Junho [o filme chegaria ao Brasil em Agosto], a faixa e o filme, em mais uma martelada certeira do destino em dois pregos ao mesmo tempo, promoveram um ao outro. A capa do single tinha Arnold Schwarzenegger caracterizado como o modelo cibernético T-800, e o vídeo promocional da canção contava com o ator em uma participação inusitada, com todo um contexto do enredo do filme inserido numa apresentação do grupo.

Originalmente, o clipe de ‘You Could Be Mine’ fora concebido e gravado sem visar a inclusão da música no filme de James Cameron, e uma versão ‘Director’s Cut’ da edição fundamental do diretor MARK RACCO veio à tona há pouco, confira no vídeo abaixo:

 

Lembremos que na época, Schwarzenegger era o ator mais conhecido do globo, e qualquer banda pagaria qualquer coisa para tê-lo em seu set.

Voltemos ao Brasil. Cerca de três semanas antes do lançamento de ‘Use Your Illusion’, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira a ‘Terminator 2’, ressaltando as revolucionárias técnicas de efeitos especiais do filme, o estrelato do imigrante austríaco que tinha se tornado o ator mais bem pago do cinema de ação, e claro, vários trechos de ‘You Could Be Mine’ ao longo do programa, expondo o Guns N’ Roses mais uma vez ao país todo em horário nobre.

Cerca de uma semana antes do lançamento do disco, ‘Don’t Cry’, uma faixa que a banda não tinha tocado no Rock In Rio e que só era conhecida por quem tivesse ‘descolado’ uma fita cassete bootleg de shows antigos da banda de idos de 1985 até 1987 [há uma versão excelente da música sendo executada pela banda no finado The Marquee de Londres nos notórios shows de Junho de 1987] ou de algum outro ocorrido naqueles longos seis meses antecedendo a seu lançamento oficial, chegava às rádios nacionais, e de cara, chegava ao topo das paradas do Brasil. Dado surreal: por ‘paradas’, entenda-se ‘o que tocava na [pasmem!] Jovem Pan e/ou Transamérica’. Isso mesmo, em 1991, a Jovem Pan tocava Guns N’ Roses. A revista Veja [na época em que a revista tinha a relevância de quarto poder] entregue às bancas no domingo anterior a 17 de Setembro deu duas páginas de destaque aos ‘Use Your Illusion, revelando que seriam de fato dois discos, e que a experiência fonográfica ultrapassava 3 horas de audição. E não, a resenha da revista não era lá muito favorável aos compêndios.

O dado mais importante da matéria da Veja: uma data definitiva, 17 de setembro, terça-feira, menos de 48 horas depois deu ter lido a revista.

Claro, as horas seguintes passaram muito devagar para mim, por mais de um motivo: 1 – eu mal podia me aguentar de ansiedade, e 2 – se eu tivesse que comprar dois discos ao invés de um, minha regulada mesada de estudante aos 17 anos vivendo em uma república em Ribeirão Preto seria seriamente desfalcada com essa extravagância. Na verdade, eu não teria dinheiro suficiente para comprar dois vinis ‘zero’ naquela terça.

Na segunda-feira à noite, contudo, liguei a cobrar de um orelhão [não existia telefonia celular no país] para meus pais em GO, e surpreendentemente, meu pai, antenado como nunca – ou como sempre – me disse que sabia do lançamento dos discos, e que quando eu soubesse do preço deles, que o avisasse, e que ele depositaria o dinheiro de presente para mim. Daí então, ao invés das horas passarem mais rapidamente, elas começaram a ficar mais longas.

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Voltei para casa e assistindo ao Jornal Da Globo – que na época era apresentado por William Bonner e Fátima Bernardes – ouço antes de uma chamada para o intervalo: ‘E depois dos comerciais, o tumulto nas lojas americanas pelo novo disco do Guns N’ Roses’. Eu já não sei que horas da madrugada eram quando a matéria foi exibida, mas todo aquele furdúncio que podemos ver pela internet hoje em dia estava ali, sendo transmitido pelos escritórios da Globo em Nova Iorque, mas com imagens da Tower Records de Sunset Strip [Los Angeles], que havia aberto as portas às 00h00min  para vender o disco. Gente saindo com os CDs em long box [quantos de vocês já tiveram um CD em embalagem long box nas mãos?] gritando e acenando para as câmeras. Estações de rádio tinham montado acampamento em lojas ao redor do país para registrar o fato. Pôsteres gigantes com as capas dos dois discos cobrindo as vitrines do teto ao chão.

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E assim eu perdi definitivamente meu sono, na expectativa de que, caso eu matasse aula, poderia adquirir os álbuns ainda pela manhã e começar a ouvi-los antes do almoço. Mas claro que eu não podia, o que eu diria a meus pais?

Minutos depois de a matéria ter sido exibida, meu irmão adentra o apartamento e antes que eu pudesse informá-lo do que eu tinha acabado de ver, ele me diz, sem muito entusiasmo: ‘Você viu os discos do Guns? Eu vi lá no Carrefour do shopping hoje. São dois discos duplos, né?’. Meu mundo caiu. Então o disco já tinha sido lançado no Brasil, chegado ao interior paulista e eu parado em casa? Mal sabia eu, é praxe que discos sejam lançados em certos países um dia antes dos EUA.

Eu fui à aula naquela terça, ainda que minha mente não tenha se focado por momento algum no que seis qualificados professores tenham explicado das 7h às 12h30min. Quando eu saí da escola, também não me interessava almoçar. Liguei de um orelhão [com fichas de chumbo, não com cartão de papel] para uma loja razoavelmente careira do centro da cidade, e informei o preço a minha mãe em seguida. Ela conseguiu fazer o depósito para minha conta só ligando para o gerente do banco e meu irmão, munido do cartão do Bradesco Instantâneo, rumou para o Carrefour num ônibus, encarregado de trazer as quatro bolachas.

Se não me engano, ele deve ter chegado de volta pouco antes das 4 horas da tarde, e começamos a ouvir da primeira faixa, em ordem cronológica, e sem parar. E assim fomos, eu, ele e nosso outro colega de república, de ‘Right Next Door to Hell’ até ‘My World’. Acabamos por volta de 8 horas da noite, e eu confesso: não ‘entendi’ aquele disco de cara. Era diversificado demais, longo demais, adulto demais, complexo demais. Pois bem, jantamos e o ouvimos de novo, dessa vez pulando as faixas que não nos agradavam tanto.

Naquela semana, o que houve de publicidade pra banda no Brasil nunca se viu e nunca mais vai ser visto. No mesmo domingo em que li a tal edição da Veja, uma banda cover do Guns N’ Roses se apresentou no Domingão do Faustão, com direito a Slash e Axl de peruca tocando ‘You Could Be Mine’. No decorrer da semana, as Lojas Americanas anunciavam em um comercial confeccionado somente para a oferta, que ‘ninguém vendia o novo disco do Guns N’ Roses tão barato’. Na [já finada loja de departamentos] Mesbla, você encontrava até camisetas para crianças de 4 anos com o logotipo do grupo. Mesma coisa no igualmente liquidado magazine Mappin. Foi o começo da superpopularização do grupo, assim como a alvorada de sua saturação.

Use Your Illusion I estreou em #2 na parada da [revista estadunidense] Billboard, vendendo 685 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, menos do que “Use Your Illusion II, que chegou as 770 mil cópias em 7 dias e, portanto, arrebatou o primeiro posto da tabela.

Cada um dos Illusion venderia mais de 14 milhões de cópias mundo afora.

‘Use Your Illusion’: 21 anos atrás, o começo do fim

modelo: Clara Aguilar

É difícil de acreditar que os imensamente bem-sucedidos e aguardados álbuns “Use Your Illusion I & II” foram lançados mais de duas décadas atrás. Vinte e um anos atrás, na verdade.

Até a presente data, “Use Your Illusion I” já vendeu mais de cinco milhões de cópias só nos EUA, e juntos, o duo passa das sete certificações de platina [mais uma vez, só nos EUA] desde o dia 17 de Setembro de 1991.

Naturalmente, não se pode falar de GUNS N’ ROSES sem abordar o duro passado de seus integrantes, mas isso em nada altera o fato deles terem criado algumas das maiores faixas da história do rock.

Com um dos maiores guitarrista na indústria – o encartolado SLASH – e uma das vozes mais únicas jamais ouvidas, a do maníaco-depressivo AXL ROSE, o Guns N’ Roses forneceu grandes clássicos durante seu curto reinado.

Os ‘Use Your Illusion’ não são diferentes, e estão repletos com músicas favoritas de vários fãs, incluindo ‘November Rain’, ‘Knockin On Heaven’s Door’, ‘Estranged’, e ‘You Could Be Mine’. Juntos, os discos tem 30 faixas.

Contudo, com tantas músicas, algumas coisas fogem do que os fãs esperavam. Em uma resenha no site AllMusic.com, um deles afirma que ‘Os dois guitarristas, em particular Izzy [Stradlin], estão tentando manter o grupo mais próximo de suas raízes no hard rock, mas Rose tem pretensões de ser Queen ou Elton John… tais aspirações poderiam ter sido divididas entre os dois discos, mas ao invés, disso, elas são simplesmente jogadas no liquidificador’. Esse ecletismo levou ao disco quádruplo a ser um dos trabalhos mais polarizantes, ainda que ambiciosos, da banda até hoje.

Os dois discos duplos [falando de vinil] foram promovidos pela turnê do mesmo nome que durou de janeiro de 1991 [se contarmos o Rock In Rio] até julho de 1993, e que se tornou uma das turnês mais longas da história da música. Foi em meio a essa turnê que Stradlin rompeu com a banda, deixando a sonoridade do grupo eternamente comprometida.

Guns N’ Roses: Matt Sorum fala – longamente – sobre os ‘Illusion’

O site Spitfire conversou com o ex-empregado contratado do GUNS N’ ROSES, MATT SORUM, que, dentre vários temas abordados, mencionou a elaboração do estilo de bateria predominante nas baladas do compêndio ‘Use Your Illusion’, de 1991. Um vídeo com a entrevista no original em inglês pode ser visto ao fim desta matéria.

“Tínhamos ficado em turnê por ume eternidade, o que no fim acabou por praticamente matar a nós todos [risos], mas a coisa tinha muito fôlego, como dizem na indústria musical. ”

Ele também lembrou de como bolou a bateria de ‘November Rain” com Axl Rose. “Eu e Axl estávamos lá no chão, pedimos caviar russo, estávamos com uma garrafa de vodka. Ficamos sentados ali, eu e Axl tarde da noite, e ouvíamos ‘Don’t Let The Sun Go Down On Me’, de Elton John. Ele era um grande fã de Elton, ele ama Elton. Estamos comendo o caviar, e tomando doses de vodka e essa baita virada épica cheia de peças entra, e Axl diz, ‘Eu quero que você faça isso, algo desse tipo, em November Rain’.

Axl ainda diria a Sorum que ele queria que a mesma coisa fosse feita em ‘Don’t Cry’ e ‘Estranged’ como parte da ‘trilogia’.

Guns N’ Roses: Veja Steven Adler tocando ‘You Could Be Mine’

O empresário e escritor estadunidense ASH AVILDSEN compartilhou, através de sua conta ao Instagram, um vídeo gravado cerca de duas semanas atrás, à ocasião de sua visita a um amigo – o emérito baterista do GUNS N’ ROSES, STEVEN ADLER.

No vídeo, Adler toca uma faixa que foge a seu catálogo com o GN’R: ‘You Could Be Mine’, do álbum “Use Your Illusion II’ – do qual pouco participou, já que, devido a seus problemas com substâncias ilícitas, acabou sendo demitido do grupo durante as gravações deste.

Assista abaixo ao vídeo postado por Avildsen.

 

 

 

Megadeth: Curioso com saracoteio de Axl, Dave louva ao Mötley Crüe

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O líder do MEGADETH, DAVE MUSTAINE, sempre teve uma relação conturbada com o GUNS N’ ROSES. Apesar de emanarem da mesma vizinhança musical de Los Angeles em meados dos anos 80 e de o guitarrista SLASH ser um confesso fã do músico [e vice-versa, vamos desconsiderar aquele episódio no Rock In Rio de 1991], as críticas de Dave a W. AXL ROSE e IZZY STRADLIN no começo da década de 90 apontavam para uma bruta cisma com o GN’R e o hard rock angeleno como um todo.

Tal discórdia de gêneros pareceu morta quando o Megadeth abriu para o Mötley Crüe na Maximum Rock Tour de 2000 [e gravou o bastante diluído ‘Risk’], e enterrada de vez quando Mustaine declarou recentemente que ‘abrir para o Crüe foi como abrir para o Guns N’ Roses’ e ressaltou a importância do legado da banda.

Ontem à noite, a relação entre os três contemporâneos veio à tona de novo, quando Mustaine – sempre muito solícito a perguntas feitas por fãs – declarou em seu Twitter, ainda sobre a banda de NIKKI SIXX:

_“O EP era bastante ousado para seu tempo! @NikkiSixx e @MotleyCrue mandavam em #Hollywood [e provavelmente sempre mandarão]” [respondendo sobre sua opinião a respeito do grupo; não, também nãos abemos a que EP ele se refere].

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_”Um cara talentoso, sincero, de opinião e talentoso. Eu não acho que @NikkiSixx goste de mim, mas tudo bem. Eu curto o programa de rádio dele. ”

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Depois, um usuário de login @Sorialesmo97 ofertou um ,gif animado de W. Axl Rose do período da turnê promocional dos ‘Use Your Illusion’ [onde ele trocava de roupa mais do que Diana Ross durante os shows] com o controverso vocalista do GN’R saracoteando no palco, ao que Dave respondeu, curioso:

“Quem é esse? ”

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Antes que lotem nossa caixa postal exigindo ver a imagem original, já a postamos abaixo:

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Guns N’ Roses: Breve em um estádio – e loja de discos – perto de você

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O ‘estado das coisas’ no que se refere ao presente e futuro da marca GUNS N’ ROSES – de acordo com fontes sempre bastante precisas em todas suas informações previamente fornecidas a este autor e site – pode ser descrito sucintamente nas linhas que seguem.

AXL ROSE ainda é o dono e soberano do nome GUNS N’ ROSES. DUFF MCKAGAN e SLASH voltam à formação de produção fonográfica e itinerário de turnês como contratados, e não associados. Obviamente, eles vão ter direitos e privilégios comerciais MUITO maiores do que TOMMY STINSON e DJ ASHBA, especialmente no que tange à produção de merchandise [prepare-se para ver de TUDO que possa carregar o logo do GN’R à venda ao longo dos próximos 30 meses]; são detalhes como esses que acabaram impedindo a ida de Rose ao programa de Jimmy Kimmel na semana que passou – ele ainda não teria nem todos os nomes dos membros envolvidos com total certeza ainda, tampouco maiores informações sobre o futuro do grupo a curto e médio prazo.

Ainda sobre merchandise: talvez agora entenda-se o porquê de nunca ter havido uma linha significativa de mercadorias com o rosto das diferentes formações impressos em camisetas – um logo estilizado vende muito mais e a cota de licenciamento fica 100% com Axl, 0% para os antigos contratados. Agora isso vai mudar.

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Os shows com a nova formação serão tão longos como os que Axl vem fazendo desde 2009: todos terão por volta de 3 horas de duração. E dáááá-lhe solo de guitarra, solo de bateria, solo de piano, ‘Godfather Theme’, roda de samba, chula gaúcha, etc.

Uma temporada – que tem tudo para ser ÉPICA – de 3 ou 4 noites na O2 Arena ou em Wembley [ambas em Londres] vai acontecer, assim como outras temporadas em mercados que comportam uma sequência mais longa de shows. Ao longo de 2016 e 2017, Tóquio, Los Angeles, Las Vegas e BUENOS AIRES [a cidade mais apaixonada por GN’R nas Américas e que, mesmo com a moeda enfraquecida, comportou uma série de NOVE shows de Roger Waters em estádio de futebol] devem abrigar eventos semelhantes.

Slash e Duff ESTÃO SIM gravando suas trilhas próprias em cima de material já gravado por Axl para o sucessor de ‘Chinese Democracy’. A banda – sem Rose, que nunca foi lá muito de ensaiar mesmo – está se reunindo no Mates Rehearsal Studio em North Hollywood. O lugar, que tem sido visto em algumas fotos postadas por Slash e Duff, foi onde se deu a pré-produção dos ‘Use Your Illusion’ em idos de 1989, ainda com Axl-Slash-Duff-Steven-Izzy. Foi lá também onde o VELVET REVOLVER nasceu como banda [vide foto mais abaixo] e Duff ensaiou com os demais membros do GN’R antes da turnê sul-americana de 2014 e onde foi feita a pré-produção de ‘World On Fire’, terceiro álbum da banda ‘solo’ de Slash. Faixas de ‘Chinese Democracy’ serão sim, executadas por essa nova formação ao vivo.

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Claro, um novo álbum, apesar de praticamente pronto, não sai antes do ano que vem. Em 2016, apenas duas músicas novas, também remanescentes da produção de Axl em estúdio nas últimas duas décadas.

E voltamos a 1995: Slash e Duff estão gravando um álbum concebido majoritariamente por Axl, direcionado artisticamente por Axl, na banda de Axl. Feliz ano novo!

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Guns N’ Roses: ano a ano, como se deu o lobby para a volta de Slash

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O marco que ocorrerá na noite de amanhã, 5 de janeiro, quando o vocalista W. AXL ROSE for entrevistado pelo apresentador estadunidense JIMMY KIMMEL e confirmar o que o público em geral já sabe há algumas semanas – que o triunvirato de membros remanescentes da última encarnação clássica do GUNS N’ ROSES [Rose, DUFF MCKAGAN e SLASH] voltará a trabalhar juntos – é tão somente um capítulo a mais em uma longa sequência de fatos que começaram a se amontoar desde a virada do século.

O que segue agora é um compêndio, não necessariamente cronológico, que lista diversas – todavia nem todas – etapas de uma das reconciliações mais improváveis, ainda que mais visadas, da história da música desde que Wolfgang Mozart e Antonio Salieri habitavam o planeta.

Começamos após a saída do último integrante da tríade, Duff, em 1997. A partir dali, cada um dos três músicos esteve absorto em realidades completamente paralelas, sobre as quais muito se especulava e nem tudo se sabia. McKagan reformou o 10-Minute Warning, montou o LOADED [em tese, ativo até hoje] e gravou um disco solo, ‘Beautiful Disease’.

Slash, por sua vez, seguia bastante comprometido por seu vício em álcool e drogas e tendo dificuldades para manter uma formação sólida e dedicada ao seu projeto SLASH’S SNAKEPIT, que apesar de um álbum bastante forte em 2000, ‘Ain’t Life Grand’, amparado por uma turnê enorme pelos EUA abrindo para o AC/DC, não conseguiu emplacar. Rose, por sua vez, realizara sua primeira comunicação com o público em 1999 [ano em que os principais nomes do hard rock dos anos 80 voltaram ao foco do público dos Estados Unidos e do mundo como um todo], quando sua versão do Guns N’ Roses colaborou com uma faixa, ‘Oh My God’, para a trilha sonora de ‘Fim dos Dias’, filme estrelado por Arnold Schwarzenegger que fracassou nas bilheterias. Junto com ‘Oh My God’, a banda lançava seu primeiro álbum ao vivo full length, ‘Live Era ´87 – ‘93’; tudo isso fora acompanhado por uma entrevista via telefone de Axl para o então figurão da MTV EUA, KURT LODER, jornalista que sempre gizara de enorme prestígio junto ao grupo desde os anos 80.

Naquela entrevista, Rose anunciava que um novo álbum da marca seria lançado já em 2000. Outra entrevista, publicada na revista Rolling Stone estadunidense em janeiro de 2000, entrava em detalhes sobre o estilo de vida recluso naipe Howard Hughes de Rose, e dava como certo seu ressurgimento gradual dali para frente.

2000 veio, e nenhum álbum foi lançado, mas no dia 25 de outubro, o empresário brasileiro ROBERTO MEDINA anuncia que o Guns N’ Roses faria sua reestreia na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001. Começava ali um pesadelo felliniano para os fãs mais hardcore da banda: eles teriam mesmo que presenciar Axl Rose cometer o acinte, a ousadia de se apresentar como GN’R sem Slash?

Teriam.

E mais: Axl retornaria à ribalta com um show na noite de réveillon no The Joint, em Las Vegas.

Axl, acompanhado por BUCKETHEAD, PAUL HUGE, ROBIN FINCK, DIZZY REED, TOMMY STINSON, CHRIS PITMAN e BRYAN MANTIA, repassa o catálogo da banda – em especial o material de ‘Appetite For Destruction’ – e estreia um punhado de músicas novas, que acabariam por integrar um álbum que ainda levaria oito anos para ser lançado [assim como já faz oito anos que ele foi lançado, sem nenhum sucessor]. Engrenagens rodando, o grupo embarcou para o Rio de Janeiro.

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No dia 14 de janeiro de 2001, após ter sido convencido por sua equipe e uma terapeuta a subir no palco [ele, aos berros, quis cancelar a apresentação], Axl Rose faz, para quase 200 mil pessoas, o que ele descreveria horas depois a nosso amigo EDU ROX entre uma Heineken e outra, como ‘o melhor show de sua vida’. Em meio a um set list bastante longo, o vocalista foi enfático ao apontar que os demais ex-integrantes das lineup clássica não estavam ali ‘porque fizeram de tudo para não estar’, e em vários momentos do show, procurou mostrar seu apreço a todos os membros da banda e da equipe que haviam se mantido leais a ele durante o hiato do GN’R dos holofotes.

É esse senso de gratidão de Axl para com os músicos que o acompanharam em sua visão musical, sua rotina pouco convencional, seus desmandos e temperamento volátil que determinou a permanência de FRANK FERRER à bateria na versão 2016 da banda e a demora para a volta de Duff McKagan ao baixo. Voltaremos a isso em breve.

A banda se recolheu aos EUA de novo, supostamente para acelerar os trabalhos em cima do novo álbum e só foi vista novamente em dezembro daquele ano, quando fez duas apresentações [incluindo outra numa noite de réveillon] em Las Vegas. Dicotomicamente, 31 de dezembro de 2001 marca um recomeço da concepção artística de W. Axl Rose para o GN’R do mesmo modo que é a data na qual o reagrupamento de Slash e Duff com o vocalista começa a ser traçado.

Desde aquele dia, várias versões de que o guitarrista inglês havia sido visto nas imediações do Hard Rock Hotel pipocaram pela web, algumas chegando a afirmar que ele teria tentado entrar no show e fora impedido por seguranças a pedido de Rose. Tudo ficou no terreno do converse até que o próprio Slash, em sua autobiografia, lançada em 2007, ofereceu seu relato. Segundo ele, de fato sua presença até em áreas alheias ao show teria sido proibida via alerta presencial de seguranças que bateram em sua porta. Resignado, ele concordou.  Ainda que afirme que estava ali por ‘curiosidade’, desde sua família até seu empresário sabiam que ele estava ali para tentar ao menos conversar com o antigo colega de banda.

Em 2002, ainda sem data prevista para lançar um novo álbum, o Guns N’ Roses faz uma pífia apresentação no VMA, volta à estrada, e após uma bem-sucedida turnê pela Ásia e Reino Unido, naufraga no mercado dos EUA, a ponto de a produtora cancelar todo o restante do tour após 17 shows. Enquanto isso, Slash, Duff, o baterista MATT SORUM e o guitarrista IZZY STRADLIN se encontram após Slash, Duff e Matt terem tocado com o vocalista do BUCKCHERRY, JOSH TODD, em um show-tributo ao finado baterista de OZZY OSBOURNE e MÖTLEY CRÜE, RANDY CASTILLO.

Prevenido contra-ataques de estrelismo por parte de vocalistas, Izzy sugere que ele, Slash, Duff e Matt montem uma nova banda e saiam logo em turnê com ele e McKagan dividindo os vocais. A ideia vai pelo ralo quando Izzy se entoca novamente, mas 50% da formação que gravou ‘Use Your Illusion’ está junta novamente, e decide procurar por um vocalista, que acaba sendo o agora falecido SCOTT WEILAND [ex-STONE TEMPLE PILOTS]. A empreitada – que acabaria sendo batizada de VELVET REVOLVER – agrega ainda um outro guitarrista, DAVE KUSHNER, e faz sua estreia ao vivo e em EP em 2003.

Do Guns N’ Roses de Axl, só se ouve quando o jogador profissional de beisebol Mike Piazza vai até o programa radiofônico de EDDIE TRUNK e o entrega um CD – o qual Trunk toca no ar – com a faixa ‘IRS’, até então inédita. O grupo não se apresenta ao vivo durante todo o ano.

Em 2004, o Velvet Revolver e o GN’R voltam a convergir: um ‘Greatest Hits’ do Guns N’ Roses é lançado com enorme sucesso [apesar de contrariar a Axl, que vê naquilo mais uma tentativa de a gravadora sabotar seu ‘novo’ GN’R e capitalizar em cima do material antigo], e três meses depois, ‘Contraband’, disco de estreia do Velvet Revolver, estreia em #1 nas paradas da Billboard estadunidense. É o suficiente para que o mercado volte a especular sobre a força que tudo relacionado ao GN’R ainda tem e quão promissora é uma reunião da formação clássica. Ainda assim, qualquer tentativa de reaproximação entre os dois campos é afastada após Duff e Slash processarem Axl sob a alegação de que ele teria desviado mais de um milhão de dólares referentes a pagamentos sobre direito autoral da cota dos dois. Para piorar ainda mais o já atrasado cronograma de Rose, o guitarrista Buckethead deixa a banda, fazendo com que uma apresentação no Rock In Rio Lisboa seja cancelada. É o começo de um novo hiato que perdura ao longo de 2004 e 2005, período durante o qual o Velvet Revolver se mantém em plena atividade.

Mesmo com toda essa atividade – ou talvez por causa dela mesma – começava a fissurar a camaradagem entre Scott Weiland e o restante do Velvet Revolver: um Slash embriagado tocou o interfone da mansão de Axl Rose em Latigo Canyon no meio da madrugada querendo falar com o vocalista [foi recebido por Beta Lebeis] e bradando que Weiland era uma ‘fraude’ como vocalista e que Duff ‘não tinha boca pra nada’. Tanto Axl como Slash confirmariam o episódio, que foi o estopim de uma longa desintegração da banda.

Já 2006 assiste ao reverso desse quadro: o GN’R excursiona incessantemente de maio a dezembro, enquanto o VR basicamente se mantém em estúdio. O giro mundial da banda teve início com quatro shows lotados no Hammerstein Ballroom de Nova Iorque, que contaram com a participação de Izzy Stradlin, finalmente acatando uma regra CABAL estabelecida por Axl e que perdura até hoje: quando Izzy quiser participar de um show, basta que ele apareça, com ou sem sua guitarra, e avise. Ele será não somente incluso na performance, mas também receberá um cachê de membro da banda.

É por essa regra que veremos Izzy participando ocasionalmente de sets da nova formação ao longo de 2016 e 2017.

Apesar do sucesso da turnê de Rose ao longo do ano, a relação com seus empresários da Merck Mercuriadis começa a azedar, abrindo a porta para o começo de uma série e manobras sorrateiras por parte de IRVING AZOFF para que a formação clássica do grupo se reunisse, o que acabou afetando por tabela, ao cronograma de lançamento de ‘Chinese Democracy’. Em 2007, tanto o GN’R como o Velvet Revolver voltam à estrada, com o chamado ‘supergrupo’ divulgando seu segundo CD, ‘Libertad’ – tocando inclusive no Brasil abrindo para o AEROSMITH.

No ano seguinte, a raposa entra no galinheiro: Irving Azoff e seu sócio, Andy Gould, tornam-se empresários de Rose, e dão início a uma série de devaneios visando a dissolução da versão de Axl para o Guns N’ Roses, a volta de Duff e Slash [surpresa: também clientes de Azoff e Gould!]. Azoff chega a tentar vender uma turnê conjunta com o VAN HALEN liderado por DAVID LEE ROTH e a formação original do Guns N’ Roses, uma joint venture que em tese, renderia somas muito altas, mas pouco viável na prática. Isso irritou muito a Rose, cuja lista de aborrecimentos seria aumentada quando ‘Chinese Democracy’ finalmente foi lançado no circuito comercial, e apesar de vendas consideráveis, não repercutiu do modo esperado, agrura que ele atribuiu a Azoff e seu ardil para sabotar qualquer iniciativa de Axl que não fosse no sentido de reunir-se com Slash e Duff. Tudo isso ficou muito mais claro quando o grupo sequer saiu em turnê para divulgar um álbum aguardado por mais de uma década, e a única entrevista concedida pelo vocalista foi conduzida por meio de um fórum de mensagens com os fãs. Não coincidentemente, a essa altura, Scott Weiland já deixara o VR para retornar ao STP [sem deixar saudades…] e tanto Duff como Slash parecem pouco empenhados em achar um substituto.

Em dezembro de 2009, agora com DJ ASHBA a bordo, o Guns N’ Roses uma turnê pela Ásia tocando shows de quase quatro horas. É desse mesmo um ano uma troca de e-mails entre Rose e o substituto de Buckethead, RON ‘BUMBLEFOOT’ THAL, sobre a vontade de Duff McKagan de voltar à banda. Tal correspondência, junto com vários outros documentos, vazaram ao público em 2011, em episódio noticiado por este site.

Ao longo de 2010, o GN’R de Axl Rose varre o planeta, se apresentando de JANEIRO A DEZEMBRO, passando pelo Canadá, América do Sul, América Central, Europa Oceania e Emirados Árabes. A inviabilidade de organizar uma longa turnê pelos EUA para divulgar ‘Chinese Democracy’ como ele acha que o CD merecia é causa de frustração para Rose. Foi durante um show da passagem pela banda pela Inglaterra nesta turnê que os e-mails entre ele e Duff começam a surtir efeito: o baixista sobre ao palco da O2 Arena em Londres para tocar ‘You Could Be Mine’ com o resto da banda. A essa altura, Irving Azoff já foi demitido – e processado – pelo vocalista, e até seu substituto, DOC MCGHEE, também já foi dispensado.

 

 

McKagan reestabeleceria seus laços com Axl em definitivo em 2011, quando sua banda, Loaded, abriu alguns shows do GN’R no Canadá e EUA. Em um desses shows, Duff voltou a tocar com o grupo.

Em 2012, um aparente revés: Axl, tal como Izzy, se recusa a participar da comenda do Rock And Roll Hall Of Fame ao grupo, jogando uma pá de cal na vontade que os fãs tinham de poder ver o grupo reunido ao menos por um curto set em uma ocasião tão representativa. Duff, Steven Adler, Matt e Slash comparecem, e durante a jam, MYLES KENNEDY canta.

 

 

Após um roteiro não muito diferente em 2013, 2014 vê, pela primeira vez, um membro da formação clássica excursionar efetivamente como parte do casting: Duff McKagan é escolhido para substituir a Tommy Stinson durante algumas datas de uma longa turnê pela América do Sul e também por um show de uma nova temporada em Vegas. Stinson optara por fazer alguns shows de reunião com sua banda anterior, THE REPLACEMENTS.

A ausência de Stinson, aliada a um episódio durante o qual ele destratou um membro da equipe ao fim de um show por um problema no sinal de seu baixo teriam adocicado a presença de Duff de volta na banda aos olhos de Axl. O espírito conciliador de McKagan – de longe o mais articulado membro de todos os integrantes que já passaram pelo GN’R – desde a época em que Rose e Slash começaram a agravar suas diferenças começou a entrar de fato em ação quando, ao fim daquela temporada em Vegas, ele já fora comunicado por Axl que faria parte da próxima encarnação da banda. A janela para a volta de Slash veio quando em julho de 2015, tanto DJ Ashba como Ron Thal anunciaram suas demissões em comunicados pela internet.

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Na vaga de dois dos atuais três postos de guitarrista que o GN’R oferece, faz todo o sentido que Duff fizesse lobby por Slash: Axl não teria que demitir ninguém, e ainda haveria a opção de um fã de longa data da banda, Dave Kushner, com quem Slash e Duff já trabalharam no VR e se davam bem, além do óbvio entrosamento musical.

‘E por que não trazer de volta Adler ou Matt Sorum?’, podem perguntar.

Se nem Slash, de quem Adler é amigo de infância e diretamente influenciado [foi Steven quem sugeriu que Slash aprendesse guitarra na adolescência] o quer como membro permanente de sua banda, por que motivo o GN’R tem que trazê-lo? Com certeza há algum elemento em sua reputação que impede sua reintegração. Dentre os fatores musicais, o mais óbvio: ele nunca compôs nada com a banda, e tocou em uma pequena parte da discografia do grupo.

Matt Sorum poderia ser uma opção menos arriscada, mas daí entramos no possível – e cabível – dilema moral de Axl: por que demitir a Frank Ferrer, que está trabalhando perfeitamente bem, sem crises de estrelismo, não antagonizando ninguém no grupo, conhece o repertório desde AFD até CD e trazer de volta quem provocou sua própria demissão e chegou a ameaçar Axl fisicamente durante um show na Alemanha? E possivelmente pagando o dobro de salário? Seria pouco inteligente.

Quanto a Dizzy e Pitman, sejamos pragmáticos: um tem 25 anos de banda, e o outro caminha para 2 décadas ininterruptas. Nenhum outro músico esteve na posição deles nem antes nem depois. O papel que Pitman desempenha em shows pode ser medido em importância por quem segue o GN’R de perto e prestou atenção a alguns bootlegs vazados diretamente do canal da mesa de som que faz o by-pass do monitor in-ear de Axl [há um do Japão em 2009 onde isso é explicitado]; a presença de Chris no palco, em especial para as músicas de ‘Chinese Democracy’ é fundamental – se não ele, quem programaria sequenciadores e samplers?

E por que isso só será anunciado agora? Business as usual. Lembre-se que Slash estava se divorciando, e uma vez que qualquer contrato fosse firmado – ainda que verbal – sua ex-esposa teria direito a 50% de todo e qualquer vencimento que ele ganhasse até a data da homologação do divórcio. Junte isso a todas as confabulações, DRs, concessões, planejamento, trâmite entre advogados, empresários, produtores de shows, diferentes gravadoras, agentes, fabricantes de merchandise, direitos de imagem, etc., e chegará à conclusão que a coisa até que está andando rápido.

 

 

 

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