A Música É O Que Importa: E outras 16 mentiras em que músicos acreditam

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1] Assinar um contrato com uma gravadora quer dizer que você será bem-sucedido.

Você sabia que 98% de todos os artistas que assinam contratos com uma gravadora fracassam? Isso quer dizer que 98 a cada 100 artistas que chegam a ser contratados não recuperam o investimento feito neles pela gravadora ou são dispensados antes de seu segundo [às vezes o primeiro] álbum ser lançado. Assinar um contrato é muito mais arriscado do que trilhar sua carreira sozinho. Sucesso não precisa implicar estar na capa da Rolling Stone, lotar casas de shows enormes e ser perseguido por fotógrafos. Pode significar ter uma vida confortável sendo músico. E você não precisa de um contrato para isso.

2] Vitrines gratuitas são uma estratégia eficaz

Vitrine quer dizer disponibilizar seu álbum para serviços de streaming durante um tempo para maximizar as vendas. Pode ter sido uma estratégia eficiente em 2012. Ou não. Taylor Swift o fez. Ed Sheeran não. Adele [naquele tempo] sim. Mumford And Sons não. Todos se deram bem. E quebraram recordes de vendas e streaming. Mas estamos quase em 2016. Você não pode colocar seu disco no iTunes e não também no Apple Music. Não, você não deveria. Você literalmente não pode. A Apple não permite. O YouTube Red está sendo lançado e irá matar esse tipo de vitrine.

Se as pessoas não podem ouvir seu álbum, elas vão seguir em frente. Toda a publicidade e o dinheiro gasto com ela não surtirão efeito se as pessoas, ao conferirem o álbum, não puderem ouvi-lo. Elas se esquecerão de você. Elas não vão pagar 10 dólares apenas para ser se gostam do trabalho. A menos que você seja Taylor Swift ou Adele, não vai dar certo. Se você quer uma carreira com turnês bem-sucedidas, derrube as barreiras de acesso. E lembre-se, OS FÃS NÃO VÃO MAIS PAGAR POR CONTEÚDO FONOGRÁFICO. E tudo bem quanto a isso!

3] Streaming é prejudicial para a música

A venda de um CD ou de um download é tratada igualmente, não importa o quão bom seja o álbum. É um pagamento final sobre o qual nunca mais vai se ganhar nada. Compare isso com o streaming. Se uma música for boa, ela será tocada várias e várias vezes por anos e anos, faturando MAIS do que uma venda única jamais poderia. O streaming paga menos no começo, mas muito mais a longo prazo – se a música for boa, claro.

4] Colocar sua música em um programa de TV lhe catapultará ao estrelato.

Sim, é legal que sua música seja tocada na TV. Mas você sabe quantos programas de TV existem? E quantas músicas são inseridas neles? Não é como era com Grey’s Anatomy em 2007. Poucos são os programas de TV que tornam artistas famosos hoje em dia. Comerciais, por outro lado, podem ajudar [como no caso do Imagine Dragons]. E eles também pagam muito mais do que inserções em programas. Em torno de 100 mil dólares ou mais. Sim, licenciamento pode ajudar a pagar suas contas. E te dar um pouco de exposição. Mas não aposte a casa em inserções na TV. É apenas um elemento da equação.

5] Apresentar-se em casas famosas lhe habilitará a tocar em outras casas famosas.

Colocar no seu site que você tocou no Whiskey A Go Go não quer dizer nada. Todo mundo sabe que, caso você tenha 400 dólares, você pode pagar para tocar em qualquer casa na Sunset Strip. É muito mais impressionante se você trouxer 100 pessoas pagantes para um show em um porão do que apenas tocar em um local conhecido. Ninguém dá a mínima para onde você já tocou, exceto seu tio João. E ele ainda acha que você deveria ir no The Voice.

6] Você terá uma carreira musical se aparecer em um concurso de cantores na televisão

Cite, de cabeça, o nome de 10 finalistas do American Idol. Não precisa nem ser ganhador, finalista apenas. Lá se vão 14 temporadas. Isso quer dizer 140 finalistas do Top 10. E você não lembra de 10. Nem você nem mais ninguém lembra. E quantos participantes do The Voice você consegue citar? São 2 programas de TV, não moldadores de carreiras. Sim, se vo0cê for esperto, você pode fazer uso disso como base de lançamento. Mas, o mais provável é que você acabe de mãos atadas a um contrato horrendo, com zero de poder de barganha, e mesmo que você se dê bem, acabará tentando processá-los, como fez Phillip Phillips.

7] As grandes gravadoras desenvolvem o artista

Hilário. As gravadoras só querem contratar artistas que já são bem-sucedidos. Que já se afirmaram. E mesmo que você pague a algum advogado um caminhão de dinheiro para que ele te ‘venda’ para gravadoras e convença a algum executivo a lhe contratar, você terá sorte se conseguir lançar um EP. A maioria das gravadoras lança um single ou dois, e se eles não se mostrarem viáveis [e não pense você que eles vão colocar somas de dinheiro como as que usam com a Rihanna para divulga-los], você está na rua. E mesmo se seu álbum vier a sair, se ele for um fracasso, você já era. Não estamos mais em 1973, onde a Columbia Records deixava que você fracassasse com 2 discos seguidos porque eles acreditavam que você tinha um clássico absoluto guardado dentro de você. As gravadoras exigem sucesso instantâneo. Se você não o trouxer, tchau.

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8] As grandes gravadoras estão liderando a indústria musical

Claro, elas têm muito dinheiro. Mas não são líderes. A criação de álbuns e estratégias de marketing criadas por eles são baseadas em cifras. Equipes de composição. Planos de lançamentos que não mudam há 5 anos. O plano de marketing de um álbum hoje em dia não deveria ser o mesmo que era ano passado. Mas, na maioria das gravadoras, é idêntico. As gravadoras são as últimas a abraçar tudo, desde downloads até streaming. As gravadoras lutam contra a tecnologia em tribunais ao invés de inovar com modos criativos de trabalhar com os desenvolvimentos tecnológicos.

9] Se você marcar um show, as pessoas aparecerão

Se você não o divulgar PESADAMENTE, não vai aparecer ninguém. Simples assim. A criação de um evento no Facebook não basta.

10] Vendas de discos são relevantes

Vender discos já era. O streaming é, atualmente, mais lucrativo do que vendas físicas ou de downloads tanto na Universal Music Group como na Warner Music Group. E elas já tinham acabado para os amantes de música independente fazia tempo. Os artistas independentes deveriam estar trabalhando com serviços de assinatura como o BandCamp ou Patreon, ou conduzindo campanhas de custeamento coletivo através de sites como o PledgeMusic, Kickstarter ou IndieGoGo. Vendendo experiências, merchandise e outras ofertas com o BandPage. E claro, diversificando cada vez  mais suas fontes de receita. Há tantos outros modos mais criativos para se fazer dinheiro com música hoje em dia que não dependem de vendas de discos. Seja criativo, tire sua cabeça de dentro da areia.

11] Se as pessoas pararem de pagar por música, os músicos irão parar de produzi-la

Esse foi o argumento usado 15 anos atrás, quando o Napster apareceu. Há mais música hoje do que jamais houve. Músicos criam música porque têm que criar. Está na alma deles. Você quer pagar $20 por um ingresso, $20 por uma camiseta, $35 por uma assinatura no BandCamp, $250 por um pacote especial de pré-venda no PledgeMusic e $50 por uma oferta no BandPage, mas não quer pagar $10 por um disco de plástico ou arquivos digitais? Ótimo!

12] Ou você é um músico que rala para viver, ou é um super astro

Músicos de ‘classe média’ são o grupo que mais cresce dentro da categoria profissional. Não é porque o Jair Encanador não ouviu falar de sua banda que ela não tenha relevância. Você já ouviu falar da ‘firma’ dele? Isso quer dizer que ele não é bem-sucedido? Por alguma razão, a música é a única profissão onde as pessoas definem sucessos pela fama. Há milhares de músicos vivendo da arte, fazendo o que amam e que não são famosos, mas ainda assim, incrivelmente bem-sucedidos.

SUCESSO É DEFINIDO POR FELICIDADE, E NÃO POR RENDA. PONTO FINAL.

13] Redes sociais são mais importantes do que e-mail

As redes sociais vêm e vão. O e-mail é constante. Se você não estiver construindo sua lista de e-mails, você está agindo errado. Kevin Hart atribuiu lotar o Madison Square Garden a sua lista de e-mail. Não ao Facebook ou ao Twitter. Sim, é importante ter uma presença e interagir com seus fãs diariamente nas redes sociais nas quais você se sentir confortável e onde seus fãs estão, mas não faça disso uma prioridade em detrimento da lista de e-mail.

14] Se os fãs quiserem comprar seu merchandise, eles darão um jeito

As bandas reclamam o tempo todo que seus fãs não compram seu merchandise. Chororô. Talvez seus fãs não comprem seu merchandise porque você não o está vendendo a eles do jeito certo. Ou talvez você tenha um merchandise vagabundo. Você não pode deixar uma meia dúzia de CDs em um canto qualquer da casa de shows e esperar que as pessoas o comprem. Se você não tiver um painel chamativo, com uma pessoa vendendo seu merchandise [desde a hora que as portas se abram até quando elas se fechem], itens de qualidade e uma máquina de cartão de crédito, você está dando cabeçada no que se refere ao principal fator de renda de suas turnês.

15] ‘A música’ é a única coisa que importa

Sim, a música, acima de tudo, precisa ser ótima. Na era do streaming, você não pode desembolsar pilhas de dinheiro para marketing visando a venda de um monte de estrume e esperar que as pessoas engulam isso. Mas, infelizmente, música boa sem promoção não quer dizer nada. Artistas independentes sem uma equipe de apoio têm que trabalhar muito mais para divulgar sua música. O simples fato de postá-la no Facebook e manda-la para seus assinantes de e-mail não fará de seu álbum um sucesso das paradas. Você precisa de uma imagem coesa. Você precisa de um orçamento de marketing. Você precisa sair em turnê e trabalhar junto ao YouTube.

16] O estúdio onde você gravou faz diferença

A única coisa que importa é o som do seu álbum, não onde ele foi gravado. Gravar os vocais usando um microfone U47 no Studio 1 no Abbey Road vai soar quase idêntico caso você grave usando um U47 no seu quarto. Pague pelo talento, não pela sala.

17} Você precisa de um divulgador ou relações-públicas para aparecer na mídia

Os bloggers preferem ser abordados por artistas e empresários ao invés de divulgadores. Mídias tradicionais como jornais, revistas, rádio e TV podem respondem melhor a divulgadores com os quais já possuem uma relação, mas um empresário ou o próprio artista podem ser tão eficazes quanto. Economize seu dinheiro, faça o seu próprio ‘corre’ de divulgação.

Texto original por Ari Herstand para o Digital Music News

 

 

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