Rush: Só um idiota não os considera a melhor banda ao vivo do mundo

rush
Tradução do artigo ‘YOU’RE AN IDIOT IF YOU DON’T THINK RUSH IS THE BEST LIVE BAND IN THE WORLD’ originalmente escrito e publicado por Nathan Carson

Prefácio

Eu passei a maior parte de minha vida adulta ignorando ao Rush. Sim, o mesmo amigo do ensino médio que me apresentara a Steely Dan costumava tocar a introdução de baixo de ‘Red Barchetta’ para mim no vão do sótão da garagem de seus pais. Não foi muito tempo depois que um colega de faculdade me convenceu de que ‘Temple of the Syrinx’ é legitimamente pesada. Por quase metade de minha vida, ‘Moving Pictures’ e ‘2112’ ficaram pegando poeira, perdidos e negligenciados em minha coleção de discos, como uma guitarra escondida por trás de uma cascata sagrada.

Quando o rush veio até Portland na turnê de ‘Vapor Trails’, em 2002, eu quase fui. Eu estava curioso, mas decidi ir ver ao Slayer em uma casa pequena ao invés disso. Eu me dei conta de que Neil Peart e Dave Lombardo estavam na mesma cidade na mesma noite, e já que tenho livre arbítrio, eu fiz uma escolha.

Daí, em 2004, meu pai – um cara que já viu aos Rolling Stones, Stooges, MC5 e Black Sabbath – me disse, ‘Sabe, eu nunca vi um show do Rush’. Eu estava no mesmo barco, e achei que ir ver um dinossauro daquele calibre com meu velho seria divertido. E porra, eu tinha perdido o show deles da outra vez.

Enquanto estávamos indo de carro para o setor de deficientes físicos do estacionamento, meu pai enrolou um baseado com uma mão enquanto guiava nosso carro por dois pontos de checagem de segurança. Eu fiquei impressionado. Mas nada perto do quanto fiquei impressionado quando as luzes do lugar se apagaram e a turnê ‘R30’ começou debaixo do telhado de uma casa enorme na região sul do estado de Washington. Cercado por pessoas brancas de todas as idades e classes – cowboys, engenheiros da Microsoft, jovens, pais e avós – eu tive uma revelação.

Música ao vivo é comigo mesmo. Sem exagero, eu vejo pelo menos 100 shows por ano. Assistir à ‘R30’ acionou um botão. Na boca do canhão daquele som imaculado do Rush, eu me dei conta de que qualquer oportunidade que eu tenha de ver ao rush implica em desfrutar do melhor show em qualquer temporada de qualquer ano. Esse último mês de julho eu tive o prazer de ver a turnê ‘R40’ tanto em Seattle como em Portland, marcando o meu oitavo e novo shows do Rush nos últimos 10 anos. Abaixo, dou sete razões pelas quais eles ainda são a melhor banda ao vivo no planeta.

  1. RUSH tem os melhores músicos

Essa nem precisa ser argumentada. A revista Guitar Player já premiou Geddy Lee como Melhor Baixista por seis vezes. Ele também está no Hall Of Fame da publicação. O baterista Neil Peart foi votado como Melhor Baterista de Rock pela revista Modern Drummer por NOVE vezes. Mas a meu ver, a arma secreta deles é o guitarrista Alex Lifeson. Ele tem ficado nas sombras faz décadas, mas ao ouvi-lo tocar ao vivo, no palco, você vai ter o tipo de arrepio no pescoço que você também esperaria de David Gilmour.

Todos os três caras tocam tudo ao vivo. Quaisquer sons sampleados são ativados por pelo membro da banda que tenha um dedo livre a qualquer milissegundo. Não há músicos convidados no palco ou atrás de uma cortina. Geddy está tocando baixo com suas mãos, o sintetizados com seus pés, e cantando. Neil Peart quase sempre tem dois kits completos de bateria, incluindo campanas tubulares, uma série de blocos de madeira, chimes e mais tons e pratos do que a maioria dos mamíferos consegue contar. É absolutamente louco, e você pode assistir a incontáveis vídeos no YouTube e DVDs de shows para afirmar que nenhum membro do Rush jamais fica de bobeira ou fingindo.

  1. Eles tocam os sucessos

Por mais autoindulgentes que alguns set lists em turnês do Rush possam ter sido, ninguém nunca sai sem ouvir a ‘Tom Sawyer’, ‘Spirit Of Radio’, ‘Subdivisions’ ou ‘Working Man’.

III. Eles vão a fundo

Nessa última turnê, R40, o Rush tocou material de seu catálogo em ordem cronológica inversa. Na segunda parte do set [esses caras tocam por mais de três horas sem banda de abertura], os fãs de longa data ouviram a TOIDOS os épicos dos anos 70, incluindo ‘Cygnus’ [os dois livros], ‘Xanadu’, ‘Jacob’s Ladder’ e a suíte de ‘2112’. Queixos caídos até a porra do chão. E daí eles voltaram com um bis de quatro músicas de pérolas dos primeiros três álbuns.

 

IV. Eles possuem senso de humor

Quase todo mundo sabe que canadenses são palhações, e o Rush não é exceção. Enquanto alguns acham que o rock progressivo é um tema estéril criado por músicos esquisitos em um laboratório, o Rush parece contradizer tal noção o tempo todo no palco. Eles fazem caretas um para o outro, correm pelo palco, e têm um repertório rico de vídeos entre as músicas.  Alex Lifeson já fez diversas aparições no seriado Trailerpark Boys, e o personagem Bubbles e o elenco devolveram o favor, aparecendo na tela para dublarem ao rap de ‘Roll The Bones’. Cartman, do seriado South Park finge que é Geddy Lee. Eugene Levy gravou uma rotina de stand-up para apresentar o segundo set da E40, sugerindo que a banda realmente deveria ‘acrescentar mais alguns membros. Uma metaleira, talvez’. Há algo brilhante sobre tocar nesse patamar, e não parecer ser um fresco esnobe como Maynar Keenan, Thom Yorke ou Morrissey.

V. Lasers e luzes

Depois de quatro décadas de turnês, o Rush sabe muito bem como ‘dar uma embelezada na coisa’. Eu não vou argumentar aqui que Geddy seja tão visceralmente convincente como, digamos, Nick Cave. Mas ele sabe disso. E Nick não está tocando três instrumentos enquanto se joga na plateia para se agarrado pela plebe. Então o que o rush faz – fora tocar música extremamente complexa com apenas três músicos – é fazer uso de um sistema de iluminação altamente sofisticado. Lasers, pirotecnia, explosões e vídeo sincronizado fazem da performance de palco tão visualmente arrebatadora como qualquer coisa realizada pelo Tool ou pelo Muse.

VI. Solos de bateria

Solos de bateria podem parecer datados, mas você mudará de ideia quando assistir a Neil Peart fazer um. Mesmo aos 62 anos de idade, o cara simplesmente pulveriza suas peles com força, precisão e nuance. Outrora criticado por tocar o mesmo solo por anos, ele agora muda de show em show. Eu já falei que, enquanto os outros membros viajam de avião ou de ônibus, ele vai em sua moto BMW para cada show com uma escolta dos Hell’s Angels? Fudido!

VII. Eles realmente gostam um do outro

Nada do que eu lhe escrever ou que você ouça lhe converterá ao Rush a menos que você tenha a oportunidade de vê-los ao vivo. Mas sem um ingresso, o melhor meio de entender a banda não é uma música ou um álbum em particular. É o documentário ‘Rush: Beyond The Lighted Stage’, de 2010, disponível na Netflix.

Esse filme faz um excelente trabalho ao humanizar os caras da banda, e mostrar que dinâmica incrivelmente positiva eles têm mantido ao longo dos anos. São os mesmos caras desde 1975. Nada de brigas ou reuniões. Nada de drama. Apenas três nerds do Canadá que decidiram marchar em seu próprio compasso, viajar, fazer música, trabalhar duro e nunca se renderem.

Com quarenta anos de maestria debaixo do braço, o Rush assumiu o controle, ainda que permaneça cada vez mais ‘closer to the heart’.

 

 

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