Paraibões: Deixa de caô – tu era LOUCO DE VONTADE de ter um!

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Texto original no site COLLECTORS WEEKLY

Os PARAIBÕES são, por definição, exagerados. Com seu grave acentuado e brilhantes painéis de cromo, essas bestas elétricas são pesadas o suficiente para tonificar seus bíceps. Também conhecidos como ‘ghetto blasters’ ou ‘jamboxes’ no inglês, eles ascenderam à fama nos anos 80 junto com o hip hop, florescendo como uma ferramenta para compartilhamento e mixagem das batidas mais recentes. Mesmo com sua enorme popularidade, os inovadores que inventaram esses aparelhos ainda são totalmente desconhecidos, afundados no anonimato pelas corporações que industrializaram suas contribuições para a música.

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MILES LIGHTWOOD espera mudar isso. Ele é o fundador do site Boomboxラジカセ Creators, um arquivo online e um vindouro documentário dedicado a identificar os indivíduos por trás dos modelos mais famosos de todos os tempos. Até agora, Lightwood conseguiu localizar alguns designers e engenheiros originais, alguns dos quais já falecidos – mas ele espera que, com a ajuda do alcance global da internet, mais deles sejam encontrados antes de morrerem.

Comparados aos micro aparelhos de hoje, os paraibões são como dinossauros eletrônicos, datados tanto por seu tamanho bestial e sua tecnologia ultrapassada. A partir dos anos 70, as empresas reconheceram que os compradores queriam que seus rádios tivessem mais amplitude [volume] e mais dinâmica, então estas certificaram-se de que cada modelo pudesse ressoar em um mix coeso de agudos, midrange e grave, e também oferecer opções de gravação e mixagem. Era essa gama de funções que determinava as enormes dimensões dos paraibões, exigindo falantes enormes, decks para fitas cassete, um receptor de rádio, e até 10 pilhas grandes, tudo isso no mesmo gabinete.

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Os agigantados combos de rádio e cassete logo se tornaram um símbolo de status entre a juventude urbana, que conhecia esses modelos de nome: o JVC RC-550, o Panasonic RX-7200 e o Sharp VZ-2000. Eventualmente, eles teriam outros atrativos, como falantes removíveis e sintetizadores de teclado, permitindo ainda mais capacidade de mixagem. Esses monstros ficaram tão enormes e caros que um modelo, o Conion C-100F, incluía até mesmo um detector de movimento que apitava caso o aparelho fosse movido de lugar.

 

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Hoje em dia, os entendidos em paraibões trocam conhecimento e informação em sites e fóruns como o Boomboxery e o Stereo2go, lembrando, de maneira nostálgica, de festas de rua e fitas que não teriam existido sem tais aparelhos. Em seu livro de 2010, ‘The Boombox Project’, o colecionador de paraibões e fotógrafo Lyle Owerko lamentou a mudança de cultura do compartilhamento feito em público para outro que fica no privado. “O mundo do compartilhamento de música feito nos parques e nas ruas agora está no ciberespaço e compartilhamos tudo anonimamente. O paraibão que marcou essa mudança de ‘transmissão’ pública de música para a de consumo privado foi o JVC PC-100, uma miniunidade com um fone destacável. Agora você poderia dividir sua música publicamente, ou mantê-la privada usando fones de ouvido. ”

Lightwood tem esperança de que, ao desvendar a origem de paraibões clássicos, possa haver uma renovação do interesse na tecnologia que facilitava a cultura comunal de áudio. Ele respondeu algumas perguntas para o site Collectors Weekly, e dentre elas, reproduzimos algumas.

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COMO SURGIRAM OS PARAIBÕES?

O paraibão – por definição, um rádio portátil com toca-fitas e um ou dois falantes – foi inventado na Holanda pela Philips em 1969. Aquele que é considerado o primeiro paraibão foi fabricado de modo que você pudesse gravar do rádio para uma fita sem ter nenhum cabo externo. De repente, você tem uma cultura de compartilhamento musical muito fácil, e as empresas japonesas pegaram a ideia e saíram correndo com ela.

Em minha mente, o primeiro paraibão que é o típico da cultura popular é o JVC RC-550, que era um monstro. Ele tinha um falante de 10 polegadas, uma aparência assustadora, e tinha luzes e tudo mais. Ele foi feito em 1975.

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Enquanto a funcionalidade fora desenvolvida na Holanda, os paraibões mais icônicos foram criados no Japão durante os anos 70 e 80. Essa foi uma época na qual o design e a manufatura japonesa estava se desenvolvendo de uma cultura de cópia para ser uma cultura de inovação, e o paraibão é um grande exemplo disso. Eu quero achar os inventores desses aparelhos ‘sagrados’ e contar as histórias sobre como eles desenharam as máquinas que amamos, antes que seja tarde demais. Além de minha própria curiosidade pessoal, os criadores dos paraibões precisam ser reconhecidos e celebrados por suas contribuições, não somente nos campos do designe engenharia, mas também para a cultura mundial de compartilhamento de música.

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POR QUE ELES ERAM TÃO GRANDES?

Os paraibões clássicos dos anos 70 e 80 eram desenhados para prover a mesma experiência da aparelhagem doméstica de áudio, mas pra viagem. Isso implicava em vários falantes grandes [geralmente de 2 a 3 falantes indo de 2 a 10 polegadas em diâmetro], um ou mais decks de fitas, um receptor de rádio de várias bandas [tipicamente de 2 a 5 faixas, mas alguns tinham mais], a fonte de energia para usá-lo na rua [8 – 10 pilhas grandes] e a fonte para liga-lo na rede elétrica em casa. Na era do analógico, para obter o som mais alto de falantes grandes, você precisava de um amplificador grande e outros eletrônicos, como um circuito de crossover, que ocupavam muito espaço físico dentro de um paraibão.

Transportar todos esses componentes de modo seguro e com estilo, era necessário haver um gabinete que satisfizesse exigências estéticas, sônicas e funcionais; consequentemente, esses paraibões eram grandes pesados. Questões práticas à parte, um aparelho maior, mais potente e espalhafatoso atraía mais atenção a você na rua – e lhe dava certa reputação – e os fabricantes podiam cobrar mais, então todo mundo ganhava. Tamanho é documento.

 

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O QUE PERDEMOS COM OS MP3 PLAYERS?

O calor do som e a comunidade física. Quando compartilhado em um espaço público, um paraibão é como uma fogueira, atraindo aqueles nas proximidades para desfrutarem de uma experiência musical analógica e os liga em uma comunidade espontânea. Em qualquer momento que eu dividir a partir de um paraibão em público, eu conheço novas pessoas, aprendo novas histórias, e todo mundo se diverte. Ouvir um MP3 player em público simplesmente não é a mesma coisa.

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