Ciência: modo pelo qual cérebro pensa é que dita seu gosto musical

Seu gosto musical pode ser uma perspectiva externa sobre como seu cérebro funciona, de acordo com pesquisadores da renomada Universidade de Cambridge.

O estudo conduzido por eles e publicado na PLOS One, constatou que música mais suave como R&B, soft rock e folk era a escolha dos participantes que tiveram índices numéricos mais altos de empatia, enquanto aqueles mais hábeis com ‘sistemização’, ou análise de padrões, preferiram ao punk, heavy metal e música mais complexa, como jazz de vanguarda.

Os pesquisadores recrutaram 4 mil participantes e os submeteram a diferentes baterias de testes para avaliar se eles possuíam características de ‘empatia’ ou ‘sistemização’, ao, por exemplo, perguntá-los se eles estavam interessados em como motores de carros são construídos, ou se eram bons em adivinhar como as pessoas estavam se sentindo.

Eles então pediram aos participantes para classificar 50 pequenos trechos de músicas em 26 diferentes estilos, e descobriram que os empáticos tendiam a preferir R&B mais leve e soft rock e música ‘despretensiosa’ como country e folk, com músicas como ‘Halleluiah’, de Jeff Buckley e ‘Come Away With Me’ de Norah Jones entre as favoritas. Aqueles que obtiveram placares mais altos em empatia também preferiam emoções negativas ou profundidade emocional nas letras.

Os sistematizadores favoreceram músicas ‘intensas’, mas torceram o nariz para estilos melosos e despretensiosos, e suas faixas favoritas incluíam coisas como ‘Enter Sandman’ do Metallica [não se sabe se entrevistaram ou analisaram os fãs de Metallica pré-1991, que acham o Black Album já meloso por demais].

O pesquisador que liderou o experimento, David Greenberg, declarou: “Apesar de as escolhas musicais das pessoas flutuarem com o tempo, descobrimos que os níveis de empatia de uma pessoa, assim como seu estilo de pensamento, predizem que tipo de música ela gosta.

“Na verdade, seu estilo cognitivo – sejam elas fortes na empatia ou com sistemas – pode ser uma previsão melhor de seu gosto musical do que sua própria personalidade. ”

A ideia por trás do teste era abordar como as pessoas tomam decisões rápidas sobre as músicas que amam ou odeiam. Os pesquisadores acreditam que suas descobertas poderiam ser usadas pela indústria, por exemplo, no caso das empresas de streaming, para que aprimorem seus playlists.

Disse Greenberg: “Muito dinheiro é investido em algoritmos para escolher que música você pode querer ouvir, por exemplo no Spotify e na Apple Music. Ao saber do estilo de pensamento de um indivíduo, tais serviços podem, no futuro, ajustar suas recomendações musicais para cada consumidor. ”

Simon Baron-Cohen, professor de psicopatologia do desenvolvimento da Universidade de Cambridge, acrescentou: “A pesquisa pode nos ajudar a entender àquelas pessoas em casos extremos, tais como as que padecem de autismo, que são fortes sistematizadores. ”

 

 

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