Sepultura: ‘Os EUA vitimizam a Max e nos vilificam’, diz Andreas

O jornalista JIMMY CABS conduziu recentemente uma entrevista com o guitarrista ANDREAS KISSER do SEPULTURA. A conversa pode ser assistida mais abaixo.

Perguntado sobre como explicaria o fato de que o Sepultura ainda não recebe o reconhecimento que merece do público dos EUA como o tem em outras partes do mundo, Kisser disse: “Desde que Max saiu da banda [em 1996], o Sepultura tem sido atacado, no sentido que foi apresentado à imprensa, e a Roadrunner, nossa gravadora à época, de fato ajudou a criar essa imagem – que Max era a vítima, e que o Sepultura de algum modo o botou para fora por que razões e tal. Mas nós apenas demitimos nossa empresária. E ele era casado com nossa empresária, então ele saiu da banda. Nós não o demitimos. E eles começaram a criar essa imagem de que éramos os caras maus, e os EUA meio que compraram essa – a maioria dos EUA, eu devo dizer. Eu não posso mesmo generalizar, porque temos grandes fãs aqui também que conseguem de fato sentir e ver a evolução dos temas dosa quais temos tratado e nossa experiência musical, não somente no Brasil, mas em rumos diferentes, não tentando copiar a nós mesmos, e realmente mantêm o espírito do Sepultura vivo, que está nos mantendo juntos.

“Mesmo com os Cavaleras na banda, nós nunca fizemos o mesmo disco; nós sempre tentamos fazer algo diferente. Mesmo ‘Chaos A.D.’, que é um dos discos mais especiais de nossa carreira, nós seguimos com ‘Roots’, que é totalmente diferente dele. Geralmente uma banda acha uma fórmula e tenta repeti-la, mas nós nunca fizemos isso. E Max tentava repeti-la, ‘Roots’ e tal, e falando com a imprensa, e isso e aquilo. E não somente na mídia, mas nos bastidores, no lance dos negócios, e fazendo campanhas contra nós. E, no fim das contas, não perdemos somente o vocalista – perdemos nosso empresariamento, perdemos a confiança da gravadora, perdemos a confiança de produtores de shows e agentes e tal. Mas eu acho que os EUA são um lugar difícil de se fazer turnês também, sabe, tocando metal, então éramos muito maiores na Europa e na América do Sul e lugares diferentes, sabe, e isso ajudou a criar uma distância do público e dos fãs dos EUA. ”

Ele acrescentou: “Mas, sabe, é um desafio… os EUA eram um desafio, e sempre foram um desafio para o Sepultura. Nós nunca fizemos uma turnê como banda principal aqui do mesmo modo que fizemos na Europa, por exemplo – tocando em lugares abertos grandes. Abrimos pro Ozzy aqui, abrimos pro Pantera, abrimos pro Ministro, tocamos no Ozzfest, e grandes shows assim, mas nunca uma turnê do Sepultura. Então quando estávamos prontos para aquela turnê de ‘Roots’ – em 1997, estávamos prontos para vir para os EUA e de fato estabelecer o Sepultura como uma banda grande – mas Max saiu no pior momento. Então as consequências foram realmente duras para nós. Mas hoje em dia analisando, eu tenho que agradecer por tudo que aconteceu conosco. Porque somos uma banda muito melhor agora. Nós controlamos nossas vidas muito mais, nossos negócios. Estamos mais velhos, temos família, filhos… somos mais experientes para lidar com coisas diferentes, e nos divertimos. Eu acho que isso é o mais importante. E que pena para as pessoas que não seguem mais ao Sepultura. É problema delas, na verdade.

“Não estou aqui para convencer ou pregar para ninguém. Eu apenas me expresso através de guitarras e letras, etc. E temos conexões com diferentes culturas, públicos diferentes, países diferentes… 73 países que o Sepultura visitou nesses trinta anos. É uma marca incrível – uma marca incrível. É insano ver que, a despeito de política e religião, vamos a todo lugar e a música realmente abre as portas.

“É um privilégio ser parte do Sepultura, e apenas precisamos trabalhar mais nos EUA. ”

 

 

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