Scorpions: ‘Saí da banda porque estava de saco cheio daquilo’, diz Francis

Quando MICHAEL SCHENKER revelou ao mundo em 2013 que ele havia convencido a lendária cozinha do SCORPIONS – o baterista HERMAN RAREBELL e o baixista FRANCIS BUCHHOLZ – a  juntarem-se ao TEMPLE OF ROCK, os fãs ficaram em júbilo por poderem, desde o petardo ‘Lovedrive’ [1978] poderem ver o trio trabalhando junto novamente. Desde então, o grupo lançou dois CDs: ‘Bridge The Gap’ e ‘Spirit On A Mission’.

Buchholz, que ficou na banda por 17 anos até 1992 – o que resultou em 12 álbuns e quase SETENTA MILHÕES de discos vendidos – conversou com a revista canadense Brave Words Bloody Knuckles e falou de sua saída da banda, quando o grupo ainda ria à toa do dinheiro coletado com o sucesso do álbum ‘Crazy World’, assim como sua subsequente turnê.

BraveWords: Eu me lembro de toda aquela apresentação na CNE de 1984 tão vividamente, e foi mais de 30 anos atrás! Eu estava tão animado. Eu tenho quase certeza que você e eu tivemos contato visual; nos conhecemos faz tempo e nem sabíamos disso [risos]. Mas há tanto para se falar a respeito. A primeira coisa que me vem à mente é que você desapareceu por um tempo.

Buchholz: Sim, eu estava de saco cheio da música. Eu estava de saco cheio de estar no grupo com todas essas brigas internas e tumultos que estavam rolando depois de termos passado. Daí, naquele tempo, eu me tornei pai de duas gêmeas, e eu já tinha um filho de um ano e meio. Então eu decidi que era nisso que eu iria me concentrar. Eu saí do mundo do rock e entrei para o mundo familiar. Eu ainda tinha que resolver as questões de negócios, a diferença era que eu não tocava mais com eles. Eu coloquei meu instrumento no canto e deixei lá. Eu tinha meu pequeno estúdio e uma empresa de aluguel de PA na Alemanha que era a maior do ramo e muito bem-sucedida. Então me mantive ocupado. Eu estava de saco cheio da música, e obviamente não ia mais sair em turnê ou gravar. Mas agora voltei a esse círculo.

Bravewords: Eu tive a felicidade de entrevistar a MICHAEL SCHENKER recentemente e ele estava me explicando como ele simplesmente sentiu que precisava sair da banda quando estavam prestes a fazer um sucesso estrondoso e ele ficou feliz por ter saído. Não é a mesma história que você, mas vocês escolheram seguir outro caminho.

Buchholz: Naquela época, dentro da banda, estávamos passando por problemas. A banda estava dividida em duas.

BraveWords: Quais eram as metades?

Buchholz: Eu era uma metade, e havia a outra [risos]. Havia advogados no meio e toda essa merda, eu simplesmente não aguentava mais. Eu tinha que decidir entre seu um músico ou um homem livre. Eu sempre achei que ser um homem livre era mais importante do que qualquer outra coisa, liberdade é o que eu preciso, e não havia mais liberdade. Tínhamos novos empresários porque o antigo fora despedido. Um advogado estava entrando de empresário. Então era viver com aquilo ou não.

BraveWords: Tudo gira em torno de dinheiro. Todo mundo ama dinheiro, mas ele traz as merdas junto.

Buchholz: Correto. Eu faço isso por diversão. Eu comecei porque eu gosto, não se trata mais de dinheiro.

BraveWords: Sim, hoje em dia não é mais por dinheiro.

Buchholz: Eu gosto de tocar com esses caras e nos damos muito bem como músicos. Estou muito feliz com eles.

Bravewords: Qual sua relação com Herman e Michael hoje em dia?

Buchholz: Herman é meu irmão. Tocamos juntos nos Scorpions por muitos anos. Quero dizer, fomos inimigos por um tempo, mas agora estamos mais próximos do que nunca. É muito bom. Com Michael, é uma situação muito diferente. Ele é um solitário, ele fica na dele.

Bravewords: Ele é muito espiritual.

Buchholz: Sim, e ele é um gênio da guitarra. Eu amo o que ele está fazendo. Eu amo sua arte. Eu o amo como ser humano. Eu o conheço desde que ele tinha 17 anos. Eu estava morando com meus pais, e do lado havia um apartamento com um baterista vivendo lá. Eles davam festas direto e Michael ia a essas festas. Michael tinha um cabelo loiro muito comprido, e eu conheço ele desde essa época. Isso foi em 1970, acho. Eu não me lembro se o Scorpions já existia nessa época ou não.

[…]

Bravewords: Qual é sua relação com o resto dos caras do Scorpions hoje em dia?

Buchholz: Não há relação. A música é algo que se faz juntos.

Bravewords: Os fãs, quando olham pro palco, enxergam uma família, mas não é assim que funciona a coisa.

Buchholz: Vamos colocar desse modo; dá certo enquanto há um sentimento de família ali. Mas, se esse sentimento some, e você finge que é uma família, então não deveria continuar. Quando você continua a fazer isso apenas pelo dinheiro, então você tem que decidir isso por si mesmo. Para mim, a decisão naquele tempo foi não continuar e estar com a família e não viver pela carteira. Tudo tinha virado uma dor de cabeça.

[…]

 

 

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