Warrant: zoada por uns, amada por outros, banda marcou época

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O jornalista estadunidense GERY GITTELSON, do site Metal Sludge entrevistou na última semana seu amigo de juventude e baixista fundador do WARRANT, JERRY DIXON, e juntos dissecaram a incontestável trajetória – e presença – do grupo pela cultura musical popular dos EUA e, muito mais fortemente, do hard rock dos anos 80 e começo dos 90. Claro, a conturbada vida do vocalista JANI LANE. Morto em 2011, foi abordada no papo.

Alguns trechos traduzidos da entrevista podem ser lidos abaixo.

[…]

O quão orgulhoso você é do que o Warrant conseguiu alcançar?

Dixon: Por vezes eu simplesmente sento e fico pensando nisso. Fico muito feliz por ter estado naquele gênero de música, e, à medida que o tempo passa, nos damos conta que aquilo nunca mais vai acontecer de novo. Com o Facebook e o Twitter e todos esses meios, e sem a MTV e basicamente ZERO de espaço nas rádios para bandas novas, é difícil. Quero dizer, quando começamos, quem é que podia imaginar? Então eu fico muito maravilhado por ter crescido com aquilo, porque, na época, ninguém se dava conta de que ajudávamos a criar um movimento. Essa é uma bela medalha de honra ao mérito.

Eu tenho procurado faz um bom tempo por uma banda com som das antigas formada por jovens, uma banda com boas músicas, um excelente visual, um excelente show de palco. Difícil de achar, Jerry.

Dixon: É estranho, meio que chocante. Eu não sei o que rola. Eu acho que é muita tecnologia, talvez. As bandas querem entrar no estúdio com tudo polido e descolado e perfeito, ao contrário de apenas beber e tocar. Quero dizer, eu amaria ouvir histórias sobre bandas tacando televisores pelas janelas de hotéis novamente.

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[…]

OK, vamos às perguntas mais descaradas. Qual o cheque mais alto que você já recebeu por trabalhos ligados à música, e no que você gastou o dinheiro?

Dixon: O maior cheque que recebemos foi quando renegociamos com a gravadora depois de ‘Cherry Pie’ e cada um de nós levou 250 mil dólares [nota: isso equivaleria a 430 mil dólares hoje em dia, um milhão e trezentos e cinquenta mil reais pelo atual câmbio]. Era uma loucura. Eles pegaram 60 mil em impostos, e depois de pagar os empresários e tudo mais, acabou com cada um pegando 130 mil dólares. Eu comprei minha primeira casa com aquele dinheiro, e dois anos depois, eu a perdi num processo falimentar, então acho que foi tudo pro ralo.

[…]

Eu ainda penso muito em Jani Lane, Jerry. Faz quase quatro anos que ele morreu.

Dixon: Quer saber? A história toda foi apenas um péssimo fim para algo que fora bom. Eu não vou mentir. Estava ruim fazia muito, muito tempo também, quando ele estava conosco, mas é apenas um triste fim para algo que era muito bom, e ele era muito talentoso. Muitas memórias dolorosas e muitas excelentes lembranças.

Foi brutal ver alguém passar por algo daquele tipo e não poder ajuda-lo ou mudar seus hábitos. Era frustrante não poder consertar aquilo, aquela trilha para a destruição. Nós mostrávamos o caminho certo para ele, mas durava pouco tempo. Foi feio. Foi feio vê-lo esquecer as letras no palco. Basicamente, era como ele não estivesse lá de fato, e ele acabou saindo. Todos nós tínhamos nos reunido com boas intenções. Ele tinha saído da reabilitação. Estava tudo ali pra ele com padrinhos de sobriedade na estrada para ajudar a combater seus demônios, e aquilo não pareceu funcionar tampouco. A coisa toda era uma merda. Tocar juntos, ser amigo e como um parente, ver alguém naquele estado de vício, é brutal.

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Conte-nos sobre um ou outro ponto alto de sua carreira, começando por ser contratado pela Columbia.

Dixon: Isso foi provavelmente a melhor coisa. Sabe, naquele período de nossas vidas, aquele foi o momento quando me dei conta que, como músico, eu tinha que fazer isso. É minha vocação, minha primeira chance. Você meio que nunca esquece aquilo.

Eu me lembro de que, quando vocês assinaram o contrato, Jani comprou um Corvette zero km. O que você comprou?

Dixon: Tá brincando? Não tínhamos todo esse dinheiro. Ele financiou o carro. Eu sei que Joey Allen comprou um par de botas de 800 dólares, e foi só. Eu acho que coloquei meu dinheiro no banco. Porra, tudo era financiado. No romance without finance. Mas, como eu disse, eu acho que cada um pegou 800 dólares cada. No Warrant, 90% do dinheiro que fazíamos voltava para a banda – o que era estupidez.

E a primeira turnê por arenas?

Dixon: Foi provavelmente com o Mötley Crüe, e era inacreditável só de ver o quão grande o rock podia ser, com produção e caminhões.

E quando ‘Heaven’ estourou?

Dixon: Honestamente, ficamos na estrada por 18 meses, e naquela época não havia telefonia celular, internet, TV por satélite. Ficávamos meio alheios ao que estava acontecendo. Eu acho que tínhamos alguns pequenos relatórios uma vez por semana – ‘Heaven’ entrou nas paradas, a MYV abraçou o vídeo, esse tipo de coisa. Com ‘Heaven’, eu fiquei surpreso, mas não me impressionei com nada. A única coisa que podíamos de fato perceber era que nosso número de fás aumentava cada vez mais, ouvindo a música mais e mais no rádio do ônibus. Eu queria ter absorvido mais daquele momento, mas como eu disse, estávamos sempre na estrada, então eu ficava meio que desligado.

 

E daí ‘Cherry Pie’ veio, e foi tipo, ‘wow’. Ali vocês viraram a banda principal da noite.

Dixon: Sim, aquela foi a nossa primeira grande escalada na cadeia alimentar. Naquele momento, estávamos brincando com o sucesso um pouco, e daí fizemos o gol. O single foi muito bem. Foi uma época muito empolgante, o disco ‘Cherry Pie’ foi feito antes de Jani compor a música ‘Cherry Pie’ no último segundo. Não era nem para ela entrar no disco. Não fazia nem parte dos planos.

[…]

Eu acho que o Warrant era meio que o símbolo da gozação toda de vez em quando, de todo o lance hair metal. Mas vocês ainda estão por aí fazendo grandes shows enquanto muitos outros não estão fazendo porra nenhuma.

Dixon: Eu acho que, olhando para tudo agora, as palhaçadas que fazíamos, eu não posso culpar quem nos zoava – vestir couro branco nos vídeos, tirando fotos em motocicletas. Por um lado, é meio engraçado, sim. Falando sério, contudo, é legal ainda estar na parada. Os haters e as pessoas que nos criticam?  Nós os infectamos silenciosamente, e já faz 31 anos. Vou te dizer uma coisa: tocar ‘Cherry Pie’ nunca azeda. A reação da plateia é sempre insana.

[…]

A entrevista completa – em inglês – pode ser lida no link abaixo:

 

 

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