Compact Disc: formato começa a sumir das lojas dos EUA

Michelle Johnson looks over a large selection of vinyl available at Wax Trax in Denver, Co on April 16, 2014. Photo By Helen H. Richardson, The Denver Post.

Se o CD já não estiver morto, seus dias estão certamente contados nas lojas de discos.

Ao analisar os números das vendas no fim de ano de 2014, PAUL EPSTEIN, dono da Twist & Shout Records, de Denver [EUA], notou algo que ele não via há 25 anos: a receia bruta oriunda da venda de discos de vinil tinha passado a da dos CDs.

“Há um romance com o vinil no momento”, disse Epstein. “Durante anos, milhões de pessoas trocaram a conveniência pela estética e de um louco modo cultural, e todas elas acordaram agora e se deram conta de que não tinham nada e que a música deles não tem significado algum e que os iPods são uma merda e que eles querem voltar pra música e a se importar com isso.”

Nos últimos cinco anos, as vendas de discos de vinil aumentaram ano após ano, ao mesmo tempo em que as de CDs caíram. Ao longo da primeira metade de 2014, as vendas de CDs caíram 19.6 por cento, enquanto as de vinil aumentaram em mais de 40.4 por cento nos EUA, de acordo com relatórios da auditora especializada Nielsen Soundscan. Em 2013, mais de 6 milhões de LPs de vinil foram vendidos, 33 por cento a mais do que os 4.5 milhões de 2012.

“O vinil está se tornando o formato de escolha para o verdadeiro fã de música”, disse Mark Mulligan, um analista da indústria musical da MIDiA Research,

“A visão do público a respeito do CD é uma compilação com os maiores sucessos de Cher em uma loja de departamentos ou em um super mercado, é o mais baixo denomina dor comum para música”, ele afirmou. “No vinil, rola essa coisa meio mística do passado”.

A rentabilidade do vinil sempre passou a dos CDs [“o equivalente capitalista a produtos de caloria zero”, disse Epstein], mas eles também são muito mais difíceis de se obter, são menos abundantes, não podem ser devolvidos ao fabricante, ocupam mais espaço, e quando se fala de usados, exigem “conhecimento arcano” para comprar os discos certos, disse Epstein.

Andy Schneidkraut, dono da Albums On The Hill em Boulder, começou a notar o crossover nas vendas de CDs e vinil em junho de 2013, e, desde aquele mês, “as vendas de vinil passaram as de CDs”, diz ele.

A Angelo CDs And More – que vende CDs e vinil em várias lojas na região metropolitana de Denver – ainda não chegou a tanto. Contudo, a loja está caminhando rápido para o ponto em que o vinil passe o CD, disse o dono Angelo Coiro. Pode até acontecer em 2015, disse ele.

Em parte, é porque os LPs de vinil custam mais. Os LPs mais vendidos da Twist & Shout em 2014 – “Lazaretto” de Jack White e “Morning Phrase” [ambos lançados ano passado] – custam US$ 28,99 e US$ 24,99, respectivamente. Em CD, qualquer um dos dois sai por US$12.99.

É uma moda que muitos não teriam previsto depois de o CD ter sido introduzido nos anos 80 e décadas depois, o mesmo com a música digital e os serviços de streaming. Audiófilos compram vinil pela suposta qualidade diferenciada do som, muitas pessoas compram “Lazaretto” por suas funções bônus, mas, mais importante, as pessoas compram pelo vácuo físico de se possuir música. Durante a grande migração digital dos anos 2000, uma geração inteira de repente negligenciou a propriedade física da música.

“Quando você ouve um disco, você tem uma relação com a música – você senta e se conecta a ele”, disse Schneidkraut. “Elas querem que aquilo tenha importância, elas querem uma ligação emocional. Discos exigem um comprometimento que os CDs e a música digital nunca exigiram.”

Uma imagem no seu telefone ou no seu tablete ainda não substitui a sensação de segurar um disco e expô-lo orgulhosamente na sua prateleira. Para os fãs jovens que estão chegando a fase adulta no mundo digital, esse aspecto físico é algo que eles querem experimentar.

“Em um tempo onde tudo é baunilha, onde tudo está disponível ao deslizar de dedos, nada mais é especial”, disse Mulligan. “Os fãs de música estão tentando encontrar algo que seja especial e o vinil é especial e as lojas de disco estão colocando o vinil de volta à equação do que torna a música especial mais uma vez.”

Com tais vendas e a moda cultural dos clientes escolherem o vinil em detrimento dos CDs, as lojas de discos estão mudando. A Twist & Shout, a Albums On The Hill, Angelo’s e Wax Trax em Denver estão destinando o espaço em suas prateleiras para representar o crescente interesse dos consumidores pelos LPs.

“Qualquer um que compre aqui com frequência notou que a sala oeste passou de 50 por cento vinil para 100 por cento vinil e agora, na sala leste, as últimas fileiras foram convertidas para o vinil”, disse Epstein a respeito da Twist & Shout. “Tem havido muita mudança em nossa loja”.

Na Wax Trax em Denver, o dono Dave Wilkins disse que a loja está no processo de passar seus compactos de 45 RPM para a loja de CDs ao lado para ter mais espaço para long plays de vinil. A Albums On The Hill irá diminuir o número de CDs usados que mantém nas prateleiras. A Angelo’s tem diminuído continuamente sua seção de CDs e aumentando a de vinil e irá prosseguir com isso ao longo de 2015.

“Mesmo que seja apenas uma moda, e mesmo que passe, o que isso mostra é que os fãs de música possuem um apetite inerente por uma manifestação tangível de seu gosto musical”, disse Mulligan. “Eles querem algo que possam tocar, mostrar e sentir e que diga, ‘isso aqui sou eu’.”

 

 

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