Vinil: Por que audiófilos pagam até R$3000 por um LP dessa loja?

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Quanto você pagaria por uma cópia original de “Abbey Road” dos BEATLES? Se você for cliente da BETTER RECORDS, a resposta é ‘muito’: US$ 650.

Outros exemplares icônicos da – há muito superada – época de ouro do vinil pedem preços igualmente astronômicos. O disco de estreia do FLEETWOOD MAC: US$500. “Synchronicity”, do THE POLICE, US$350. Até coisas questionáveis como B-52’S chegam a US$220.

E esses são os baratos. Os preços por listas de desejos como “Tommy”, do THE WHO, “The Wall”, do PINK FLOYD, e o “Álbum Branco” dos BEATLES são dignos de subornados citados na operação Lava-Jato: de US$1000 pra cima.

Exploração descarada? Não, pelo menos de acordo com o dono da Better Records, TOM PORT. Ele acha que mil dólares é uma pechincha para ouvir uma obra clássica do rock numa qualidade melhor do que você jamais ouviu antes – chapado ou sóbrio.

Eu gostaria de cobrar US$1500, porque é esse o valor que eu acho que esses discos possuem”, afirma. “Mas não cobro, porque os fregueses chiam.”

Isso é o que passa por restrição fiscal no mundo do áudio de alta fidelidade: manter na casa das centenas o preço de discos prensados à exaustão, em milhões de cópias vendidas, a mesma coisa que se acha em repúblicas de hipsters nojentos ou em sebos. Mas Port insiste que seus discos meticulosamente bem curados são especiais. Ao contrário de muitos comerciantes, ele não mexe com as sucatas de costume, lotadas de riscos e sobra de maconha. Ele só trafica ‘coisa fina’, o melhor dos melhores.

Centenas de fatores determinam como soará um vinil antigo, desde a cadeia de donos que ele teve, até se ele foi devidamente guardado, até a pureza do vinil, além da qualidade do equipamento que o produziu. Um fator no qual muitos colecionadores se fixam está na qualidade das matrizes do acetato, os pratos de metal com sulco usados para prensar uma massa de vinil derretido e assim fazer dele um disco. Tal como qualquer tipo de impressão por metal, tais moldes tem uma vida útil restrita. O acúmulo de riscos, falhas e outros danos resultantes do enorme desgaste mecânico ao qual uma matriz é submetida – 100 toneladas durante uma série de produção – leva a uma perda gradual da fidelidade do áudio nos discos acabados. Para assegurar a melhor qualidade do som, algumas empresas mais refinadas do segmento de prensagem de vinil hoje em dia limitam suas matrizes a 1000 cópias. Em contraste a isso, no auge da produção do vinil, era comum prensar até 10 mil discos de um acetato. É preferível ter um disco produzido nos primórdios de uma série, antes de as placas de metal exibirem sinais de desgaste, do que mais pro fim, logo antes de o tipo ser aposentado.

Pegue uma prensagem de baixa geração de um título icônico produzido sob as condições ideais, tome conta – muito bem – dela por 40 anos, e talvez um dia ela valha milhares de dólares.

Vender tais artefatos a tais preços requer mais do que uma lista de clientes com renda de sobra. Dá muito trabalho.

Achar discos que reúnam as qualidades ‘impecável’ e “transcendente” não é lima tarefa fácil.

A Better Records oferece discos de jazz, blues, música erudita e algumas excentricidades, mas, invariavelmente, a procura é por discos clássicos de rock como o catálogo do ROLLING STONES.

O processo começa pelo garimpo no mercado de usados – desde doações para a caridade até sites de leilão – onde se compra doze ou mais cópias de um disco. A seguir, um processo digno de spa: uma lavagem de enzimas em três etapas seguida por uma aspiração profunda dos sulcos com duas máquinas, uma delas avaliada em quase 30 mil Reais e do tamanho de um freezer horizontal.

Em seguida, o resultado é apreciado na sala de auscultação da Better Records, onde uma aparelhagem modular de som, nem tão potente ou amplificada por tubos como se suporia no caso. Na verdade, trata-se de um sistema amplificado por transistores, fabricado nos anos 70 por uma empresa japonesa e que só tem 30 watts de saída por canal: “Eu uso um sistema amplificado de baixa potência porque ele não colore a música. Tubos a vácuo tornam tudo quente e acrescentam distorção. Isso pode soar muito bom, mas eu preciso de algo apurado.”

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Contudo, uma vez que se soma o preço do toca-discos e das caixas de som integradas ao setup fazem com que o valor total da catrevagem chegue a US$35 mil.

Quando a audição começa, as luzes são abaixadas, as pálpebras caem e as orelhas se abrem.  Leva-se em consideração os aspectos costumeiros: presença, extensão de frequência, transparência, soundstage, textura, e correção tonal. Cada elemento é escrutinizado nos mínimos detalhes. Se a opinião entre os integrantes do staff divergir, cópias de referência são retiradas do arquivo para checar avaliações anteriores. É um trabalho bem maçante, e que vai classificar um vinil de 1 a 10, e em tal analogia, estabelecer seu preço.

Acesse o site da Better Records: http://better-records.com/

Baseado em texto de RENE CHUN para o site WIRED 

 

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