Mötley Crüe: da ruas de LA ao Olimpo no US Festival de 1983

US Festival 1983 - San Bernadino CA

Por GAVIN EDWARDS

Em maio de 1983, o MÖTLEY CRÜE acabara de assinar com a Elektra Records, mas estavam correndo o risco de serem dispensados antes mesmo de lançarem um disco sequer pelo selo. Quem os salvou? O cofundador da APPLE, Steve Wozniak, que tinha muito dinheiro de sobra em seus bolsos.

Wozniak, o engenheiro que fundara a Apple com STEVE JOBS, tinha pego uma licença da empresa no começo dos anos 80, ao não demonstrar muito interesse em fazer a transição para o alto escalão do negócio. Ao invés disso, ele patrocinou um enorme show se rock chamado US Festival, que teve edições em 1982 e 1983 antes de afundar em meio a milhões de dólares em dívidas.

O elenco de 1982 foi basicamente os favoritos da MTV daquele ano [The Cars, The Police, Tom Petty, Talking Heads], mas no ano seguinte houve uma divisão de gêneros, com dias separados dedicados à New Wave, Rock e Heavy Metal. O Mötley Crüe, que eram famosos na Sunset Strip e olhe lá, conseguiram uma vaga no cast do dia 29 de maio, um domingo, junto com OZZY OSBOURNE, JUDAS PRIEST e o SCORPIONS. O VAN HALEN supostamente recebera um milhão de dólares para tocar no mesmo dia, e gastou a maior parte disso em uma festa muito bem organizada.

O festival ocorreu em San Bernardino, Califórnia [cerca de 100 km de Hollywood] – o VJ da MTV Mark Goodman descrevera o local como ‘quente e empoeirado e sujo’. O vocalista VINCE NEIL lembra-se de ter chegado de helicóptero [sua primeira vez em um], sentindo-se muito bem por causa da mistura de Jack Daniel’s, comprimidos e ‘a cabeça de uma loira subindo e descendo no meu colo’. Foi aí que a realidade bateu à porta: a banda dele era relativamente desconhecida, e o set list deles era composto quase que totalmente por músicas desconhecidas do álbum ‘Shout At The Devil’, que eles haviam acabado de começar a gravar [e seria lançado em setembro daquele ano].

Ainda que os milhares de metalheads presentes estivessem esperando pelo Van Halen, o Crüe os arrebatou em um set de 45 minutos que mostrava como era o grupo no exato momento em que eles saíram de cena dos bares. O ponto alto da performance fora o futuro single ‘Looks That Kill’, que também servia como uma autodescrição do grupo, bastante preocupado com a imagem. O baixista e compositor NIKKI SIXX, que completou 56 anos essa semana, tinha apenas 24 anos na época, e, apesar de ter mais de 1m85 descalço, ainda crescia vários centímetros com enormes botas de plataforma. O guitarrista MICK MARS, que anos depois se tornaria uma estátua virtual no palco por causa de problemas com a artrite e a coluna, era bastante móvel e agressivo ao vivo. Vince Neil era uma visão acachapante de laquê de cabelo e maquilagem Kabuki. E o baterista TOMMY LEE era o motor que garantia que a banda mandasse muito bem.

 

Como Neil comemorou o show triunfante? Comendo a moça que estava com o A&R deles na Elektra, TOM ZUTAUT. Sixx ficou furioso, sabendo que Zutaut tinha o potencial de catapultar a carreira deles – mas quando Zutaut ficara sabendo anos depois [enquanto era entrevistado para a biografia literária do grupo, ‘The Dirt’], ele deu de ombros, dizendo, ‘se alguém fosse importante pra mim, eu não a levaria para um show daquele tipo. Tampouco a deixaria no trailer com qualquer membro do Mötley Crüe’. Menos de um ano depois do US Festival, ‘Shout At The Devil’ chegou a disco de Platina. Steve Jobs pode ter sido responsável pelo iPhone e pela Pixar, mas Steve Wozniak pode se gabar da carreira do Mötley Crüe como um de seus legados.

 

 

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