O Triste Fim: Futuro do rock pertencerá a bandas tributo e franquias

Do artigo original ‘Why the future of rock is tribute bands and franchises’ de JAMES MADD

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A semana passada viu o relançamento comemorativo do décimo aniversário de ‘Some Kind of Monster’, do METALLICA, em Blu-ray. Nem precisamos dizer a você, esse é um dos grandes documentários do rock de todos os tempos. Focando nas gravações de seu fraco álbum “St. Anger”, ele mostra todos os chiliques e quadros passivo-agressivos que você aguenta, além do bem-vindo bônus de um psicólogo em tempo integral trajando uma horrenda roupa de tricô que quer ajudar com as letras. Visto dez anos depois, o que mais impressiona é que o paradoxo em si – que a banda faça qualquer coisa para permanecer na situação que os deixa sofrendo e com raiva – seja mais relevante do que nunca. Por que é que eles não simplesmente acabam com a banda?

A resposta, claro, é que as bandas não se separam mais, e ninguém mais se aposenta. Eles podem até ‘dar um tempo’, mas se por ventura cometeram o erro de romper, pode apostar que eles vão se reunir muito em breve. Isso virou tão norma de regra que ficou difícil acreditar que, nos anos 80, antes de o Live Aid revitalizar os shows em estádios, os músicos de rock se preocupassem sobre quanto tempo eles conseguiriam aguentar naquela vida. Foi só recentemente que todos eles decidiram que a resposta era ‘até quando aguentarmos’.

Esse ano, alguns dos grandes nomes começaram a dizer que estão chegando perto disso. O PINK FLOYD declarou que seu novo [bem, ‘enovecido’] álbum ‘The Endless River’ será o último. OZZY OSBOURNE disse que ele ‘faria mais uma turnê com o BLACK SABBATH, mais um álbum do Black Sabbath, e daí vamos encerrar, creio eu’. Esse ‘creio eu’ é o que pega, contudo – isso torna tudo tão definitivo quanto as turnês de despedida de FRANK SINATRA. Ozzy sabe que ele tem que manter suas opções abertas porque se ele não ficar esperto, eles pegam um holograma de RONNIE JAMES DIO e caem na estrada. Se isso não der certo, eles pegam TONY MARTIN mesmo.

A morte é mesmo o único obstáculo aqui, e até pra isso há soluções. Preparando-se para lhe entreter nas maiores casas do Reino Unido em Janeiro está o QUEEN, com ADAM LAMBERT nos vocais, um concorrente do American Idol que tinha nove anos de idade quando FREDDIE MERCURY faleceu. Nesses casos de ‘herança’, tal como o JOURNEY e o JUDAS PRIEST já mostraram antes, contratar um imitador como esse, seja de um programa de calouros ou der uma banda cover, tem enormes vantagens em relação a achar um novo vocalista que possa ter seu próprio estilo e, muito possivelmente, suas próprias ideias.

E se o vocalista pode ser substituído, então os outros membros da banda também o podem. Assim como o Menudo, a boyband latino-americana que trocava qualquer integrante tão logo ele completasse 16 anos, as bandas podem ser gradualmente renovadas até que nada além das canções permaneça. Isso já começou: O DR. FEELGOOD já não tem mais membros originais faz 20 anos, enquanto ROBERT JOHN GODFREY, o único membro original restante dos decanos do progressivo THE ENID, anunciou que sua jovial banda irá seguir em frente após sua iminente aposentadoria. JON ANDERSON disse a mesma coisa sobre o YES faz um tempo, apesar de isso ter ocorrido antes de ele ter perdido a vaga para uma banda tributo.

Encare tudo isso como uma versão rock da GLENN MILLER ORCHESTRA, que está tocando ‘Chattanooga Choo-Choo’ por boa parte dos últimos 70 anos desde que seu líder desapareceu.

O Queen, que nunca perde uma oportunidade de expandir a marca, está à frente da tendência. ROGER TAYLOR já previu a formação de uma banda tributo ao Queen oficial, a Queen Extravaganza, que sairá em turnê quando ele e BRIAN MAY não puderem, enquanto recebem uma parcela dos lucros. Em um mundo onde as casas de shows estejam cheias de Antarctic Monkeys, Kast Off Kinks e Clone Roses, por que é que os originais não recebem parte da grana, assim como Andrew-Lloyd Webber o tem para cada produção de ‘O Fantasma da Ópera’?

O THE WHO parece estar pensando nisso também. Antes da atual turnê, ROGER DALTEY confessou que isso era o começo de um ‘longo adeus’, dizendo ‘eu não sei o quanto mais minha voz durará’. Eles então celebraram seus cinquenta anos de carreira em um show com vocalistas desde EDDIE VEDDER até LIAM GALLAGHER cantando os sucessos com a atual versão de turnê do grupo. Pete Townshend sequer aparecer.

Talvez não precisemos dele. Nossa obsessão com ver ao vivo em um show as mesmas exatas pessoas que tocaram em nossos discos favoritos só tem a mesma idade do The Who. Antes disso, nós ficávamos felizes o suficiente com alguém cantando uma boa canção, e as vendas de um sucesso eram muitas vezes divididas entre duas ou mais versões rivais. Desde os BEATLES, temos ficado atrelados à ideia de que somente os originais podem tocar uma música do jeito certo. A verdade é que agora, apesar de podermos estar no mesmo espaço físico que nossos ídolos, o que estamos ouvindo é uma pálida imitação do que eles foram na juventude.

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Ao invés dos Beatles, um modelo melhor do que queremos agora pode ser o THE BOOTLEG BEATLES. Afinal de contas, eles já tocaram aquelas músicas literalmente milhares de vezes mais do que seus compositores, e com a vantagem de poderem ouvir a si próprios quando tocaram. E mais, as bandas tributo dão o show que queremos ver. Não só os tributos ao Pink Floyd tocam o material com ROGER WATERS, mas tampouco passam metade da apresentação tocando o novo álbum com o qual você não se importa. Essa semana, havia gente suficiente pra que o BRIT FLOYD lotasse a Wembley Arena [e eles nem são o tributo ao PF mais conhecido]. Do mesmo modo, há tantos tributos ao GENESIS que você pode agora escolher a era: Há o MAMA, que se se classifica como ‘de todas as eras’, o G2, que ‘se especializa na turnê Seconds Out de 1978’, e o THE MUSICAL BOX, do Canadá, que recria os álbuns ‘Selling England By The Pound’ e ‘Foxtrot’. A lista é enorme.

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Tal tipo de recriação obsessiva de momentos muito específicos da história musical pode se provar ser uma nostalgia passageira, junto com aquele lance de álbuns sendo executados pelas bandas ao vivo em sua ordem original do LP. O que irá continuar, entretanto, é nosso desejo de ouvir os maiores sucessos tocados ao vivo.  A questão agora é o quanto nós nos importamos com quem o esteja tocando. Por que é que o classic rock não fica mais como o teatro, com equipes e elencos mudando constantemente e produzindo o espetáculo ao seu próprio modo? Imagine a liberdade que isso poderia dar aos gigantes do rock, atualmente saturados pelo peso de seus passados. Sae outra pessoa estiver tomando conta do legado, eles podem deixar a banda, desapegar-se do passado e achar novos mundos para conquistar. Talvez alguém devesse apresentar o Metallica ao SANDMAN, MENTALLICA, METALLEEKA e ao DAMAGED INC.

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