Compact Disc: 2015 será ano da derrocada do formato no Ocidente?

Por ED SELLEY para a Hi Fi Choice Yearbook, de Dezembro de 2014.

Enquanto escrevo essas palavras, estou ouvindo à minha primeira compra de disco de 2014, que no caso é o maravilhoso ‘Fink Meets The Royal Concertgebouw Orchestra’. Sendo meio que paga-pau por embalagens bem elaboradas, eu comprei minha cópia em vinil – de fato, muitas de minhas compras recentes foram analógicas. Eu não tenho um anacronismo total, contudo, e outras aquisições recentes incluíram alguns downloads de alta resolução e em encodamento lossless. Entretanto, nenhum deles está disponível em CD, e isso me fez pensar no ano que vem.

Os eletrônicos que eu uso não possuem drive de CD faz anos já. Eu tenho estrutura para criar streams em FLAC lossless e de alta resolução através de uma rede e também tenho um toca-discos. Desde que aposentei meu Cambridge Audio 840C em 2011, eu não tenho um CD player para uso diário. Isso não me impediu de comprar os discos em si, ainda assim. Os limites ao montante de material lossless disponíveis para comprar, em especial asa coisas que eu quero ouvir, significavam que, apesar de que estas nunca sejam tocadas em um CD player, eu não tinha escolha a não ser continuar comprando CDs.

Isso era um problema porque eu sempre detestei o disquinho prateado. Não pela qualidade de som, veja bem. Eu já ouvi a sistemas alimentados por CD maravilhosos ao longo dos anos e não tenho problema algum em reconhecer o desempenho do qual a mídia é capaz. Não, meu problema está nas caixinhas de plástico, as anotações microscópicas no encarte e o fato de que qualquer voltinha no meu carro bastava para danificar mortalmente a alguns discos. Eu não sou e nem nunca fui uma pessoa por demais asseada ou organizada e frequentemente descubro que alguns discos escaparam de suas caixas, estão largados por aí em minha sala como estudantes no bar.

Isso tinha que acabar e eu tomei uma decisão, e ano que vem eu não vou comprar um CD sequer. Minha resolução emana em parte de meu desgosto por eles, mas eu também acredito que minhas opções de compra em 2014 sejam vastas o suficiente para que isso se torne um predicado prático. Na verdade, eu tomei tal decisão alguns dias antes de [o site] HD Tracks anunciar que começaria a atender clientes do Reino Unido [pondo um fim a meus anos fingindo ser um cidadão de Raleigh, Carolina do Norte], mas o anúncio só reforçou minha decisão. Agora há ampla liberdade de escolha no mercado de downloads para que eu possa comprar grandes quantidades de música sem ter que depender do CD. Muito é lossless, e não high resolution, mas ainda quer dizer que eu tenho a qualidade do CD sem os discos. O quociente de alta resolução está aumentando aos poucos também, mas muita atenção ainda é focada em relançar álbuns que eu já possuo, ao invés de lançarem material inédito. Só me resta esperar que algumas gravadoras comecem a mostrar um pouco mais de confiança em seus artistas nos próximos meses. Ao mesmo tempo, os preços sendo cobrados pelo material estão abaixando também.

Edu ainda acho difícil digerir o fato que armazenar e fazer o streaming de uma cópia eletrônica me custe mais do que comprar um CD físico, mas as coisas estão começando a melhorar.

A SOLUÇÃO DO VINIL

NadelAufPlatte

Minha confiança em não ter que depender do CD é duplamente reforçada pela contínua ressurgência do vinil. 2013 viu uma enorme variedade de álbuns lançados em vinil e a qualidade de todas as prensagens que eu comprei ao longo do ano era realmente de alto padrão. Não obstante, o vinil do século 21 vem com brindes que tornam o envelhecido formato um pouco mais fácil de se viver, como fornecer um número para baixar uma cópia digital para ouvir em deslocamento. As queixas padrão são válidas – os preços de alguns álbuns são decididamente ambiciosos e alguns padecem de uma programação de lançamento do tipo ‘piscou, perdeu’, mas eu ainda confio que preencho tais perdas com os downloads pagos.

Você poderia, legitimamente, argumentar que, com o preço dos CDs no fundo do poço, eu estou tornando minha vida mais cara e difícil para mim mesmo e que eu, nem por um minuto, deveria pensar em economizar em 2015. No geral, contudo, eu passei os últimos anos defendendo sistemas ‘pós CD’ e chegou a hora de fazer minhas comprar falarem o mesmo idioma dos meus eletrônicos. Eu vou fazer anotações ao longo do ano sobre os álbuns que eu tenho que abdicar de comprar, já que eles não estão disponíveis em nem um formato nem outro, e eu também não duvido de que haverá muita coisa que eu possa comprar sorrateiramente no dia 1 de Janeiro de 2015, mas eu acredito honestamente que será menos do que você pensa. Eu vou postar uma atualização mais pra dentro do ano sobre como a coisa estará indo, mas por enquanto, me desejem sorte.

 

 

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