Nikki Sixx: músico disseca prós e contras do Spotify para artistas

cruelabareda

Na noite da última sexta-feira, 7 de novembro, no programa radiofônico “Sixx Sense With Nikki Sixx”, apresentado pelo líder e baixista do MÖTLEY CRÜE, NIKKI SIXX e por sua co-anfitriã JENN MARINO, ocorreu um debate a respeito da decisão corporativamente relevante da cantora country pop TAYLOR SWIFT [que tem oi álbum mais bem sucedido em sua estreia nos EUA desde 2002, ‘1989’] de retirar todas suas músicas do serviço de streaming SPOTIFY, também disponível no Brasil. Junto a Sixx e Marino estava SCOTT BORCHETTA, presidente e CEO do BIG MACHINE LABEL GROUP. Borchetta falou abertamente sobre a decisão de Swift.

Abaixo, uma transcrição traduzida da conversa, que foi ao ar ontem e cujo áudio pode ser apreciado clicando AQUI.

Sixx: “Eu acho que não há ninguém melhor do que está nas notícias sobre Taylor Swift, e o fato de ela retirar todo seu trabalho do Spotify. Obviamente, você sendo a gravadora, você seria a pessoa certa para vir porque você esteve envolvido na decisão. Então, você pode explica-la pra mim?”

Borchetta: “Sim, todo o material de Taylor na era do streaming, se quiser chamar assim, nós nunca os colocamos em nenhum serviço de streaming gratuito pelos primeiros 90 ou 120 dias. E a razão é que nós nunca quisemos constranger um fã. O que quero dizer com isso é, se esse fã foi e comprou o disco, o CD, ou pelo iTunes, o que tenha sido, e daí seus amigos vão e dizem, ‘Por que você pagou por isso?’ Está de graça no Spotify.’ Estamos sendo completamente desrespeitosos com aquele superfã que quer investir, que acredita em seu artista favorito… o Mötley Crüe é um dos meus favoritos, eles nunca me decepcionaram. Eu compro os discos deles, certo? Então por que eu iria querer ir lá e comprar, só para depois saber que, bem, eles me roubaram. Eu poderia tê-lo conseguido de graça.”

Sixx: “Então esse é um lance de 90 dias, 120 dias, ou é permanente?”

Borchetta: “Isso é o que decidimos fazer. Então, o que fizemos no passado com os discos dela, foi que, depois do período inicial, nós os colocamos à disposição dos serviços de streaming. E pra esse disco vir do jeito que veio em comparação a tudo que está acontecendo no ramo e quão dramático o momento é para o streaming e como ele está afetando as vendas, nós determinamos que o segmento de fãs de Taylor é tão dedicado a ela, que vamos tirar tudo do Spotify, e de quaisquer outros serviços que não ofereçam um serviço premium. Agora, se você for um assinante premium do Beats ou do Rdio ou de quaisquer outros serviços que não ofereçam uma assinatura totalmente grátis, daí você acha o catálogo dela. Então o problema que temos com o Spotify é que eles não permitem que você faça nada com sua música. Eles a pegam, e eles dizem, nós vamos colocar em todo lugar que quisermos colocar, e realmente não nos importamos com o que você quer fazer. Dê-nos tudo que você tem e vamos fazer o que quisermos com isso. E isso não funciona pros nós.”

Sixx: “Qual você acha que é a vantagem do Spotify?”

Borchetta: “Bem ele4s têm um player muito bom. É um bom serviço. E eles vão ter que mudar o modo que conduzem os negócios. Se você vai fazer um serviço gratuito sustentado por publicidade, porque é que alguém pagaria por um serviço premium? O serviço premium pelo qual você paga e eles têm de fato um serviço premium, tem que valer alguma coisa. Então, o que estamos dizendo é que não pode ser grátis pra sempre. Dê às pessoas um período de avaliação por 30 dias, e daí faça com que elas decidam. A música nunca foi de graça, sempre teve um custo e chegou a hora de tomar uma posição e esse é o momento certo para fazê-lo.”

Marino: “Você acha quem outros artistas vão fazer igual? É isso que estamos esperando que resulte disso tudo?”

Borchetta: “Sim. Já está acontecendo. Eu recebi tantas ligações de tantos outros empresários e artistas. Há um movimento forte a respeito disso. O Spotify é um serviço muito bom mesmo, eles só precisam ser um parceiro melhor e há muito apoio para isso. “

Sixx: “Os artistas estão procurando por exposição. Então, seja lá de que modo isso acontecer, você sabe, nós fazemos entrevistas, nós fazemos vídeos, nós escrevemos músicas, nós saímos em turnê, nós procuramos exposição para satisfazer a nossos fãs, e para fazer com que eles invistam em nós, porque se eles investirem em nós, nós podemos continuar a fazer música. Nós conversamos sobre isso no passado. Os artistas precisam fazer dinheiro para continuarem fazendo música, então todo mundo faz dinheiro.”

Sixx: “O Spotify é uma daquelas coisas que eu ouço os artistas jovens falando a respeito. ‘Cara, se conseguíssemos colocar nossa música ali, tipo, nós só queremos a exposição.’ E quando você está na posição de Taylor, ou na posição de muitos outros artistas, você está dizendo, ‘quer saber, eu gosto do que vocês fazem, eu só quero ser pago pelo que eu faço.’”

Borchetta: “Exatamente. E eu acho que é aí que você traça o limite entre um serviço gratuito, que trabalha como um serviço promocional para criar valor.  Então, se você estiver usando um serviço como o Spotify para descobrir coisas, é tipo, beleza, eis aqui talvez o novo single que você pode ouvir de graça em streaming por 30 dias, ou aqui está um artista totalmente novo com o qual estamos muito animados, que vamos divulgar, mas quando você entra no… a pergunta que você está fazendo Nikki, é, ‘como você passa do zero para um valor? E daí então o que acontece quando cobramos?’ Então é aí que você poderia trabalhar com esses serviços. OK, vamos entrar lá, vamos ser divulgados, vamos criar valor, e uma vez que vocês tenham valor, isso significa que você tem uma carreira. E isso significa que você tem que sustentar essa carreira, porque as pessoas querem continuar ouvindo a sua música.”

Sixx: “Certo. Então, como uma gravadora, você olharia para Taylor. Ela está lá no topo, e você diz, ‘olha, nós temos valor nela e queremos maximizar esse valor, ela quer maximizar esse valor, e também queremos ajudar a mudar essa plataforma. Mas, como gravadora, você olharia também para um artista iniciante que você contratou apenas seis meses atrás – você acabou de receber o álbum deles, vocês de fato acreditam no produto – vocês teriam uma visão diferente do Spotify, deixariam que eles conduzissem o streaming? Ou você seguiria a mesma filosofia?”

Borchetta: “Eu acho que você tem que olhar para todas as oportunidades de promoção para divulgar algo inteiramente novo, então é aí que você tem uma conversa diferente. E eu acho que você foi direto ao ponto – não vale a mesma coisa pra todo mundo. E esse é o problema.”

Sixx: “Isso vai ser o problema que vai incomodar a deles. Eles vão dizer, ‘Hey, peraí. Daí a gente ajuda a divulgar sua banda, mas você não deixa a gente tocar os graúdos’. A queixa deles vai ser essa.”

Borchetta: “Bem, não é diferente de uma banda vir e fazer um programa de rádio de graça, e daí voltar e tocar numa casa de shows dois anos depois. Há de haver um sistema de valor em vigência para que nós continuemos a construir carreiras.”

 

 

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