Iron Maiden: Há 33 anos, Bruce subia ao trono e expandia o império

Por MALCOLM DOME para a edição online da CLASSIC ROCK inglesa.

Iron Maiden Onstage

No dia 26 de Setembro de 1981, o IRON MAIDEN concretizou o que provavelmente é a sua formação mais importante até hoje. BRUCE DICKINSON fora escalado para substituir a PAUL DI’ANNO nos vocais – e virar o frontman da maior banda a surgir da explosão da NWOBHM. E a mudança não recebeu uma resposta universalmente positiva na época.

Veja bem, tinham me dito que o vocal do SAMSON estava entrando para o Maiden algumas semanas antes do anúncio. Eu estava nos escritórios dos empresários do SAXON na zona oeste de Londres, e eles haviam ouvido falar que Di’Anno estava fora da banda e que o cara do Samson ia entrar. Incrivelmente, havia tido uma confusão porque o boato que circulava era que o vocal do Saxon, Biff, seria quem assumiria o posto vago. A similaridade entre o nome das duas bandas, Samson e Saxon, causara isso. Sim, você pode ver como o disse-me-disse provocou isso.

Daí, a equipe do Saxon ficou ansiosa para reparar os danos, e reforçar que Biff ia ficar. Era Bruce quem estava chegando, mas isso ainda estava muito bem guardado. Boca miúda. Nada tinha sido oficializado até então e tudo rolava por fora nos bastidores. A última coisa que o Saxon queria era que qualquer pessoa soubesse que eles estavam dizendo para os outros o que é que o Maiden estava aprontando.

Mas o BRUCE BRUCE? Ele era o que o Maiden de fato precisava? Di’Anno havia sido uma parte tão crucial do sucesso vigente da banda até aquele momento. A voz dele havia ajudado a definir os dois álbuns lançados até então, ‘Iron Maiden’ e ‘Killers’, e sua saída seria um forte golpe para a banda.

Mas daí eu comecei a pensar sobre como as coisas entre o frontman e o Maiden haviam começado a se deteriorar. Quando eles foram a atração da noite no Hammersmith Odeon naquele ano, a primeira vez deles em uma posição na reverenciada casa, ele não deu conta do recado. Ele não ficara confortável em um palco maior. Além disso, a reação a ‘Killers’ havia sido meio diversa, e muitas resenhas sugeriam que não tinha perdurado a qualidade que o disco de estreia trouxera. Eu, particularmente, achei [e ainda acho] um disco excelente, e melhor do que o primeiro. Até hoje, ele é o meu disco favorito do Maiden. Contudo, o consenso era que a menos que algo drástico fosse feito, o Maiden iria tropeçar, empacar e cair. Foi uma enorme encruzilhada na ainda jovem carreira deles.

Além disso, Di’Anno estava tornando-se cada vez menos confiável. Ele estava faltando a shows por estar aderindo ao estilo de vida do rock n’ roll e isso estava provando ser algo muito mais do que cansativo.

Então ele teve que sair, e a demissão dele não foi uma surpresa. Apesar de que, interessantemente, mais de uma década depois, me mostraram uma carta escrita de próprio punho pelo vocalista, na qual ele dizia que estava saindo, porque ele tinha assuntos pessoais para lidar e que estavam afetando seu comprometimento com o Maiden. Ele admitia ter sido injusto com a banda, e sentia que era do interesse de todos que ele se retirasse. Agora, se o Maiden permitiu que ele aparentasse ter saído de própria vontade ou ter sido demitido não tem a menor relevância. O fato é que ele tinha saído –  e demorado para fazê-lo.

Bruce havia feito um trabalho decente no Samson, e ele claramente tinha uma voz boa. Mas ele seria realmente o cara certo para o cargo? Não havia nada na breve passagem dele pelo Samson que o tornasse o sujeito ideal para a empreitada. Eu tinha o visto em um palco grande no ano anterior, quando o Samson abrira para o RAINBOW e ele não me arrebatou como um grande artista em desenvolvimento. Na verdade, eu achava que JESS COX do TYGERS OF PAN TANG ou REUBEN ARCHER do LAUTREC teriam sido escolhas mais convincentes.

Eu não era o único cético. Muitos fãs do Maiden choraram com a perda de Di’Anno, e acreditavam que a banda estava destinada ao desastre.

Ainda assim, pelo menos o novato seria chamado de BRUCE DICKINSON, seu nome de verdade, não aquele nome Bruce Bruce tosco que ele suava no Samson. Aquilo fora um passo na direção certa. Mas o momento da verdade chegou quando a banda tocou no Rainbow no dia 15 de Novembro em Londres. A cidade natal deles, encarando uma plateia de fãs ferrenhos que tinham que ser persuadidos. Você sentia muito mal por Dickinson. A postura dos fãs era de ‘Vamos lá, nos impressione!’, ele estava cantando basicamente um setlist de Di’Anno, e mal tinha tido tempo de imprimir seu estilo à banda. Aquilo sim era um desafio.

Entretanto, duas novas pérolas foram apresentadas naquela noite. O Maiden tocou ’22 Acacia Avenue’ e ‘Children of the Damned’, e essas versões nascentes deram a Bruce Dickinson uma chance de demonstrar seus talentos, e ele pareceu crescer a olhos vistos. Claro, a sombra de seu antecessor pairou por boa parte da noite, mas haviam claros sinais de que ele poderia levar o Maiden a outro patamar.

Em seguida, os falastrões que estavam criticando antes, ficaram bem calados. Dickinson não os tinha ganho, mas tinha feito o suficiente para persuadir as pessoas que o dessem uma chance. O consenso era que ele deveria ter uma oportunidade para verem o que ele poderia fazer em estúdio no novo álbum do Maiden. E todos nós sabemos o resultado.

Vou ser direto: meus dois discos favoritos do Maiden são os primeiros. Aquele foi um período muito empolgante, tal como refletido naqueles álbuns. Mas eu sou o primeiro a aceitar que, se Di’Anno tivesse ficado, o Maiden teria virado fumaça. A manobra do recrutamento de Bruce foi inspirada, e talvez a melhor decisão que o Maiden já tenha tomado. Mas eu também fico imaginando o que teria ocorrido caso Cox ou Archer tivessem entrado… nah, não vamos entrar nesses universos paralelos… E eu não quero mesmo de fato imaginar o que poderia ter acontecido.

O anúncio da chegada de Bruce feito pelo Maiden 33 anos atrás deu início a um feitiço de domínio que perdura até hoje. E, sendo realista, o que é que Di’Anno fez desde então? Isso por si só prova que ele não tinha o elemento necessário para percorrer todo o caminho até o topo.

 

 

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