Hi-Res Audio: Por que o público não se importa com qualidade de som?

Por BRENT BUTTER WORTH para o site ABOUT TECHNOLOGY

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Foi ao ler uma recente entrevista de LEN SCHNEIDER com o professional de masterização em áudio BOB LUDWIG sobre o tema áudio em alta resolução – e então lendo as respostas ao artigo, especialmente as tecidas pelo ex-editor da [revista especializada estadunidense] Stereo Review MICHAEL RIGGS – que eu me dei conta que há algo faltando na discussão acerca do áudio em alta resolução.

O áudio em alta resolução – que é basicamente áudio digital em qualidade melhor que a do CD – tem sido o tema mais discutido relativo a áudio [além de, talvez, a aquisição da Beats pela Apple]. Temos assistido a táticas de divulgação de companhias do naipe da Sony; o lançamento do novo serviço de downloads para o music player de NEIL YOUNG, o Pono; anúncios de vários programas relacionados a alta resolução na vindoura convenção da Audio Engineering Society; um enorme esforço de conscientização do público por parte da Consumer Electronics Association; e ao lançamento de um excelente novo site chamado Hi Res Audio Central, desenvolvido por uma equipe de editores e autores do primeiro escalão.

O que está faltando na discussão? Reconhecer quais são as questões.

Permita que eu já aborde uma agora: eu acho que, para os audiófilos, comprar música em alta resolução de um site como o HDTracks ou Acoustic Sounds é algo bom de se fazer. Mesmo se os benefícios do áudio em alta resolução no formato para download pelos consumidores sejam modestos, os audiófilos querem o som em sua mais alta qualidade, e quem é que pode dizer que eles estão errados por quererem isso?

Então o que é que não está percebido na atual promoção do áudio em alta resolução? Simplesmente o fato de que nenhum modelo de negócios viável para algo maior que um stand de feira industrial foi apresentado até agora. E os óbvios problemas na comercialização do áudio em alta resolução não foram abordados. Eis o que eu vejo como problemas:

1] A maioria dos consumidores não paga US$8 para baixar um álbum em MP3. Por que eles pagariam de US$18 a US$25 para baixar um álbum em alta resolução?

Tal como a edição estadunidense da revista Billboard noticiou recentemente, as vendas de downloads musicais caíram de 11.8 a 13.8 por cento até agora em 2014, dependendo de como você as mede. Enquanto isso, os streamings do Spotify cresceram 108% até agora esse ano – e estamos falando de streams Ogg Vorbis de dados comprimidos executados a 160 kilobits por segundo para usuários não-pagantes e a 320 kbps para assinantes.

 

Sabe o que também subiu esse ano, em 39%? As vendas de discos de vinil. Isso porque, tal como aprendi ao conversar com GORDON SAUCK, fundador da loja de equipamento de áudio vintage INNOVATIVE AUDIO, muitas pessoas preferem comprar coisas que possam tocar, e usá-las com suas mãos, em detrimento de coisas como downloads digitais que são relativamente efêmeros. Deve-se lembrar que discos novos de vinil custam quase a mesma coisa que downloads digitais de áudio em alta resolução.

Por que os downloads de áudio e alta resolução custam tão mais? Eles são feitos das mesmas gravações master que os CDs e MP3 [ou pelo menos deveriam ser]. Eles exigem maior capacidade de banda larga na internet, cerca de 900 megabites por hora de música no caso do bitrato 24/96 de um FLAC contra os 256 kbps de um MP3 – mas qual é o custo de se transportar 900 MB pela internet? Mais ou menos 10 centavos. Joga aí mais uns 5 centavos pelo espaço em disco rígido, mais US$1 por download para cobrir custos administrativos. Você acaba com enorme superfaturamento. Para empresas especializadas no nicho, como a HDTracks e Acoustic Sounds, é compreensível, em parte porque elas têm que trabalhar muito para obter seu acervo. Para uma grande gravadora, que já possui o material pronto – bem, tentem explicar para os consumidores como um superfaturamento de 870% em relação ao MP3 é justo.

2] Ninguém provou que o áudio em alta resolução pode ser demonstrado de modo que convença aos consumidores de que há um benefício claro nele.

Há pelo menos um estudo independente do qual tenho conhecimento que sugere que é possível que os ouvintes discirnam a diferença entre áudio em alta resolução e áudio com qualidade de CD. E mesmo esse estudo conclui que as diferenças “… permanecem muito sutis e difíceis de se detectar.”

Por mais que eu tente, eu não consigo me lembrar de uma situação em que os consumidores estivessem dispostos a pagar mais por uma diferença ‘bastante sutil’ na qualidade de áudio. Pelo que eles pagam? Conveniência. Ou estilo.

Eu não tenho dúvida de que um dos divulgadores mais persuasivos da indústria – tipo, MAR LEVINSON – poderia vender áudio em alta resolução [ou qualquer outra coisa] para quase todo mundo após uma demonstração pessoa-a-pessoa. Mas como é que você faz uma demonstração de uma melhora tão sutil em, vamos dizer, lojas da [rede estadunidense de varejo de eletrônicos] Best Buy?

3] Celulares e tablets não possuem espaço de armazenamento suficiente para isso.

As pessoas que promovem o áudio em alta resolução gostam de falar sobre o quanto que espaço de armazenamento digital ficou barato. E É barato – se você está falando de HDs de computador. Em smartphones e tablets, não. A maioria dos smartphones possui apenas 16 gigabytes de armazenamento, que devem ser divididos com aplicativos, fotos, vídeos e documentos. Vamos dizer – sendo otimistas – que você tenha 12 GB sobrando para música. Nesses 12 GB, você pode depositar 11.56 horas de arquivos FLAC em alta resolução comprimidos a um bitrato de 24/96 [no caso da taxa de compressão do FLAC de 50 por cento]. Nesse mesmo espaço, você pode colocar 104.16 horas de downloads de MP3 de 256 kbps como aqueles que a Amazon vende.

Claro, muitos telefones podem passar por um upgrade com cartões de memória com maior capacidade, mas ainda assim, que a maioria dos consumidores preferiria – usar esse espaço para música em alta resolução, ou usá-lo para armazenar 10 vezes mais música, distribuída em uma qualidade muito próxima à do CD e que eles nem pudessem diferenciar de conteúdo em alta resolução em qualquer demonstração que um bom vendedor de loja possa conduzir?

O áudio em alta resolução está se provando um bom nicho de negócios para empresas de áudio high-end e serviços de distribuição online. Todavia, se vamos leva-lo a sério como o próximo passo da reprodução fonográfica, merecemos uma proposta séria de negócios, não mais baboseira do tipo ‘ouvir o que o artista quis que você ouvisse’.

 

 

3 pensamentos sobre “Hi-Res Audio: Por que o público não se importa com qualidade de som?

  1. Permita-me discordar do seu segundo argumento. Na Sony Store demonstramos conteúdo DSD e SACD e a diferença é simplesmente gritante. Um leigo percebe. E com um pouco de exercício sim podemos estabelecer MP3 como péssimo, CD como razoável, FLAC de 1 a 2 Mbps como muito bom e os DSD como excelentes…. O DSD é sem dúvida de como claro e nítido melhor que CD e DTS, por exemplo, não tem como não perceber isso.

    • Repita tudo isso pra quem cresceu ouvindo MP3 a 128kbps em fones de ouvido de camelô e spo ouve a registros fonográficos feitos em estúdios que custam menos do que um player modular de DSD no preço que ele chega ao Brasil atualmente. A questão não é só o Zé Ruela perceber que o som é melhor, é convencer ele que vale a pena pagar por algo que ele não vai ter com o que usar, já que ele só ouve lixo.

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