Richie Kotzen: músico fala de ensaios com Ozzy e praga do Poison

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O virtuoso da guitarra – e prestes a vir para o Brasil em turnê mais uma vezRICHIE KOTZEN [MR. BIG, WINERY DOGS] falou semana passada ao site estadunidense LEGENDARY ROCK INTERVIEWS, e como é típico do site, passagens obscuras da carreira do músico foram abordadas, o que acabou o levando a desabafar sobre sua frustrante experiência de ser um ‘ex-Poison’ assim como um episódio que o impediu de fazer parte da banda solo de OZZY OSBOURNE, mesmo depois de ter ensaiado e negociado com o vocalista.

O que segue abaixo é um trecho traduzido da edição final.

[…]

LRI: Vou voltar no tempo para te perguntar algumas coisas que sempre quis. Depois do lançamento do seu álbum “Mother Head’s Family Reunion” e de seu subsequente ciclo de turnês, falou-se que você estava entrando para a banda de OZZY OSBOURNE devido à saída de ZAKK WYLDE. Há alguma verdade nisso e você chegou a ser testado ou ensaiar com a banda de Ozzy?

Kotzen: Wow! Como é que você soube disso? Claro VOCÊ acabaria sabendo disso!

LRI: Você fica sabendo das coisas quando segue um artista como eu tenho seguido a você por mais de vinte anos!

Kotzen: Wow! Pouca gente sabe dessa história. Eu posso te contar. É bem engraçado, porque naquele tempo… estou tentando lembrar o que estava Rolando. OK, isso foi em idos de 1995, deve ter sido. Eu tinha acabado de ser dispensado da [gravadora estadunidense] Geffen porque o cara do A&R que tomava conta de mim tinha ido pra Sony. Eu tinha saído daquele contrato na época e estava em negociações para assinar com a RCA. Naquele período, eu me lembro que recebi um telefonema de meu empresário. Foi assim que me fora apresentado, que haviam ligado e queriam se encontrar comigo. Sharon [Osbourne] queria me conhecer e eles precisavam de um guitarrista. Na época, eles tinham gravado muita coisa com STEVE VAI e por algum motivo, não deu certo. Zakk não estava envolvido naquele momento.

Daí eles me mandaram de avião para Nova Iorque. Eu me lembro que estava tão doente que tive que chegar até o portão de embarque numa cadeira de rodas. Foi um pesadelo! Eu me lembro de chegar ao portão em uma cadeira de rodas, o que é muito estranho pra mim porque eu sou uma daquelas pessoas que nunca vai ao médico. Eu sou um dos caras que simplesmente aguentam e esperam passar. Eu estava muito doente, mas eu sabia que tinha que chegar até Nova Iorque. Então eu fui até NY, e estava bem quando aterrissei.

Eu fui até o quarto de hotel de Ozzy para encontrar com ele. Ele tirou um barato com a minha cara e eu nem percebi que ele o estava fazendo. Ele estava com um, sabe quando arrancam um dente seu? Eu não lembro do nome daquilo, mas era tipo essa seringa que borrifa água ou álcool. Ele estava tentando fazer com que eu achasse que ele ia injetar heroína. Ele estava fazendo uns movimentos estranhos e estávamos só eu e ele no quarto do hotel. Por algum motivo, eu não entendia a brincadeira. Eu nem estava prestando atenção e finalmente ele se frustrou por eu não estar entendendo que ele estava querendo me zoar. Isso acabou se tornando outro momento engraçado à parte. Mas nos sentamos no quarto dele e assistimos ‘Débi & Lóide’. Eu e Ozzy assistimos ao filme ‘Débi & Lóide’ juntos. [risos]. Por algum motivo eu acho que foram duas viagens. Naquela viagem, foi o lance casual. Eu sentei no restaurante no térreo do hotel com Sharon. Ela basicamente me disse o que iria acontecer. Ela me contou que eles iam me pagar, eles me disseram que eu poderia vender minhas próprias camisetas nos shows, tudo aquilo. Eu disse, ‘Wow! Eu vou tocar guitarra pro Ozzy!”

E aí houve outro momento em que eu toquei com ele também, mas eu não sei se foi nessa mesma viagem. Por alguma razão, na minha mente, há uma grande lacuna. Em certo momento eu toquei com ele. GEEZER BUTLER era o baixista e DEAN CASTRONOVO estava na bateria. Foi em Nova Iorque. O que aconteceu foi que eu voltei, e disse a alguém que eu seria o guitarrista de Ozzy. Eles já tinham negociado o contrato com meu empresário e tudo mais. Naquela época a [empresa fornecedora de acesso à internet dos EUA] AOL era bastante popular. Rolava de tudo nas salas de bate-papo, onde havia gente fofocando. Eu cometi o erro de contar a alguém que eu ia fazer aquilo. Eles foram e colocaram isso numa dessas salas de bate-papo da AOL dizendo “Richie Kotzen, ex-guitarrista do Poison, vai tocar com Ozzy!” e as pessoas piraram! E elas diziam “Isso é conversa fiada, um cara do Poison vai entrar pra banda do Ozzy?” Haviam essas pessoas que nem sabiam meu nome e nem faziam ideia de quem eu fosse, mas por essa pessoa ter escrito ‘Poison’, houve esse grande alarido no tópico da AOL.

Eu me lembro de ver aquilo e ficar tão puto da vida. Eu disse, “Por que caralho você foi e divulgou isso? Eu te contei isso como amigo e agora você tá aí espalhando pela internet!” Então, a coisa toda, tudo, foi pelo ralo. Literalmente, eu só posso achar que essa tenha sido a razão. Eles fizeram com que meu empresário negociasse o contrato, tudo foi acordado. Sabe, estava tudo certo. No minuto que isso veio à tona, eles pararam de responder, não ouvimos mais falar deles. Eu vinha enviando riffs, gravando ideias pras músicas, mas depois que aquilo aconteceu, foi tudo pelo ralo. O que eles acabaram fazendo de fato foi que Zakk acabou voltando e gravando o disco.

Daí eles arrumaram um cara, um que eu acho do qual ninguém tinha ouvido falar antes….

LRI: Joe Holmes?

Kotzen: Quem foi o cara, você lembra do nome dele?

LRI: Joe Holmes. Na verdade meu amigo ROBERT LOCKE tem uma banda com ele agora chamada FARMIKOS sobre a qual EDDIE TRUNK tem falado muito bem nas redes sociais. Você deveria ouvi-los!

Kotzen: Isso mesmo. Eles pegaram um cara sem história nenhuma ou pelo menos uma história como a minha, por exemplo. É tão, engraçado, cara, todo aquele lance do Poison, por um lado foi realmente uma grande oportunidade e eu realmente amava o disco que fizemos, mas por outro lado, acabou fudendo muitas oportunidades para mim ao longo de todos os anos 90. Quer dizer, tudo, desde a situação que acabei de te contar até contratos com gravadoras. Foi essa associação horrível que me fudeu ao longo de todos os anos 90. O triste de tudo é que eu, como músico, não tive nada a ver com o que fez do Poison um nome famoso. Então é como uma faca de dois gumes. Sim, eu estive na banda, eu entendo que não é a banda mais legal do mundo para algumas pessoas. Eu também tenho feito essa coisa totalmente diferente, que é quem eu sou. Foi uma merda e não foi até que a internet chegasse que eu consegui me conectar diretamente a meus fãs sem ter que lidar com uma gravadora. Isso mudou tudo pra melhor pra mim! […]

 

 

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