AIDS & Heroína: Os Últimos Dias de Robbin Crosby – Parte I

O texto abaixo não tem autoria conhecida, e rodou por alguns fóruns digitais na internet à ocasião do falecimento do guitarrista original do RATT, ROBBIN CROSBY, em 2002, quando ele sucumbiu a complicações causadas pela AIDS.

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A epístola, publicada em capítulos, teria sido escrita por um amigo próximo de Crosby, que permaneceu não se identificar, e, pelo teor e conteúdo de seus textos, não queria publicidade, apenas exorcizar sua tristeza com o falecimento de alguém querido.

A primeira parte, traduzida para o português, pode ser lida abaixo.
[…]

Eu tenho esperado pelo momento certo para botar um pouco disso pra fora. Eu tenho lutado com isso desde o dia em que Robbin morreu. Eu queria expressar um pouco disso em público no dia 14 de Junho de 2002, no funeral de Robbin, mas a dor ainda era grande demais para suportar… eu senti que ia ruir diante das 200 pessoas lá [estranhos, em sua maioria, pra mim]… então eu só fiquei paralisado na praia e não disse nada.

Eu conheci Robin através do fotógrafo NEIL ZLOZOWER. Eu tinha ido até Neil à procura de algumas fotos profissionais de Robbin em ação com suas adoradas guitarras Jackson. Eu sou colecionador de guitarras, e tinha adquirido algumas das de Robbin e queria MUITO algumas fotos boas do ‘The King’ nos dias de glória do RATT com as guitarras que eu tenho… acaba tornando o fato de possuí-las ainda mais pessoal e especial. Ao falar com Neil, ele mencionou ‘Hey, Robbin está no hospital, a apenas algumas milhas daqui… eu tenho certeza que ele autografaria essas impressões pra você, e se não por isso, eu sei que ele adoraria ter companhia, apenas leve uma garrafa de Peppermint Schnapps [destilado feito à base de maça, pera e ameixa] se você for’.

Hmmm… eu peguei o endereço e fui no dia seguinte. Fui armado com algumas fotos impressas, uma garrafa de Peppermint Schnapps e uma caneta marcadora prata para vê-lo.

 

‘Eu te conheço…???’ É a primeira coisa que ele disse a mim. Ele estava com aquele tom característico de voz de ‘King’ em sua voz. Depois de explicar o porquê de eu estar ali, começamos a conversar. Apenas conversa fiada e coisas superficiais sobre os anos 80 e o Ratt. Eu fiquei lá por uma hora e algo aconteceu comigo naquele dia.. eu saí valorizando mais a vida. Ali estava um homem gigante deitado, incapaz de andar ou até mesmo de sentar [ele tinha acabado de passar por uma complicada cirurgia nas costas] e obviamente, com muita dor e solidão… mas ele estava disposto a conversar com alguém que ele nem conhecia.

Quando eu me levantei para ir, ele disse… ‘Hey, foi um prazer conhecê-lo, e você se incomodaria de vir me visitar de vez em quando?’

Eu prometi que iria. Eu saí de lá sem NENHUM autógrafo. Eu simplesmente não tive coragem de pedir.

Eu não estava preparado para o turbilhão de emoções que eu viveria ao longo dos dois anos seguintes. Eu aprendi MUITO sobre o que é importante na vida daquele gigante gentil. Eu vou escrever tudo em um tipo de diário e só citar o que Robbin disse quando eu me lembrar EXATAMENTE do que ele disse. São apenas flashes de coisas que eu me lembro de só visam dar uma perspectiva dos últimos anos de sua vida extraordinária.

Robbin dizia sobre espiritualidade:

Certo dia começamos a falar sobre religião e espiritualidade, e ele me disse o que pensava. ‘Eu não diria que sou exatamente religioso, eu diria que estou mais pra espiritual’. Ele explicou isso em termos de ‘Karma’ e um ‘fluxo natural’ das coisas no universo. Eu perguntei a ele, ‘então você acredita em deus… ou não?’ Ele disse, ‘Eu não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza… nem eu nem você estamos no comando!’… um clássico do King.

Robbin sobre o Ratt:

Conversávamos muito, naturalmente, sobre o Ratt e suas ideias a respeito de sucesso, seus colegas de banda e da vida na estrada. Ele tinha muito a dizer sobre seus colegas de banda… nem tudo de bom. Ele dizia, ‘Ouça ao EP… aquilo é o Ratt de verdade… ficamos pasteurizados demais depois daquilo’. Ele amava a Warren ‘como meu irmão mais novo’ mas afirmava que sentia que Warren não o respeitava como guitarrista depois que o Ratt chegou a certo patamar de sucesso. Quanto a Bobby, eu perguntei a ele um dia ‘se você pudesse ter QUALQUER baterista pra tocar com você no seu novo projeto… quem seria?’ a resposta dele foi: ‘Blotz… ele é o melhor que existe’. O que ele achava de Pearcy? ‘Pearcy é um Mané e só pensa nele mesmo… ele não consegue nem cantar no tom certo ao vivo… tivemos muitos problemas com isso durante as turnês’. Juan era o baixista favorito dele, e um amigo muito próximo e querido… apesar de eles terem suas diferenças.

El Paso 1996 e o War Party

Em 1996, Robbin estava vivendo em El Paso, Texas, com a família de sua namorada, Jolie Gregory. Ele tinha saído de Los Angeles para, em suas palavras, ‘ficar bem’. Ele estava usando heroína pesadamente e as coisas não tinham dado certo pra ele, como resultado, desde que ele saíra do Ratt. Ele aceitou um convite para ir até lá e passar um tempo com a família de Jolie e fugir de Los Angeles por um tempo. Enquanto vivia em El Paso, ele começou a tocar de novo… em uma banda COUNTRY!! Uma banda de material próprio – country mais aceleradão. A banda se chamava BILL & KEY AND WAR PARTY. Eu nunca tinha visto algo mais engraçado ou legal ao mesmo tempo. Eu tenho o vídeo de um show de setembro de 1996. O ‘King’ no palco com o War Party em uma espelunca das redondezas. Robbin parecia acanhado a princípio, mas depois que ele se aqueceu, ele começou a ARREGAÇAR na guitarra-solo no meio daquelas músicas country!!! Pense em JIMI HENDRIX de guitarra-solo numa música de TRAVIS TRITT e você terá uma noção. No vídeo, você também pode ser sua adorada cachorra labrador ‘Rosie’ na plateia. A certa altura de uma música, o vocalista pode ser ouvido dizendo, ‘Senhoras & senhores, o Sr. Robbin Crosby’ e aí Robbin começa a FRITAR um solo!! O Público presente fica olhando abobado como se ninguém ali NUNCA tivesse ouvido algo daquele estilo antes… pelo menos não em uma música country! Robbin tinha muito orgulho dessa banda… não por causa da qualidade da música ou do talento… mas porque ela permitia que ele retomasse uma dignidade outrora perdida e começasse a tocar ao vivo novamente. Ele disse que tinha uma eterna dívida de gratidão para com a família de Jolie por ajudá-lo a se reerguer e fazer o meio de campo entre ele e a cena musical de El Paso.

A Malfadada Reunião de 1996

Em algum momento de 1996, ele recebeu um telefonema de [não sei de qual dos dois] Warren ou de Stephen… ’Volta pra cá, estamos reagrupando o Ratt’. Robbin ficou muito empolgado com a perspectiva de voltar para Los Angeles e reestabelecer a banda. Ele vendeu a maior parte do que tinha para viajar e começar do zero em Los Angeles. Ele embarcou em um avião para Los Angeles carregando apenas as roupas que ele tinha e um pouco de bagagem de mão. Na noite em que ele chegou à cidade, ele se encontrou com Stephen em uma casa noturna para conversar e de pronto já sentiu uma energia estranha vinda dele.

Eles conversaram, mas Stephen parecia distante e frio. Ele passou a noite na casa de um amigo e encontrou-se com Warren no almoço do dia seguinte… ele sentiu o mesmo clima com Warren. Frustrado, ele finalmente perguntou, ‘O que está pegando? Vai rolar, né?’ Ele contou que Warren dissera algo do tipo, ‘Bem, talvez deixemos você tocar em algumas músicas do disco’.

Robbin respondeu, ‘Que caralho é esse?? Vão ME DEIXAR tocar em algumas músicas??? Eu acabei de vender minhas coisas pra voltar pra cá pra fazer isso!!’

Nem preciso dizer, a reunião acabou não acontecendo. Eu perguntei a Robbin, ‘Bem, por quê? O que aconteceu?’ Ele começou a ruir e disse que eles achavam ‘que ele estava gordo demais e ainda estava usando drogas’. Ele ficou devastado e sentiu-se traído, MAS… bem ao estilo de Robbin, ele foi realista. Ele disse, ‘Bem, eu ESTAVA acima do peso e ainda usando… então eu consegui entender aquilo. ’

[…]

Continua…

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