Aerosmith: a gênese das duas versões de ‘Walk This Way’, a faixa que mudou a cara da música

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A mente ociosa é a oficina do demônio. Exceto por quando STEVEN TYLER e seus colegas do AEROSMITH, que, no começo de 1975, enquanto esperavam por uma entrega tamanho família de cocaína, usaram seu tempo sabiamente, bolando uma música que desencadearia uma revolução no rap e no rock e abriria o hip-hop para as massas: “Walk This Way”, a colaboração deles com o grupo do bairro do Queens [NYC] RUN DMC. “Estávamos todos esperando por uma baita cara de farinha chegar”, recorda o frontman. “JOE PERRY estava no palco e eu subi no palco e comecei uma jam com ele. Quem sabia que daquela Jam com Joe sairia algo tão grande e o que causaria?” Na edição dessa semana da publicação inglesa NME que comemora os 40 anos do hip-hop, perguntaram a Tyler sobre mais detalhes da composição de um dos maiores hinos do crossover.

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A música começou na passagem de som no HRC em Honolulu. Foi uma coisa bem rítmica. Nosso baterista JOEY KRAMER tocava com uma banda de funk, e sempre estava puxando coisas do JAMES BROWN. Ele que contribuía com os lances de funk. E Joe pegou em cima e isso pariu o lick de ‘Walk This Way’. A levada meio que se debandou por si própria pro rap. Aquilo me deixou meio puto no começo, por eles não estarem seguindo a letra, e sim o ritmo. Mas eu improvisava, e escrevia a letra depois. Eu a escrevi na parede do corredor. Era tão galgada em ritmo que eu não tinha uma linha melódica para seguir, então era mais tipo [cantando] ‘backstreet lover, going under cover’. Eu não conhecia muito hip-hop na época. Eu me lembro de que você recebia umas fitas cassete dos DJs, caras bons, a maioria do centro da cidade. Eu adoraria dizer, ‘eu sabia o que era rap, com certeza’. Mas é mentira. Se eu sou fã de rap agora? FROM THE WINDOOOOOOW TO THE WALL, TILL THE SWEAT DRIPS DOWN MY BALLS! É do caralho.

Aqueles filhos da puta do RUN DMC, nenhum deles queria gravar essa música no começo. Eles não gostavam dela. Mas curtiram o ritmo dela. RICK RUBIN me ligou e disse, ‘Você faria um dueto com eles? ’ Simples assim. Eu acho que a genialidade aqui está na paixão deles por querer fazê-lo. No estúdio [o Record Plant de NYC]. Quando gravamos, alguns dos Beastie Boys estavam lá também, e eu me lembro de como eles se divertiam recitando aquela letra. Eu pensei, ‘Porra, eu nunca me diverti tanto assim com nossas paradas! ’ Na verdade eu perdi a letra no táxi do hotel pro estúdio. Eu deixei uma bolsa no banco de trás do carro. Eu não tinha papel nenhum no estúdio, então eu pensei, ‘foda-se’ e a escrevi na parede do estúdio.

Aerosmith Run DMC "Walk this Way" (Photo: Arista Records)

Fico honrado demais por isso ter impulsionado as bandas pra fundirem o rap com o rock. Se não fosse o caso, então não estaríamos aqui hoje. Eu sempre tive muito orgulho do AEROSMITH, do fato de podermos fazer ‘Dream On’ e ‘Train Kept A-Rollin’ e ‘I Don’t Want To Miss A Thing’. Tínhamos essa diversidade, parte do que nos manteve vivos todos esses anos. Não somos só de um gênero, o hard rock. Se eu voltaria ao hip-hop? Tenho certeza que poderia, mas no momento estou bem ocupado com o Aerosmith.”

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