Official Truth 101 Proof – Parte II [em português]

rexbrown

REX BROWN

OFFICIAL TRUTH: 101 PROOF

THE INSIDE STORY OF PANTERA

Por Rex Brown & Mark Eglinton

Tradução de Nacho Belgrande

Parte I AQUI

[…]

PRÓLOGO [continuação]

Na noite do tiroteio – 8 de Dezembro de 204, como se eu pudesse esquecer – eu estava em casa. A princípio, eu planejara ir até Dallas para um show do Marilyn Manson porque nosso tour manager, Guy Sykes, estava trabalhando pra ele naquela época, e eu planejava colar nele aquela noite. Eu tinha vadiado o dia inteiro, jogando golfe e tudo mais, e alguns amigos sem relação com a banda acabaram na minha casa.

Daí o fone tocou.

Era por volta das 10 da noite e era Kate Richardson, namorada de Phil Anselmo, no outro lado da linha. Conversamos um pouco e daí do nada ela recebeu uma ligação na outra linha, e daí, quando ela voltou pra outra, o tom de voz dela havia mudado. Ela me disse pra ligar a televisão, o que eu fiz imediatamente.

Eu não conseguia acreditar no que eu estava testemunhando. Sirenes de polícia. Ambulâncias. Pânico em Columbus, Ohio. Dime – nosso irmão – assassinado NO PALCO? Morto? Dime?As imagens na tela me derrubaram. Não chão. Direto.

Apesar de eu ter tido bebido, eu fiquei sóbrio bem rápido. Era a única maneira pela qual eu poderia ter esperança de processar o que eu estava vendo. Agora a notícia estava direto na CNN e em todos os outros canais de jornalismo. Amigos e família, que também estavam assistindo ao noticiário, começaram a telefonar antes que eu sequer pudesse assimilar a devastação que eu sentia, todos querendo saber se eu estava bem. Guy Sykes deixou o show de Manson na cidade e imediatamente puxou um comboio até minha casa. Eu estava tão chocado que eu não sabia nem o que pensar, muito menos o que dizer, e os telefonemas continuavam vindo em duas linhas fixas e quatro celulares diferentes que mantínhamos na casa, até que eu eventualmente adormeci, provavelmente ao raiar do dia.

RITA QUER QUE VOCÊ vá até lá.”

No dia seguinte, uma ligação de Guy Sykes confirmou que a esposa de Dime queria me ver, então eu fui até lá, só pra ver um bando de cuzões do caralho fazendo soca. Esses eram os parasitas sanguessugas que Dime havia acumulado ao longo de anos de farra com os fãs e houve alguns olhares maliciosos e comentários impróprios em minha direção, mas eu ignorei todos. Eu só posso concluir que algumas dessas pessoas viam minha aliança com Philip como algo desleal a Dime e queria me fazer sentir culpado pelo que havia acontecido. Porque esses cuzões haviam seguido tudo pela imprensa, parecia que já havia certa tensão no ar, como se houvesse uma linha imaginária traçada na areia para marcar quem estava de que lado.

Um dos seguranças até ficou na minha frente e tentou bloquear meu caminho pra que eu não entrasse. Eu já tinha um histórico de treta com esse cara em particular também, e tinha quebrado os dentes desse trouxa acidentalmente em outra ocasião anterior. Ele até tinha tentado me processar, sem sucesso, então eu com certeza não tinha medo da panca dele agora, e passei por ele como se ele não estivesse lá.

Enquanto isso, vários amigos de Dime e músicos de todo tipo de banda já começavam a chegar á cidade, e a maioria deles estava no Wyndham Arlington South Hotel e em um estado coletivo de descrença de que Dime – o cara mais chegado aos fãs de todos – pudesse ter sido morto por um fã. A ironia era simplesmente assombrosa.

Muitas dessas pessoas não haviam estado na mesma sala juntas havia anos, então enquanto a razão para estarem lá era verdadeiramente horrível, parecia haver um senso comum de solidariedade que era celebrante e quase que reanimador, o que é algo que Dime teria gostado.

Na casa de Rita, com os parentes próximos de Dime, a atmosfera era bem mais tensa. E pra piorar o desconforto, Philip ligou de Nova Orleans para oferecer seus pêsames a Rita, mas quando eu passei o telefone pra ela – a pedido dele – ela o sacou da minha mão com raiva.

Se você chegar perto do Texas que seja, eu vou dar um tiro na porra do seu rabo”, disse Rita a Philip, informando-o que ela achava que ele tinha um papel na sequência de eventos. Seus comentários pouco salutares na imprensa no começo daquele mês eram um grande problema: “Dime merece tomar uma bela duma surra” – comentários que ele sugeriu haviam sido distorcidos fora de contexto, mas, não importa o que ele diga, eu tenho as fitas da entrevista em questão, então eu sei exatamente o que ele disse. Phil e eu parecíamos ter sido postos na mesma categoria, sendo que a única diferença era que ele era totalmente malquisto e nada bem-vindo, enquanto eu só não era o cara mais popular naquele momento. Havia uma diferença.

No dia seguinte – todos em estado de choque – o pai de Dime, Jerry, Vinnie, Rita e eu fomos à Casa Funerária Moore na North Davis Drive em Arlington, e lá vimos o corpo de Darrell Abbott repousando em um caixão. Pra mim, aquilo foi demais. Eu tinha estado em vários funerais aqui – minha mãe, minha avó, meu pai – todos eles acabaram nessa mesma sala, mas este em particular me arrebentou por dentro.

Tá vendo o que você fez?!!!” me disse Vinnie Paul, fazendo a estranha acusação de que eu era de algum modo responsável pela morte de Dime, o que é obviamente ridículo. Eu não tinha ideia de como responder àquilo, então eu não o fiz.

Tudo bem se eu ficar aqui?”, perguntei a Vince depois, deixando claro que eu não queria incomodar ninguém em uma situação tão traumática. Eu precisava conferir com ele se estava tudo bem.

Claro”, ele disse enfaticamente, me fazendo questionar o porquê de ele ter dito o que ele havia antes. Em minha própria cabeça, eu não conseguia parar de analisar a razão de Vinnie sentir-se daquele modo, e não conseguia ver porque ele me culparia por qualquer coisa. Sim o assassino que atirou em Dime era claramente débil mental, mas, em minha opinião, a imprensa musical vinha jogando lenha na fogueira com os fãs ao ficar constantemente revirando o debate sobre quem fora o responsável pelo racha no Pantera. Desde aquilo, eu tinha falado com a polícia em Columbus, e ficou claro que o incidente não se tratava somente de Dime, e sim sobre a banda toda; então se o Down estivesse tocando em Columbus naquela noite ao invés do Damageplan, poderiam ter sido Phil ou eu as vítimas do assassino.

Se a imprensa tivesse calado a porra da boca e deixado que nós – a banda – resolvêssemos nossas diferenças, eu acredito que Darrell ainda estaria vivo hoje em dia. O assassino não deve ter podido lidar com o fato que o Pantera havia se separado, então ele decidiu descontar a raiva dele em nós, e ele também tinha se convencido, de algum modo, numa ilusão, de que ele tinha composto nossas músicas.

Ele obviamente havia lido a contínua especulação da imprensa, e aquilo, combinado com seu debilitado estado mental, provou ser uma mistura fatal. Afinal, ele tinha aparecido num show anterior do Damageplan e quebrado parte do equipamento antes de ser surrado pela segurança e ir preso, então ele já dava sinais antes daquela noite em Columbus.

Na noite seguinte, eu recebi uma ligação de Rita, e ela me pediu para ser um dos corpoferários de Dime, e eu, claro, aceitei. Teria parecido desrespeitoso recusar, mas ainda assim eu não conseguia deixar denotar as gritantes contradições. Vinnie parecia estar me culpando em parte pela morte do irmão dele, enquanto ao mesmo tempo, Rita estava pedindo que eu conduzisse uma tarefa oficial. Não fazia sentido nenhum.

No dia do funeral, eu não sabia o que eu estava fazendo, quem eu era ou onde eu estava – e isso não é um exagero. Amenos que você já tenha estado em uma situação como essa, você não pode entender. Eu tinha tomado umas doses de whiskey – eu simplesmente tinha que, senão eu não teria conseguido suportar o dia – e fui pra casa de Rita novamente, muito cedo, onde havia mais gente do que na visita anterior, caras como Zakk Wylde, Kat Brooks, e o técnico de som do Pantera, Aaron Barnes, com o qual eu fui de carro para a funerária. Todo mundo junto e tentando oferecer à Rita tanto apoio quanto possível.

Vamos virar uma dose para Dime!”, alguém gritou. Essa não seria a única vez em que essas palavras seriam ouvidas ao longo dos dias seguintes, e consequentemente, a maioria das pessoas – incluindo eu – procurando apaziguar a dor do que tinha acontecido, estava a certo nível inebriada ao longo do funeral e do memorial. […]

4 pensamentos sobre “Official Truth 101 Proof – Parte II [em português]

  1. Pingback: Official Truth 101 Proof – Parte II [em português] | Lokaos Rock Show

  2. Pingback: Official Truth 101 Proof – Parte I [em português] | playadelnacho

  3. Pingback: Official Truth 101 Proof – Parte III [em português] | playadelnacho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: