Sammy Hagar: ego fora de controle ou mentiroso descarado?

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Baseado em um artigo postado originalmente no VHND

O vocalista SAMMY HAGAR [MONTROSE, VAN HALEN, CHICKENFOOT] lançou sua autobiografia, “Red: My Uncensored Life In Rock” ano passado seguindo uma tendência crescente entre roqueiros veteranos [porque é isso de que se trata o rock hoje em dia: molho de pimenta, reality shows, marcas de cerveja, de café, livros, exposições de fotos…] e a exemplo da absoluta maioria dos livros de ‘memórias’ de músicos que temos lido ao longo da última década, o compêndio de Hagar também é permeado de – por falta de palavra melhor – mentiras.

Assim como na autobiografia do Mötley Crüe, “The Dirt”, onde Vince Neil afirmava que seu álbum solo “Carved In Stone” antecipava o som que o Limp Bizkit ficaria famoso fazendo em oito anos [sendo que o álbum é de 1995 e o livro foi escrito em 2000], as imprecisões contidas no livro de Hagar [que ele teria escrito sozinho, sem a ajuda de um escritor profissional, diferente do que o Crüe fez] só podem ser atribuídas a um ego fora de controle, tamanhas são as discrepâncias do que se afirma ao longo do texto, por vezes desafiando a matemática e a lógica.

Comecemos pela página 54, onde ele diz:

[…] “… o primeiro álbum do MONTROSE vendeu mais de 4 milhões de cópias ao longo dos anos.” […]

De acordo com o site da RIAA- a Recording Industry Association of America –o álbum não passou de um milhão de unidades vendidas.

Na página 78:

[…] “Eu lotei o Oakland Coliseum naquele quatro de julho de 1980.” […]

Ele se esquece de mencionar que ele fazia parte de um festival com 4 outras bandas, três das quais eram enormemente populares naquele período: BLUE OYSTER CULT, REO SPEEDWAGON e o TRIUMPH [além de Randy Hanson]. Hagar convenientemente dá a entender que ele foi o único responsável pela casa lotada.

Na página 80:

[…] “Em 1982, saímos em turnê, sendo atração principal em grandes locais, tocando duas noites em vários lugares”[…]

Não é preciso muito esforço para se pesquisar na internet e descobrir que as datas da turnê solo de 1982 de Sammy [no site Pollstar] apontam para somente UMA cidade com dois shows: São Francisco, na Califórnia.

A página 90 traz um parágrafo recheado de alguns dos maiores disparates já ditos sobre o Van Halen na história:

[…] “A turnê do álbum VOA foi a minha mais bem-sucedida. Eu lotei arenas por todo canto, duas, três, quatro noites em alguns lugares, uma das turnês mais lucrativas de 1984 – pau a pau com o VAN HALEN, que tinha ficado famoso na mesma época, com ‘Jump’ e tudo mais. Eu me lembro de receber um prêmio em Portland, Oregon.Eu lotei duas noites e recebi o prêmio de Show do Ano. O Van Halen ficou em segundo. Nós estávamos pau a pau na estrada.Meu disco tinha vendido 1.6 milhões de cópias, mas eles acabaram vendendo 10 milhões.” […]

O van Halen ‘ficou famoso’ com ‘Jump’ em 1984? Hagar afronta o sucesso da banda no período David Lee Roth. Qualquer dente-de-leite do hard rock sabe que a banda estourou exponencialmente em 1978, com seu disco de estreia, reescrevendo as regras do rock e vendendo 2 milhões de cópias logo de cara. Eddie ganhava toda e qualquer premiação de guitarristas conhecida pela humanidade. Somente no seu primeiro ano de existência comercial, o Van Halen ofuscou fortemente tudo que o Montrose – com ou sem Hagar – fez em toda sua carreira. O planeta todo falava do Van Halen em 1978, e ninguém se importava com Hagar ou o Montrose.

‘Pau a pau na estrada’? Em que planeta? Qualquer um que tenha vivido os anos 80 sabe que o Van Halen era infinitamente mais popular do que Hagar. Talvez Hagar seja a única pessoa no globo que não tenha essa perspectiva. Em 1984, o Van Halen tinha índices estratosféricos de popularidade – a turnê daquele ano fazia a de todas as outras bandas da época – em especial a de Hagar – parecer nanica.

Quanto ao ‘show do ano’ por ter tocado duas noite sem Portland… bem, ele tocou em Portland no Memorial Coliseum no dia 19 de março de 1982, portanto, só uma noite.  Ele sequer tocou duas noites no estado de Oregon naquela turnê.

Página 113:

[…] “Antes de eu entrar pro Van Halen, eles não tinham um show realmente redondo. O Roth falava. Daí eles tocavam outra música. Ed fazia um solo de guitarra de 20 minutos. Eles tocavam mais uma. Roth falava mais um pouco, outra música. Al fazia um solo de bateria de 30 minutos. Na turnê de 1984, eles tocavam 8 músicas em um show de 2 horas. Eles acabavam todas as músicas do mesmo jeito.” […]

Basta ouvir a QUALQUER gravação pirata do Van Halen antes de Sammy entrar pra banda para constatar que o que Hagar afirma é uma asneira sem tamanho. O solo de Eddie sempre tinha cerca de 10 minutos. O de Alex tinha e 3 a 4. Eles sempre tocavam por volta de 16 músicas, sem contar os solos. O VH era uma máquina bem ajustada e lubrificada, com uma baita produção, sem contar coreografada – exatamente o contrário do que Sam descreve. Mais uma vez, ele está tentando desavergonhada mente reescrever a história para diminuir o que o VH era antes dele.

Página 121:

[…] “[o álbum solo de Sammy] ‘I Never Said Goodbye’ ganhou disco de platina imediatamente”. […]

Até o presente ano, 2013, o disco não passou da certificação Ouro. Nunca foi Platina,muito menos imediatamente.

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Página 122:

[…] “Nós [o VH em 1986] estávamos lotando quatro noites seguidas em arenas por todo canto” […]

Apesar de a turnê de ‘5150’ ter sido um enorme sucesso, e eles ocasionalmente terem tocado em 2m 3 ou até mesmo 4 noites em algumas cidades, a banda tocou UMA noite na vasta maioria das cidades.E a turnê de 5150 não foi tão grande como a de 1984, que exigiu que a banda tocasse um show extra em várias cidades.

Página 173:

[…] “Os fãs se voltaram contra Roth. Ele morreu uma morte rápida como artista solo.” […]

Eat’Em And Smile” e “Skyscraper” são disco de Platina, Roth era figurinha fácil na MTV e no rádio na época. A maioria dos atuais fãs do Van Halen está sob a falsa impressão de que a carreira solo e Hagar foi mais bem-sucedida que a de Roth.Entretanto, se vocês quiser medir o sucesso com vendas de álbuns, a carreira dolo de Roth foi na verdade mais bem sucedida que a de Sammy. Os 3 primeiros álbuns solo de Roth ganharam disco de Platina [“Crazy From The Heat” em 1985, “Eat’Em And Smile” de 1986 e “Skyscraper” em 1987] Hagar, todavia nunca igualou esse sucesso – ele nunca teve 3 discos de Platina seguidos…apenas 3 discos de Ouro um atrás do outro, e daí em 1987 ele lançou outro que chegou à certificação de Ouro, com a ajuda de Eddie tocando baixo. A carreira solo de Sammy simplesmente nunca foi tão grande como a de Roth foi nos anos 80.

Página 222:

Referindo-se a quando o chefão IRVING AZOFF disse a ele [Hagar] que o Rock And Roll Hall Of Fame queria homenagear o Van Halen,mas só a versão da banda com Lee Roth, Sammy afirma:

[…] “fomos loucos pra cima de Irving. Eu estive na banda por mais tempo do que Lee Roth.Ele esteve no Van Halen por sete anos. Eu estive com eles por onze anos. Eu vendi mais discos do que ele. Como eles poderiam fazer isso comigo?” […]

Duplamente errado. Roth ficou no Van Halen por 12 anos [1974-1985] e o VH vendeu duas vezes mais álbuns com Roth do que com Hagar – basta pesquisar no site da RIAA.

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Página 234:

Sammy diz que, antes de ele entrar pra banda, “eu estava lotando várias arenas, tinha cinco discos de platina seguidos na [gravadora] Geffen, e eu estava pronto para me juntar ao Van Halen quando eles pediram…” […]

Já discutimos o lance das ‘arenas lotadas’. Quando aos ‘cinco’ discos de Platina seguidos na Geffen, bem, ELE SÓ GRAVOU TRÊS álbuns pela Geffen. E nenhum deles foi disco de Platina!

1981 “Standing Hampton” – Ouro em 1985
1982 “Three Lock Box” – Ouro até hoje
1984 “V.O.A.” – Ouro até 1985

Essas são todas as grandes mentiras que o livro conta.  As menores, que um fã não tem como contestar, devem estar ali também.

Hagar PARECE querer que os fãs pensem que ele era altamente famoso ANTES de entrar no VH, como se ter entrado pra um grupo daquela magnitude não tivesse sido necessariamente o agente catalisador de sua carreira. Em várias entrevistas, ele afirma que seus trabalhos solo chegaram à Platina antes do Van Halen.

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Isso é tudo mentira, NENHUM de seus álbuns solo alcançou a certificação de Platina antes de ele entrar pro VH no meio de 1985. Claro, em 2013, três de seus álbuns chegaram a tanto [“Montrose”, “Standing Hampton” e ”V.O.A”]. Mas Hampton não conseguiu Platina até 1992,e V.O.A. o fez em novembro de 1985, e Montrose demorou muito mais tempo.

SIM, Hagar fora [moderadamente] bem-sucedido antes do VH, e que bom pra ele!!! Ainda assim,ele não parece satisfeito com o sucesso que ele DE FATO TEVE e tampouco ser FRANCO sobre tudo em seu livro. Talvez seu ego e sua insegurança não permitam.

Sammy olha pro próprio umbigo. Ele desdenha de Roth e Eddie para tentar parecer melhor do que eles.Ele afronta o legado que Roth, Ed, Al & Mike criaram juntos, apenas para fazer com que seus anos no VH PAREÇAM melhores. Seu comportamento é nojento e imoral. Nada que não diga respeito a ele próprio é sagrado pra ele, nem o Van Halen. Ironicamente, nesse caso, é a própria autobiografia de um homem que faz com que se perca o respeito por ele.

 

Um pensamento sobre “Sammy Hagar: ego fora de controle ou mentiroso descarado?

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